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Você conhece o Cambuci?

Por Priscila Pires

Há duas semanas, no “Fantástico” (TV Globo), o bairro do Cambuci, localizado na zona central de São Paulo, foi tema do quadro “Repórter Por Um Dia”. Confira:

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Apertando o botão da emoção para fazer vídeos

Oficina de videocelular ensina técnica para fazer uma gravação atraente

Por Nathan Lopes

A emoção é o elemento mais importante para poder contar histórias que chamem a atenção do público. Esta é a opinião de Alberto Tognazzi, produtor audiovisual espanhol e diretor do Móvil Film Fest. Ele, junto do músico e roteirista conterrâneo Miguel Angel Blanca, ministrou uma oficina de videocelular, em agosto, no Centro Cultural da Juventude (CCJ), em São Paulo. O evento foi promovido por outro centro cultural, o da Espanha (CCE).

Os participantes da oficina juntos do professor Miguel A. Blanca (de barba, à direita)

Os participantes da oficina juntos do professor Miguel A. Blanca (de barba, à direita)

O objetivo era trabalhar o roteiro de um videoclipe, além de fazer a gravação e edição do mesmo. Tudo isso utilizando apenas um telefone móvel, que, para Tognazzi, não é a principal parte do processo. “O mais importante não é tanto a tecnologia nos celulares, que é muito fácil; é um botão. Aperta e já grava. O mais difícil é pensar ideias que sejam interessantes tanto para o celular quanto para o conteúdo audiovisual em geral”.

Neste momento, além da emoção, é importante pensar no roteiro, que possui uma técnica, ensinada por Angel Blanca. “Nós aqui na oficina estamos defendendo que o que queremos fazer é uma película curta, com um personagem apresentando um objetivo”.

Para colocar o aprendizado em prática, era necessária uma canção e ela veio de um dos participantes: Otávio Pereira, estudante de 16 anos. “Perto de mim” foi escrita sobre uma paixão que ele teve na escola e trazia exatamente o que os professores queriam: emoção e um personagem. O resultado do trabalho de Ayrton Costa, Diogo Silva, Joana Santos, Marcos Oliveira, Wellington Rockers e Lucas de Toledo aparece neste vídeo, que eles fizeram após seis aulas.

E se, depois de assistir a esse clipe, você achar que não tem capacidade para fazer algo parecido, Tognazzi tem um recado. “Criatividade se exercita. Se você tem vontade de contar histórias, e experimenta, tenta fazer isso, pode contar histórias muito divertidas com a prática”.

Se apareceu a curiosidade sobre como eles realizaram o videoclipe, veja o processo de produção de “Perto de mim” neste domingo, à 0h, no “Edição Extra”, transmitido pela TV Gazeta, de São Paulo. A canção, aliás, pode ser o primeiro sucesso a aparecer em um programa dominical sem ser o do Faustão ou do Gugu. Ah, vai dizer que você não ficou cantando? Duvido. “Será/ Que vai dar/ Pra ficar…”

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VÍDEO: Jornalismo como profissão e ideologia na carreira de Markun

Por Nathan Lopes

Há cerca de um mês, coloquei aqui no EspelhoSP trechos da entrevista que fiz com o jornalista Paulo Markun para o programa “Edição Extra”, da Faculdade Cásper Líbero/TV Gazeta. Hoje, aproveito para deixar o vídeo com a conversa sobre sua carreira e os caminhos que ela tomou.

A edição e a produção da matéria foram feitas pela Letícia Gonçalves, monitora do programa.

Aproveite e conheça também um pouco mais da história de quem será o mediador dos debates eleitorais da Gazeta em parceria com o jornal “O Estado de S. Paulo”. Dia 24 estarão reunidos os candidatos ao governo de São Paulo. Já no dia 8 será a vez dos à presidência. Para terminar – e ainda a confirmar -, dia 14 acontece o encontro dos concorrentes ao Senado por São Paulo.

Confira o texto com trechos da entrevista de Markun aqui.

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Diga a Buñuel que tem mais coisas em São Paulo

Apresentador estrangeiro mostra ao público apenas os aspectos negativos da cidade através de generalizações

Por Nathan Lopes

Um ringue de boxe dentro de uma igreja repleta de jovens, a ação de pichadores, a indústria da blindagem de automóveis e a Marcha para Jesus foram as características de São Paulo levantadas pelo programa “Zonas de Guerra”, exibido no último domingo pelo National Geographic.

O título original da atração é bem diferente: “Don’t tell my mother that I am in…”, cuja tradução seria “Não diga a minha mãe que estou em…”. Nesta edição, não era para dizer a ela que David Buñuel estava em São Paulo.

Na abertura do programa, Buñuel lê um texto que está reproduzido na íntegra no site do canal. Ele diz:

Com cerca de 20 milhões de habitantes, São Paulo, no Brasil, é a maior cidade do hemisfério sul e se caracteriza pela contradição. Nela, a cidade mais rica da América Latina, os ricos empresários voam de helicóptero para o trabalho e seus filhos adolescentes saem para ir ao shopping center em seus carros blindados enquanto dois terços da população vivem em residências irregulares e improvisadas, as chamadas favelas, repletas de corrupção e violência.

Ele pode não ter dito mentiras, mas generalizou a cidade em terços. Um rico e dois pobres. Aliás, as condições de vida destes parecem ter sido exageradas negativamente, além da própria quantidade de pessoas em tal situação. São Paulo não tem quase 70% de residentes em favelas; além do mais, o restante dos moradores não vai trabalhar de helicóptero, como dão a entender essas porcentagens para o telespectador. Simplesmente se ignorou a enorme classe média da cidade, a qual não é uma coisa nem outra. Essa classe é tão grande que se pode dividi-la em três: média-baixa, média-média e média-alta. São Paulo se caracteriza pela contradição, sim, mas ela não é tão díspar, como foi colocado por Buñuel.

Para ilustrar a cidade que descreveu, o apresentador foi à igreja do boxe, que fica em uma região pobre. Ele queria mostrar o programa dos jovens paulistanos em um sábado à noite, dando a entender que este era o único. Faltou dizer que se trata apenas de um dos muitos a se fazer por São Paulo.

A igreja é a Renascer, a mesma que promove a Marcha para Jesus. Talvez ele tenha descoberto o movimento nessa visita e aproveitou a manifestação na Avenida Tiradentes para mostrar a quantidade de pessoas que tem seguido a religião evangélica em São Paulo para mostrar a cara de sua sociedade. O ponto positivo é que Buñuel não deixou de lado o imbróglio dos pastores Hernandes com a justiça estadunidense, fato que também dá base para reflexões por parte do telespectador.

Mostrar as empresas de blindagem de veículos seria algo trivial não fosse seu achado em um túnel paulistano. Há um jovem que, à noite, faz “pichações” nas grades amarelas das vias subterrâneas. As aspas são justificadas. Com um pano na mão, ele faz desenhos com a poluição impregnada no ferro. Sua intenção é chamar a atenção de quem passa por ali, já que estes estão no conforto de seus carros, protegidos pela blindagem e, na opinião dele, não dão atenção ao que acontece na cidade, ao mundo exterior. Uma ótima surpresa que o “Zonas de Guerra” trouxe.

Porém, não foi só. Buñuel encontrou o local de reunião dos pichadores em São Paulo. Lá, eles exibem seus traços, fotos de suas pichações para marcar o seu nome na comunidade. Ele seguiu uma dupla de vândalos que iriam agir. Caminhando, eles escolheram o alvo: um prédio na Avenida Rio Branco, próximo à parada de ônibus Caio Prado. Perguntados sobre o que achariam se a casa deles fosse pichada, argumentaram que o espaço é privado da porta para dentro; da porta para fora era público. E que se todas as paredes de São Paulo estivessem pichadas, eles pegariam suas malas e sairiam à procura de mais paredes. A pergunta que fica é: se Buñuel encontrou o ponto de encontro dos pichadores, por que a polícia não faz nada?

O problema do “Zonas de Guerra”, ou “Não diga a minha mãe que estou em…”, começa no título. Por ele, já se supõe que há muita violência na cidade-tema daquela edição. E, na busca por confirmar a tese, buscam-se apenas os aspectos negativos do município. São Paulo realmente tem os problemas abordados, mas possui muitos pontos positivos, os quais passaram bem longe da atração de Buñuel. A questão é que muitos construirão a imagem da maior cidade do país através do “Zonas de Guerra” e decidirão nunca colocar os pés por aqui. Desse jeito, é bom mesmo não dizer à mãe que se está em São Paulo.

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O Jornalismo como profissão e ideologia na carreira de Paulo Markun

Por Nathan Lopes

Ele está beirando os 40 anos de profissão e em 2010 trocou uma emissora de televisão quarentona por outra. Não por vontade própria, mas por jogo político. Paulo Markun deixou, no primeiro semestre, a presidência da Fundação Padre Anchieta, mantenedora da TV Cultura, pelo cargo de comentarista da TV Gazeta.

Ao longo dessas quatro décadas, Markun vivenciou a ditadura, a perda do amigo Vladimir Herzog, a mudança da mídia impressa para a televisiva que o destino impôs, entre tantos outros fatos que contribuíram para a solidificação de sua carreira.

Paulo Markun possui uma identificação com marcas de São Paulo. Na cidade, está a TV Cultura, na qual, além de presidir, comandou o programa de entrevistas de maior prestígio da televisão, o “Roda Viva”. Aqui também está a Gazeta, canal no qual trabalha pela terceira vez. Agora, com uma missão diferente das anteriores: mediar os debates políticos que serão promovidos nos próximos meses.

São Paulo também está marcada na vida de Markun. Foi aqui que ele foi preso e torturado durante o regime militar, que começou no Jornalismo, que viveu com sua família. Momentos importantes de sua trajetória.

Abaixo, seguem alguns trechos da entrevista que ele concedeu para o programa “Edição Extra”, da TV Gazeta/Faculdade Cásper Líbero. Ele exibe a matéria completa neste domingo, à 0h. 

Chegada à profissão

No teste vocacional que fiz quando eu tinha 15 anos me foram oferecidas três alternativas. A primeira era História, depois Letras e, finalmente, a orientadora disse: “Olha, tem uma nova faculdade aí, que é a Escola de Comunicações e que parece bastante interessante ao seu perfil porque ela tem uma variedade de alternativas”. Ou seja, não me foi oferecida ou sugerida a atuação na área do Jornalismo.

Acabei indo para o cursinho de História e dali acabei pulando para a Comunicação. Ao entrar na Comunicação, naquele ano – já se passaram três em relação ao teste vocacional – você tinha de fazer uma escolha imediata, em qual curso você ia fazer e aí eu escolhi o jornalismo.

Primeiro estágio

Eu era um estagiário [no Diário do Comércio e Indústria] e havia duas pessoas para uma única vaga. E o meu chefe de reportagem na época, que acabou ficando meu amigo, depois de um mês de teste, falou: “Olha, eu vou ficar com o outro rapaz porque você precisa aprender muito, não é a sua praia”. Para quem tinha 18 anos e queria arrumar o primeiro emprego, essa foi uma coisa frustrante evidentemente.

“Acho que o mais prazeroso pra mim é ou contar uma história bem contada ou às vezes apurar e investigar um assunto que passou ao largo dos temas”

Técnicas do Jornalismo

A gente vai aprendendo ao longo da vida. Eu te digo o seguinte: não foi na faculdade que eu aprendi. Quando você tem 18 anos e vai para a redação, como era a redação da época, grandes profissionais e todos eles formados no dia a dia, na realidade, na reportagem, fazendo reportagem de polícia, indo cobrir presunto não sei aonde e tal, essa era uma experiência muito forte. E eu passei os primeiros três anos desses 39 coincidentes com a faculdade, mas os outros 34, 35 só na atividade profissional. Então, eu diria que aprendi foi na atividade profissional

Ida para a televisão

Eu só decidi fazer televisão quando perdi o emprego. Fui demitido do jornal “O Globo”, no Rio de Janeiro. Tava no Rio de Janeiro, não em São Paulo, e não tinha outro emprego pra disputar a não ser a televisão. Então fiz um teste, fiquei um ano trabalhando no “Fantástico”, sem aparecer diante das telas, nunca fazendo uma reportagem como protagonista. E aprendi muito nesse período.

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Reprodução da internet

Mediação X Entrevista

São coisas diferentes. Eu acho que são técnicas diferentes. É uma interação que te obriga a interferir somente quando a coisa não caminha bem. Ou porque as perguntas não estão bem colocadas ou porque elas estão redundantes ou porque faltou perguntar alguma coisa. E, ao mesmo tempo, distribuir a bola, ser um jogador de meio-de-campo. No caso da entrevista, você está no ataque. Então, embora eu não me imagine como um entrevistador agressivo, desses que vá chutar o balde o tempo todo, mas é diferente. Então eu acho que a entrevista, ela é mais desafiadora. Na mediação, você pode estar num dia mais ou menos e a mediação passar.

“Talvez eu seja mais feliz hoje fazendo televisão de frente para as câmeras do que do tempo em que eu virei executivo atrás das câmeras”

A profissão

Bom, acho que a profissão representa, antes de mais nada, um jeito honesto de ganhar a vida. Essa é a primeira coisa. A segunda coisa, eu acho que é ou você tem a curiosidade, o interesse pelos fatos, pelo que acontece ou não vale a pena ser jornalista. E isso tem que prevalecer sobre compromissos de horário, agenda, final de semana – durante muitos anos eu não tive isso. Se a gente puder contribuir para que essa informação circule, para que esteja correta, e que seja a mais democrática possível, acho que já estamos fazendo o serviço pelo qual nós somos pagos.

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Reprodução

Consequências na vida da morte de Vladimir Herzog

A morte do Vlado, em certo sentido, me levou a encarar a profissão de uma forma mais profissional. Até então, ela estava muito misturada com a ação política e a partir daí parou. Na minha vida pessoal, o que mudou foi a convicção que a sociedade e o mundo não mudam pela vontade de meia dúzia de gatos pingados, sejam esses gatos quais forem. Sejam eles os mais sonhadores e heróicos, e valentes, e desprendidos da história. Eu acho que o processo de mudança na sociedade demanda uma participação conjunta e, portanto, demora mais. 

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O novo no que é novo

O carioca Felipe Absalão ganha fama no stand-up, o gênero humorístico que mais tem conquistado nos últimos anos  

Por Nathan Lopes 

Um dos jovens humoristas do país, Felipe Absalão tem se destacado no stand-up. Foi este gênero humorístico que o levou à televisão. Ele ficou conhecido do grande público ao aparecer no quadro “Pistolão”, do “Domingão do Faustão”, no qual um famoso apresentava uma atração de que havia gostado para o Brasil inteiro. Sua pistoleira era a atriz Márcia Cabrita. Por causa dela, a imitação de Antônio Fagundes deixou de ser vista por centenas para chegar a milhões. Esta virou sua marca, assim como as de Selton Mello e Alexandre Frota. 

Mas ele tem mais a mostrar. São suas observações do cotidiano, típicas da comédia que precisa apenas de um microfone e, claro, um humorista. “Celular de novela: aquilo lá pega até no oceano”, foi uma de suas tiradas. Elas lhe proporcionaram vários convites para apresentar-se em palcos de stand-up em São Paulo, como o “Comédia Ao Vivo”.   

Nesta entrevista ao EspelhoSP, Absalão faz uma análise do gênero stand-up, que, segundo ele, tem um grande motivo para ter dado certo no Brasil.  “Qualquer lugar que tenha um microfone e um foco de luz está apto a receber um show de stand-up. Se tornou um grande negócio”, comentou o humorista. Claro que esse cenário de nada serviria sem a criatividade dos comediantes. E a de Felipe Absalão o coloca como um dos novos nomes do gênero que só tem crescido no país. 

 

– O que o stand-up tem que os outros estilos humorísticos não tem? 

O estilo. No stand-up existem “regras” que devem ser respeitadas. Por exemplo: cada um escreve o seu texto, não pode usar piadas conhecidas, como as de português, de papagaio, não pode usar trilha sonora, cenário, personagem, iluminação especial… Nada! É apenas o ator, seu texto e um microfone. 

 

– Qual é a vantagem dele?
A vantagem é que, por não ter cenários, iluminação e outros recursos, se torna um show “fácil” de montar, pois não exige investimentos e nem depende de patrocínio. Qualquer lugar que tenha um microfone e um foco de luz está apto a receber um show de stand-up. As empresas também saem ganhando ao contratar este tipo de show porque ele não exige uma preparação inicial. Se tornou um grande negócio.
 

– O stand-up, então, pode ser considerado um gênero teatral?
Claro que sim. Embora seja um estilo mais coloquial – como um bate papo com a plateia -, existe um texto e uma interpretação dele. Além de estar em cartaz em teatros.
 

 

– Você e seus colegas têm conseguido lotar teatros, algo que atores consagrados há muito tempo não vinham. Há algum preconceito no meio artístico por causa disso?
Não, pelo contrário. Eles vêm assistir ao show, gostam e voltam. Muitos têm conversado comigo querendo experimentar o estilo. Eu dou a maior força. O Bemvindo Siqueira, por exemplo, tem se apresentado comigo e hoje é um grande amigo. Eu sempre tive um retorno muito carinhoso de todos que prestigiaram meu trabalho.
 

– Qual é a diferença de um show de stand-up em São Paulo e de um no Rio de Janeiro? É o tipo de piada, o tempo da piada? Ou o público pede basicamente a mesma coisa?
A diferença vem dos atores. Cada um impõe seu estilo e sua linha de textos. Como o stand-up fala sobre o cotidiano, provavelmente vamos ver muitas piadas regionais. Rio de Janeiro com as praias e São Paulo com o trânsito, por exemplo. O ideal é sempre o ator buscar adaptar seu texto quando vai se apresentar em outras cidades. O público é o mesmo em qualquer lugar, ele quer rir, o riso é universal. Se não rirem pode ter certeza de que a culpa é do ator e não da platéia. O público sempre busca um show de humor para rir.
 

– O stand-up é um gênero mais masculino do que feminino em relação aos humoristas? E em relação ao público?
Não. Como ele fala do cotidiano, mulheres são sempre bem vindas. O que presenciamos é uma quantidade muito pequena de mulheres experimentando o stand-up. Deveria ter muito mais. Por isso, o estilo é naturalmente masculinizado. Eu sempre gosto quando tem mulheres dividindo o palco comigo. Assim, se tem uma visão do universo delas.
 

– Em entrevista ao “EspelhoSP”, a atriz Fabiana Karla disse que não gosta muito de stand-up pela quantidade de palavrões que é dita. Essa é uma característica do estilo ou é o público que pede por isso?
Palavrão não é uma característica do stand-up, mas faz parte. Ela pode ter assistido a um show com um ator que falou muitos palavrões. Tem plateias que gostam e outras que não. O ideal é o ator ter um bom número de textos e, ao perceber a linha que o público está gostando mais, seguir por ela.
 

– Por que demorou para o gênero chegar aqui? Afinal, nos Estados Unidos, ele é consagrado há décadas.
A demora foi apenas por questões culturais. No Brasil, estávamos acostumados com um outro tipo de show. Foi a chegada do seriado Seinfeld que alavancou o gênero por aqui. Seinfeld foi um grande divisor de águas no stand-up brasileiro.
 

– Você tem visto alguma transformação no stand-up brasileiro nos últimos anos?
Não transformação porque está muito recente por aqui. O que vejo é um crescimento de público e de atores.
 

– Apresentar-se sem ter um personagem: isso é uma vantagem ou uma desvantagem?
Não vejo como desvantagem e sim como um desafio. Se não gostarem de um personagem, não gostaram do personagem. Se não gostarem de você, não gostaram de você. É mais desafiador entrar com a “cara limpa”.

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Porta fechada

Por Nathan Lopes

Nem sempre é um problema mecânico que, por exemplo, faz as portas de um trem da CPTM não abrirem. O “SPTV 2ª edição” da última sexta-feira [veja aqui] mostrou o que estava acontecendo há duas semanas na estação Guaianazes. Quando a composição chegava na plataforma, quem estava dentro não conseguia sair por uma determinada porta; e quem estava fora, entrar. Dois jovens bloqueavam o mecanismo de abertura com uma ferramenta para evitar que o vagão ficasse lotado. Segundo reportagem de Carla Modena e Marcos Politi, a dupla só permitia a abertura das portas no Brás, cinco estações depois. Eles foram levados para a delegacia e poderão responder por crime contra o patrimônio público apenas se for comprovado pela perícia algum dano no trem.

A ferramenta que bloqueava a porta do vagão (Reprodução - TV Globo)

Se observarmos a atitude deles apenas do ponto de vista da ética e da moral dentro de uma sociedade, não resta dúvida de que ela está errada. Mas podemos tentar compreendê-la através do dia a dia deles, no qual vagões estão sempre lotados, a viagem até o destino demora. Enfim, tudo que contribui para ficarem estressados logo pela manhã, quando praticavam tal ação. Talvez por não suportarem ver essa cena diariamente, tenham decidido impedir a abertura das portas. E talvez por gostarem disso, os passageiros de dentro de vagão, que sabiam da razão do problema, não tenham falado nada por quinze dias. Com a ação da dupla, eles obtinham algo pelo qual ansiavam: conforto.

Nós podemos não travar portas, mas também temos o mesmo objetivo quando descemos na estação Ana Rosa ao invés da Paraíso, quando esperamos o ônibus das 20h30, mais vazio (ou menos cheio, depende de como se vê a questão) que o das 20h. De certa forma, contornamos o problema na medida do possível. O que os dois fizeram também foi um contorno, mas um prejudicial a outras pessoas.

Não defendo o que foi feito por eles. Defendo o objetivo que eles tinham. Ter transporte público mais confortável é um direito nosso. Se o trem da CPTM fosse mais rápido, se houvesse mais composições, eles não fariam isso. Não estariam atuando como sardinha dentro dos vagões e pensando, ao mesmo tempo, em uma solução, a qual foi bloquear as portas com uma ferramenta. Do contrário, poderiam viajar tranquilamente, ouvindo música, conversando, lendo um livro. Arrumando o transporte, a única preocupação será chegar ao destino. Nada sobre como melhorar, com as próprias mãos, o que acontece no trajeto até lá.

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