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O que o Chile vê de melhor em São Paulo – 2ª parte

SP em notícia pelo mundoEspecial de aniversário de São Paulo
Por Nathan Lopes

Agora são 457 anos de existência e São Paulo continua atraindo os olhares estrangeiros. Afinal, é uma cidade que tem de tudo, mas também possui suas peculiaridades. Hoje, no dia do aniversário de São Paulo, o EspelhoSP termina a lista com o melhor da cidade na opinião de Rodrigo Cea, do jornal chileno “El Mercurio”. Aproveite e confira o texto original clicando no link abaixo.

“Lo mejor de Sao Paulo” (O melhor de São Paulo)
El Mercurio (Chile) – 17 de outubro de 2010

5] “Bohemia en Madalena” (Boemia na Madalena)

Muita MPB, bares nada sofisticados e preços mais que acessíveis: foi este o cenário que atraiu Rodrigo Cea na Vila Madalena. “Trata-se de um bairro sobretudo frequentado por paulistas, que vão a algum das centenas de lugares para conversar com os amigos e beber um choop ou uma cerveja”. Ele diz que, mesmo o melhor ser caminhar um pouco pela região e escolher um bar, é bom dar uma atenção especial ao Bistrô Deliparis, um “café com bons pratos de inspiração francesa”; ao Dolores Bar, “uma das discotecas mais famosas da área”; Café Pittoresque, “com excelente comida russa”; e Salve Simpatia, “onde abundam os tambores e a típica folia carioca”.

4] “Sabor Paulista” (Sabor paulista)

Cea já supõe que o leitor chileno considera o restaurante D.O.M., de Alex Atala, “o melhor e mais conhecido da cidade”. “Cada um dos reais da conta valem a perfeição e criatividade de seu pratos”.

Ele aproveita para sugerir lugares de menor fama internacional da gastronomia em São Paulo, como o Rodeio, “perfeito para prova a famosa picanha ou o contrafilé”. Na lista também está presente o Bar Brahma, “onde se como pratos tradicionais, como o estrogonofe com arroz ou os pasteis de carne seca ao ritmo da música brasileira”. “Na esquina das avenidas Ipiranga e São João, dizem que foi neste local que Caetano Veloso escreveu sua melancólica ‘Samba’”.

3] “Todos al Parque” (Todos ao parque)

O convite de Rodrigo Cea é para que todos vão ao “pulmão verde mais importante da enorme massa de concreto”. É o parque do Ibirapuera, desenhado pelo arquiteto Roberto Burle Marx. “Há dezenas de campos para jogar futebol, vias para correr, andar de bicicleta, belos jardins e um sem-número de vendedores ambulantes, que vendem refrescantes águas-de-coco”. Ele também destaca os museus dentro do Ibirapuera, como o MAM, de arte moderna, além de vários edifícios, “muitos projetados por Oscar Niemeyer, um dos arquitetos mais importantes do século XX”.

2] “Culto al Fútbol” (Culto ao futebol)

“À espera do Mundial de 2014, a paixão pelo futebol plenamente hoje em território paulista, um dos maiores pólos futebolísticos do planeta, com clubes como Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos, onde se formou o próprio Pelé”. O destaque fica por conta do Museu do Futebol, no estádio do Pacaembu. “O museu resume a história do futebol brasileiro com dezenas de instalações interativas”.

Cea pede para os mais fanáticos darem uma olhada no calendário do campeonato local e ver os jogos que acontecem no Pacaembu. Algumas do Corinthians, de Ronaldo, outras, enquanto o Palestra Itália é remodelado, do Palmeiras, de Jorge Valdivia. “Outra opção é ir ver o poderoso São Paulo no mítico Morumbi, estádio que conta com um bar, o qual tem livre acesso às tribunas”.

1] “Estación del Arte” (Estação da Arte)

O melhor do melhor de São Paulo, segundo Rodrigo Cea, do jornal chileno “El Mercurio”, é a Estação da Luz, “uma área que foi tristemente famosa pela venda e consumo de drogas”. “Depois de uma impressionante transformação, parece impecável e tranquila”. Mas essa transformação, como os paulistanos podem notar diariamente, ainda não terminou. As drogas ainda estão presente na região.

Cea diz que o edifício da estação é um dos mais repetidos nos cartões-postais. Ele também cita um prédio próximo, que armazena mais de 8 mil obras de arte: a Pinacoteca do Estado, “que conta com uma cafeteria ao ar livre ideal para o entardecer ou a metade da manhã”.

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Bar ou balada? Tem os dois no Akbar

Por Priscila Pires
Dançar ou conversar? Balada ou bar? Está difícil decidir?
No Akbar Lounge&Disco, localizado na Vila Madalena, os três ambientes convidam a galera indecisa – ou não – a curtir a noite paulistana. Na parte inferior, a pista toca de eletrônica a infantil, numa mesma noite. No segundo andar, um bar fechado é decorado com caricaturas de famosos, e no bar aberto, com vista para a cidade, filmes são projetados no telão. A decoração é diferente: sofás confortáveis dividem espaço com tábuas de passar roupa, usadas como mesa.

Durante o dia, no bar funciona uma lavanderia. Mentira. Mas as mesas são tábuas de passar roupa.

A ideia é boa, mas na prática o bar-balada pecou no atendimento. Longa espera pelo cardápio, pelo garçom, pelo pedido. Suco de morango quente e beber água direto da garrafa não era bem o que eu planejava, por exemplo. Nem assistir a uma briga na pista de dança.
Agenda:
Na próxima segunda-feira, 06/09, a partir das 21h, rola no Akbar a festa “Flashback do bem”
Com nome na lista: Homem: R$10 + 2 kg de alimento // Mulher: 2 kg de alimento
Rua Inácio Pereira da Rocha, 109 – Vila Madalena
Sextas: Disco Nighty 80s, 90s, 2000 e um pouco de 2010. Com nome na lista – H: R$ 20,00 e M: VIP até às 00h
Sábados: festas ecléticas, flashback 70s, 80s, 90s. Com nome na lista – H: R$ 20,00 e M: VIP até às 22h30
Sempre a partir das 21h30.

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Incubadora de Talentos

Por Flávia Leal

Quem caminha pela região da Vila Madalena, está acostumado aos bares e às conversas com ar de boemia espalhadas pelas ruas do bairro. Entretanto, com uma vista mais apurada, vê-se um portão entreaberto que convida os curiosos a entrarem em um estreito corredor. Um coreto de praça de interior chama logo a atenção, rodeado por plantas de diversas formas e cores.  A natureza ali pulsa pelas ornamentações que vão de acerolas às amoreiras, todas elas contidas em um jardim em que o verde se confunde com o marrom da madeira. Verdadeiras obras de serralheria, produzidas no próprio local, engrandecem o pátio da casa; círculos, curvas e cantos distorcidos estão presentes nas portas, janelas, paredes e no próprio piso do local, todos remetendo a um ambiente direcionado pela Art Nouveau, movimento artístico que entre outras características valoriza o trabalho artesanal e o escapismo à natureza. Assim é o Centro Cultural Rio Verde, que surge como inovação para um público que busca programações mais notadamente culturais na Vila.

Arte da mistura

Entre uma mesa e outra, localizadas no próprio jardim, as pessoas envolvidas em conversas variadas saem do seu círculo de amigos para dividirem experiências coletivas com desconhecidos. “Com licença minha senhora, vou-lhe contar uma história bem popular”, assim começa uma peça de teatro com temática nordestina, e os atores cantam e representam, envolvendo e buscando a participação do público. O palco improvisado transforma-se no sertão e, entre risos e olhos marejados, o grupo de teatro de Araraquara conta a saga de três Marias lavadeiras, que sofrem as mazelas da pobreza de uma vida endurecida pela seca. Aplausos ao final da apresentação, ocorrida no último 11 de abril. Logo mais, os atores, sem nem ao menos tirar as vestes de suas personagens, voltam ao jardim e bebem cerveja, café, ou vinho servido em copos, com a plateia de outrora.

Num ambiente fechado, quando se entra mais na casa, gritos de um rock esganiçado e com letras poéticas saem pelas janelas. O Centro Cultural Rio Verde recebeu o Festival Fora do Eixo, em que bandas independentes de diversos cantos do Brasil têm a oportunidade de apresentar seu repertório. Nesse dia, a banda mineira Porcas Borboletas trouxe seu público marcadamente jovem ao local. Ao final do show, o Rio Verde ficou um pouco mais vazio, enquanto que poucos minutos depois, outras pessoas foram chegando e se acomodando pelos sofás e cadeiras, sendo que estas aparentavam mais maturidade e conversavam basicamente sobre Arte.

Logo mais teria outra apresentação. O clima do rock e tênis all star transfigura-se em sandálias rasteiras e roupas mais leves de quem foi ao local para ouvir e dançar ao som de música afro-brasileira. O grupo Batucadança tocaria os ritmos oriundos da mistura da percussão africana com uma batucada mais brasileira. Enquanto não começava o show, três senhoras vestidas de baianas vendiam, em uma barraca montada, comidas típicas do nordeste. O cheirinho do escondidinho e das cocadas inebriava o jardim e a sensação de boa mesa satisfazia os arredores.

Thalita Gava, produtora musical do Batucadança, comenta como surgiu a ideia de montar um grupo de música popular afro brasileiro. Ela explica que a maioria dos componentes são pernambucanos e, através da percussão, acrescentam as cordas da viola e do violão, para as composições das canções. “A finalidade é valorizar a cultura brasileira. Por isso agregamos à música a dança e a culinária, características da influência negra no Brasil”, revela Thalita. Ela também afirma que o Centro Cultural Rio Verde foi o primeiro espaço que deu oportunidade ao grupo de fazer essa miscelânea de apresentações. “A mentalidade de quem coordena o Centro é muito ampla, principalmente na valorização de novos artistas. A relação é feita diretamente, sem muita burocracia e somos muito bem tratados aqui”, enfatiza.

José Chidassicua, 28, moçambicano de Beira, visitou pela primeira vez o Centro Cultural Rio Verde e disse ter gostado do local. “O ambiente é muito agradável, sinto-me saindo um pouco da metrópole e sentindo mais calmaria aqui dentro, além do que a apresentação do Batucadança foi interessante, consegui me divertir bastante”, diz. Mas a casa é também formada por frequentadores assíduos. Ana Paula Fedickzo, 29, costuma ir ao Centro mesmo sem saber a programação. “É um lugar especial, um ambiente relaxante. Além de tudo, confio no gosto da casa, as apresentações sempre valem a pena”, disse a produtora de eventos.

Contemplação

Ao final da apresentação do Batucadança, o público volta ao jardim com os rostos vermelhos e suados de quem dançou e cantou com a mesma empolgação da banda. Fazendo parte dele, a própria coordenadora artística do local, Cristina Vassimon, 45, assistiu à apresentação e, entre um cumprimento e outro a conhecidos, encaminha-se a outro ambiente, mais no interior da casa. Sentada num banco, ao lado de uma pequena lona de circo montada, o clima é mais agradável, devido à grande quantidade de plantas ao redor. À porta que separa este lugar do interior da residência, encontra-se uma estante com vários livros em desordem; é a biblioteca do Rio Verde, aberta ao público.

Cristina começou desde cedo a tocar contrabaixo. Essa formação musical, segundo ela, ajuda a compreender as dificuldades que os artistas passam para conseguirem sobreviver através de seus trabalhos. A proposta do Centro Cultural Rio Verde é a de um lugar direcionado pela interdisciplinaridade, com apresentações variadas pelo universo da Arte, para que o artista troque experiências e consiga a oportunidade de mostrar o que faz.

O próprio nome do lugar refere-se à história do bairro. Cortada antigamente pelo córrego Rio Verde, a Vila Madalena era antes chamada do sítio com o mesmo nome do ribeirão. Daí surge o nome do Centro Cultural, como homenagem à região. De acordo com Cristina, a criação do espaço Rio Verde vai de encontro ao que é comumente ofertado pelo bairro — o que ela chama de música como entretenimento — e oferece programações mais pautadas pela cultura.

“Aqui é uma verdadeira incubadora de talentos”, conta Cristina sobre a característica do Rio Verde de apresentar novos artistas e também os já reconhecidos, mas que estão com trabalhos novos e normalmente diferentes do que faziam antes. “Buscamos aquilo que está em processo, não o que já está consolidado”, diz a coordenadora sobre como são feitas as escolhas das programações.

Segundo a coordenadora, o Centro Cultural Rio Verde foi construído como um local para contemplação, para que os artistas se sintam a vontade e deixem suas veias criativas prontas para pensarem e mostrarem seus trabalhos ao público de maneira livre, sem freios às liberdades de expressão. Assim, essas novas figuras do cenário musical têm a chance de tornarem seus trabalhos conhecidos, enquanto a cidade também ganha com novos ritmos, gostos e sons que contribuem para o crescimento e consolidação do que temos de mais precioso: a cultura. Seja ela genuinamente brasileira ou de lugares distantes.

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