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AíPod ligado

Por Raphael Scire

Já pensou em escutar músicas de João Gilberto e Lady Gaga em uma mesma apresentação? Pois em “AíPod” isso é possível. Difícil de definir esse show com teatro, ou teatro com show estrelado por Simone Gutierrez e Eduardo Berton, quem também assina a direção e o texto. Após o sucesso como Lurdinha, a secretária muda de “Passione”, novela que acabou no início do mês, Simone volta aos palcos de São Paulo em curta temporada e solta o vozeirão junto com o colega.

Simone Gutierrez e Eduardo Berton

O lado cantora da atriz não é novidade para ninguém – no ano passado, ela protagonizou o musical “Hairspray” – mas ela surpreende a dar um toque diferenciado a clássicos do pop, como a melancólica “Don´t Speak”, do No Doubt. De volta ao espetáculo: “AíPod” trata de uma rádio comandada por dois locutores, a irritada Rita Londres e o alegre Paulinho Correia. As referências ao locutor Eli Correia não ficam apenas no sobrenome. O jeito de falar é quase o mesmo entre o personagem e o locutor real.

Rita e Paulinho trocam farpas ao longo da apresentação. A ideia de adaptar um programa de rádio para os palcos dá combustível à peça. Na hora de tocar os hits da Rádio Rádio, “cento e tantos vírgula um”, Simone e Berton deixam de lado os atores e assumem os cantores que existem dentro deles. A Banda AíPod, formada por 5 músicos, dá o apoio essencial à dupla. Outra sacada genial são as vinhetas da programação, que “entram no ar” enquanto os dois se trocam no palco.

A utilização de telões em que são exibidos clipes e hilários vídeos caseiros feitos por Simone e Berton é uma maneira acertada de ocupar o exíguo espaço cênico, uma vez que a banda ocupa boa parte do tablado. Além disso, duas pequenas câmeras são instaladas no palco, possibilitando ao espectador mais uma forma de assistir ao espetáculo.

“AíPod” está em cartaz no teatro Nair Bello todas as quartas e quintas de fevereiro, às 21h00. Os ingressos custam R$50,00.

Endereço: Rua Frei Caneca, 569  – Tel.:(11)  3472-2414 – Bilheteria: das 14h00 às 21h30 de terça a sábado, e das 14h30 às 19h00 aos domingos.

** O EspelhoSP acompanhou o ensaio aberto da peça a convite da Assessoria Morente Forte

Leia Mais:
A sorte de Simone Gutierrez estava na capital

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A Broadway é aqui em São Paulo

Por Nathália Soriano

Foram inúmeras produções, desde as mais grandiosas e conhecidas até as mais simples. Se é que algo pode ser chamado de simples quando o assunto são os musicais.

Em 2010, a cidade de São Paulo recebeu muitas atrações desse tipo e chegou, até mesmo, a ter nove delas em cartaz ao mesmo tempo. Desde as megaproduções Cats e Mamma Mia!, passando pela polêmica O Despertar da Primavera, e pelo infantil O Soldadinho e a Bailarina, até produções menos conhecidas como Emoções Baratas; pode-se, até incluir nessa lista, peças que são consideradas o “mico do ano”, como foi Zorro, o musical.

Mas deixando de lado qualidade – e, também nesse caso, quantidade –  os musicais vieram pra ficar. E São Paulo é prova disso. Eles chegaram com força aqui no começo da década, mais precisamente em 2001 com Les Misérables. Também já passaram por aqui O Fantasma da Ópera, Chicago e A Bela e a Fera.

Não se pode falar em musical sem mencionar seus atores/cantores. Totia Meireles se consagrou em Gypsy; além dela outros começam a demarcar seu espaço no gênero: Kiara Sasso, Saulo Vasconcelos e Nando Prado já participaram de várias e grandes produções, como O Fantasma da Ópera, Jekyll & Hyde e A Bela e a Fera.

O público vem aumentando e o ano de 2010 pode ser considerado um dos melhores – se não o melhor – para esse gênero teatral. Aliás A Gaiola das Loucas e Mamma Mia! fecharam o ano inda em cartaz; e 2011 promete, pois, além dessas peças que voltam no início do ano, já estão certas Evita, As Bruxas de Eastwick e New York, New York.

Definitivamente o mercado de teatro musical vem se expandindo; há público e gente disposta a fazer São Paulo uma filial da Broadway no Brasil.

Alguns musicais que ficaram em cartaz em 2010

Cats
Mamma Mia
A Gaiola das Loucas
Jekyll & Hyde — O Médico e o Monstro
Avenida Q
O Rei e eu
Hairspray
Gypsy
O Despertar da Primavera
Aladdin
“Bixiga – Um Musical na Contramão”
Into The Woods (Era uma vez)
“Zorro, o musical”
Besouro Cordão de Ouro
Ado(ni)rando
Lamartine Babo
Os Boêmios de Adoniran
É com esse que eu vou
Pororoca
Soldadinho e a Bailarina.
Emoções Baratas


Fonte: http://www.musicaisbr.com/

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Maria Fernanda Cândido está no teatro em 2011

Perfil paulista
Por Raphael Scire

O início da Casa do Saber – instituição que realiza cursos e palestras sobre variados temas, como filosofia, história e atualidades – deu-se a partir de reuniões que um grupo de amigos fazia em 2003. Entre os presentes nesses encontros, estava a atriz Maria Fernanda Cândido, uma das atuais sócias. Para ela – curitibana, mas paulistana desde os 12 anos -, a inauguração do espaço de cultura, hoje com unidades em São Paulo e no Rio, foi uma iniciativa pioneira.

“Era uma experiência muito gostosa, mas, para tocar o negócio, fomos muito corajosos, pois não existia nenhuma referência.” Maria Fernanda recorda-se da dificuldade de explicar para as pessoas do que se tratava exatamente o novo espaço, o que era necessário, inclusive, na hora de trazer os professores para ministrarem as aulas. “Hoje, consolidamos um sistema de trabalho e uma imagem.”

Diz que sua função é trazer ideias para que a grade de cursos esteja sempre atual e renovada. Cada um dos sócios atua em uma área diferente, o que faz com que a programação seja a mais variada possível. A atriz revela que sua contribuição tende a ser mais na área artística. “A ideia de ter um anfiteatro foi minha, assim como a de fazer leituras teatrais.”

Terapeuta ocupacional formada, Maria Fernanda acredita que sua bagagem acadêmica contribui para sua vida profissional. “O terapeuta tem uma visão do todo: ser humano, vida, saúde.” Conta que é bastante ávida e interessada pelos cursos oferecidos na Casa do Saber, mas confessa que ultimamente não tem tido tempo para assistir a todos que gostaria. “Nos últimos anos, não consegui fazer nem um décimo do que gostaria, por conta do nascimento do meu último filho.”

Ler é uma de suas atividades favoritas, tanto que é frequentadora assídua de livrarias. E a poesia é uma das suas paixões. O primeiro autor que chamou a sua atenção foi o português Fernando Pessoa, depois o rol de escritores de sua preferência só foi aumentando. Hoje, cita também Edgar Allan Poe e João Cabral de Melo Neto.

Carreira artística. A atriz prepara-se para voltar aos palcos em 2011, com a peça O Demônio de Hannah, da qual comprou os direitos. Desde então, vem trabalhando na pré-produção do espetáculo. A ideia de montar a peça surgiu de um dos seus sócios na Casa do Saber, que assistiu à montagem e ligou para ela contando, entusiasmado.

Maria Fernanda encantou-se com a história da filósofa alemã Hannah Arendt, que teve um relacionamento com o também filósofo Martin Heidegger. “Muito mais do que a história de amor, há um embate ideológico, político e afetivo.” Refere-se à posição política assumida pelos dois personagens durante a Segunda Guerra Mundial: ele, filiado ao partido nazista; ela, judia que deixou a Alemanha para escapar das atrocidades de Hitler.

Paras as novela, porém, garante que ainda não é hora de retornar, por causa dos filhos pequenos. “É preciso uma disponibilidade de cerca de um ano.” Por isso, nos últimos anos, participou de projetos menores, como as minisséries Capitu, na qual atuou grávida, e Dalva e Herivelto, ambas na TV Globo.

Mãe de dois meninos, de 4 e 2 anos, Maria Fernanda concilia o trabalho artístico, a sociedade na Casa do Saber, os cuidados com a família e, de vez em quando, arruma tempo para ajudar no bistrô do marido, o chef Petrit Spahija – embora diga que só seleciona músicas e os artistas que expõem no restaurante. No dia a dia, define-se como uma pessoa marcada pela simplicidade. “Gosto de sossego, sou muito caseira. Minha família e meus filhos me fazem muito felizes.”

[Nota: este texto foi publicado originalmente no jornal “O Estado de S. Paulo”]

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A sorte de Simone Gutierrez estava na capital

Perfil paulista
Por Raphael Scire

Simone Gutierrez é uma artista completa: além de atuar, canta e dança. Bailarina clássica de formação, essa paulista de Ribeirão Preto sempre se entregou de corpo e alma a tudo o que se propôs fazer. Nos anos 2000, saiu da casa dos pais e veio tentar a sorte na capital. No começo, trabalhava na parte de eventos de um restaurante, onde pôde colocar em prática seus dotes artísticos, já que os garçons também eram cantores.

Ter uma formação completa, acredita Simone, é essencial para o trabalho de atriz, algo bastante requisitado em musicais. “Há uma cultura de musical em crescimento aqui no Brasil.” Lamenta, no entanto, que não haja escolas de interpretação que foquem nessa formação ampla. Ela mesmo nunca chegou a estudar canto. “Quando comecei a cantar, foi porque eu precisava. Eu tive a sorte de ser uma pessoa afinada, minha voz não tinha técnica nenhuma.” Simone credita aos musicais que participou o processo de aprimoramento do canto.

O primeiro papel que teve foi em “Hairspray”, montagem do ator e diretor Miguel Falabella para a peça da Broadway. Ela começou com o pé direito, já como a protagonista Tracy, uma garota baixinha e gordinha que tinha o sonho de se tornar estrela de um programa de televisão. “Antes, fiz outros musicais, mas apenas como coro”, conta. A participação em outros espetáculos do gênero lhe deu bagagem e experiência. “Aproveitei para aprender toda a técnica dos musicais, que é bem específica. Você, além de atuar, canta e dança.”

Simone, como qualquer outra atriz, teve de passar por uma bateria de testes, que duraram duas semanas, e deixou para trás 2 mil candidatos. Antes mesmo de saber se seria aprovada, tomou a decisão de engordar 20 quilos, apenas para os testes. “Logo eu, que sempre batalhei para ser magrinha!”

Com o papel garantido, entrou de cabeça no universo da personagem. De todas as Tracies encenadas nas montagens pelo mundo, a dela foi a mais baixinha – Simone tem 1,50 metro de altura –, a mais gordinha e a que mais dançava. Logo, chamou a atenção do coreógrafo americano que cuidava dos passos encenados na peça, bem como do público. “As pessoas saíam do espetáculo e me perguntavam: ‘Como!? Você é gordinha e faz tudo isso!'”, recorda. “A Tracy foi o divisor de águas da minha carreira.”

Televisão. Aos 34 anos, ela encara seu primeiro papel de destaque na TV, a secretária sem falas Lurdinha, na novela “Passione”, de Silvio de Abreu. Antes disso, porém, Simone já tinha atuado na televisão em papéis menores e sem tanto destaque, na novela juvenil “Malhação” e no humorístico “Zorra Total”. Tudo em função de sua atuação em Hairspray. “Na minha vida, eu fui tendo as oportunidades e fui abraçando. Nessa profissão, a gente conta um pouco com a sorte.”

O convite para encenar a secretária Lurdinha na novela partiu do próprio autor, que a viu no teatro estrelando o musical. A personagem foi criada especialmente para ela. “Quando assisti a Hairspray, lamentei não ter um personagem para ela”, revela Silvio de Abreu. Mas com o desenvolvimento dos capítulos, conta, ele percebeu que poderia criar algo especialmente para Simone.

Inicialmente, sempre que a personagem fosse falar, seria interrompida por alguém. Mas a Lurdinha de Simone foi conquistando o público de tal forma que já ganhou as primeiras falas. Ela, então, revelou-se uma verdadeira matraca, justificando o porquê de os outros personagens com quem contracena sempre a impedirem de abrir a boca. Ironicamente, revela que falar foi o mais difícil: “São textos enormes, que eu tenho de falar rápido, sem erros.”

Além disso, a ficção começa a imitar a realidade: a personagem já passou a fazer testes para participar de um musical, no qual poderá dançar e cantar. “Tomara que ela fique famosa e vá para a Broadway”, torce Simone

Modesta, a atriz acredita que o sucesso de Lurdinha é também por conta da equipe técnica da novela e de seus parceiros em cena, como Francisco Cuoco e Irene Ravache. “Se eu não estivesse cercada de pessoas tão talentosas, tão generosas, acho que a personagem não faria tanto sucesso”, opina.

Por conta das gravações, viu a sua rotina ser completamente alterada e, hoje, praticamente vive na ponte aérea Rio-São Paulo. O assédio do público também aumentou. Ao final desta entrevista, num shopping de São Paulo, uma garota chegou até a mesa com um guardanapo na mão e pediu um autógrafo a ela.

Prontamente, a atriz atendeu ao pedido da fã, de quem ouviu: “Fala para ela ficar com o Mimi, tá?” A moça fazia referência ao personagem de Marcelo Médici na trama, com quem Lurdinha começa a ter um relacionamento amoroso. Mas será que é isso que Simone quer para a sua personagem? “Ah, eu quero!”, revela, com um largo sorriso no rosto.

Passado e futuro. Nem tudo foram flores na carreira de Simone. Assim que chegou a São Paulo, ela deu duro para conseguir se estabelecer. “O primeiro ano foi o mais difícil, até eu conseguir um emprego e me sustentar.” Ela relembra com bom humor momentos que deixariam qualquer um desesperado, como o fato de ter dormido em uma casinha de cachorro.

Simone alugava um quarto na casa de uma senhora, mas um dia esqueceu a chave da porta e, quando chegou, ficou fora da casa. Para completar, chovia. Sem querer incomodar a proprietária, ela olhou ao redor e não viu mais nada, a não ser a morada do cão. Foi ali mesmo que dormiu.

Paralelamente à novela, Simone dedica-se à Rádio Banda iPod, da qual é a vocalista. Trata-se de um trabalho acústico, em que são tocadas músicas conhecidas, todas com releitura da própria banda. “Vai de Lady Gaga a Djavan”, conta. Além dos números musicais, a banda ensaia uma mistura de teatro stand-up, e Simone planeja a estreia do show para daqui a dois meses, assim que Passione chegar ao fim.

[NOTA: Texto originalmente publicado por Raphael Scire no jornal “O Estado de S. Paulo”]

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Escrita de paixão

Descansando de SP

Por Luma Pereira

Shakespeare Apaixonado é uma comédia romântica estadunidense de 1998, dirigida por John Madden. Ambientado no século XVI (1593), o filme conta a história de William Shakesperare (Joseph Fiennes), poeta e dramaturgo inglês que precisa escrever uma peça sobre um romance de fim trágico.

Porém, pressionado pelos patrocinadores do espetáculo e por si mesmo, o artista acaba encontrando problemas no processo criativo. Até que conhece Lady Viola De Lesseps (Gwyneth Paltrow), a qual se torna sua musa inspiradora, estimulando-o a escrever a famosa história de Romeu e Julieta.

Viola pertence a uma classe social privilegiada: a nobreza. Logo terá que se casar com Lorde Wessex (Colin Firth), para quem foi prometida. Porém, o sonho da jovem é ser atriz – algo proibido para as mulheres daquela época. Então, a fim de contornar os preconceitos, ela se disfarça de homem para poder atuar na peça de Shakespeare.

Juntos, ela e o dramaturgo ensaiam o espetáculo e acabam se apaixonando. Shakespeare conhece sua Julieta antes mesmo que ela seja escrita no papel. Apaixona-se tão intensamente por Viola, que vê naquele romance o amor sobre o qual gostaria de escrever. Assim, o protagonista se inspira e consegue continuar escrevendo o texto.

Quando a jovem atua para ele nos ensaios da peça, a realidade do rosto e dos gestos dela se confunde com a história ficcional que ele estava escrevendo. Assim, a cada toque e a cada palavra trocada entre ambos, Shakespeare se inspira e elabora uma nova passagem de Romeu e Julieta.

A princípio, o nome da peça seria Romeu e Ethel, a filha do pirata, mas logo o autor muda o título para Romeu e Julieta, como hoje é conhecida. É importante destacar que não se sabe se é verdade que o dramaturgo inglês tenha sido motivado por uma paixão própria para escrever a tragédia – Shakespeare Apaixonado é ficcional.

O filme venceu o Oscar de 1999 em sete categorias: melhor filme, melhor atriz (Gwyneth Paltrow), melhor atriz coadjuvante (Judi Dench), melhor direção de arte, melhor figurino, melhor trilha sonora de comédia/musical, melhor roteiro original. Shakespeare Apaixonado fez sucesso, pois abordou um tema do interesse da maioria das pessoas: o amor.

O protagonista empresta os próprios sentimentos verdadeiros para criar sua peça ficcional – a escrita é feita de paixão. Além de musa inspiradora, Viola se tornou, na película, uma personagem da vida real de William Shakespeare. Mais uma vez, a arte imitou a vida e fez de Viola não apenas a Julieta de Romeu, mas a amada do próprio dramaturgo inglês.

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A procura da boa alma

Por Nathália Soriano

As portas do teatro se abrem e o público começa a entrar. Em uma delas, Denise Fraga; na outra, Ary França. Eles entregam o programa da peça enquanto brincam e agradecem as pessoas por terem vindo.

Assim, o clima é montado. “O que vocês vão ver aqui hoje é uma comédia, ok?!”, avisa o ator Ary França continuando sua interação com o público.

O sinal toca. Os atores se dirigem ao palco. Sentam de costas para o público no que parece ser um camarim improvisado. Levantam-se segurando velas e as apagam após um grito em uníssono de “merda!”. Começa, então, A Alma Boa de Setsuan.

Escrita por Bertolt Brecht, a peça conta a história de quando Deus (Ary França) vai à cidade de Setsuan à procura de uma boa alma. Essa alma ele encontra na prostituta Chen Tê (Denise Fraga), após tê-lo hospedado em seu quarto. Antes de ir embora, Deus dá a Chen Tê mil moedas de ouro. Com isso, ela compra uma tabacaria e muda de vida. Porém, por nunca conseguir dizer não, Chen Tê logo perde o que tem e se endivida. É quando ela se disfarça de Chui Ta, seu primo que chegou a cidade para cuidar dos negócios, e que representa seu oposto.

A peça é dirigida por Marco Antônio Braz e já ganhou vários prêmios entre eles: o APCA de 2008 como melhor espetáculo e como melhor atriz para Denise Fraga. Prêmios estes mais do que merecidos.

Destaque para a atuação de Denise Fraga que mostra sua versatilidade ao interpretar Chen Tê e Chui Ta, na variação de voz, gestos e movimentos, para convencer, não o público, mas os outros personagens de que são duas pessoas diferentes.

Outro destaque na atuação é para Ary França em sua interpretação de Deus que consegue tirar boas risadas da platéia, principalmente com sua interação com o Espírito Santo – representado como uma ave meio tosca que ele leva em seu ombro.

O cenário e o figurino usados são relativamente simples. Quanto ao cenário, são os próprios atores que o movimentam e o montam. Isso confere à peça certa leveza, como se as diversas partes que constituem o cenário estivessem dançando. O figurino é igual para todos os atores, o que varia, na verdade, são os adereços – usados para representar os personagens – simples como um leque, um chapéu ou mesmo uma túnica.

O elenco praticamente não sai de cena. Usa o fundo do palco como camarim para se preparar para a próxima entrada. Contudo, os atores parecem estar confortáveis e muito entrosados, brincando entre eles – como quando um personagem puxa a barba falsa do outro – e chegando a, até mesmo, interagir com a platéia em alguns momentos.

O final do espetáculo pode decepcionar a alguns. Pelo menos àqueles que esperam um fim convencional. A peça não oferece respostas prontas aos questionamentos levantados ao longo da apresentação. No entanto, é a atriz Denise Fraga que finaliza com um texto falado por ela mesma, que só traz mais questões e leva o público, que a pouco ria da situação proposta, a pensar e refletir sobre qual seria o final para Chen Tê; ou melhor, para a contraditória natureza humana.

O espetáculo terá última e única apresentação no dia 22 de setembro às 21h no Teatro Sérgio Cardoso Sala Sérgio Cardoso (R. Rui Barbosa, 153 – Bela Vista | Telefone: 3288-0136). O ingresso é um pacote de fralda descartável, uma lata de leite em pó, um quilo de arroz ou um quilo de feijão.

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Poluição, teatro e distância em 140 caracteres

SP em 140 caracteres
Por Nathália Soriano

@MariArmellini

Estou num relacionamento à distância. Com alguém que mora aqui em São Paulo mesmo. #faltatempopratudo    
7:36 PM Sep 11th  via web

@DaniloGentili

São Paulo é aquela cidade que fez o Spectroman desistir da luta contra a poluição.    
4:09 PM Sep 14th  via ÜberTwitter 

  @edununes_

Ontem assisti ao espetáculo “Os boêmios de Adoniran”. Pra quem gosta de samba, de Adoniran, de SP e de arte. Emocionante.    
domingo, 12 de setembro de 2010 15:36:17  via web

@santoEvandro

Chegay em Sampa…minha mae dura, exigente, fascinante e inquieta!!!    
9:15 PM Sep 14th  via Twitter for BlackBerry® 

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