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A procura da boa alma

Por Nathália Soriano

As portas do teatro se abrem e o público começa a entrar. Em uma delas, Denise Fraga; na outra, Ary França. Eles entregam o programa da peça enquanto brincam e agradecem as pessoas por terem vindo.

Assim, o clima é montado. “O que vocês vão ver aqui hoje é uma comédia, ok?!”, avisa o ator Ary França continuando sua interação com o público.

O sinal toca. Os atores se dirigem ao palco. Sentam de costas para o público no que parece ser um camarim improvisado. Levantam-se segurando velas e as apagam após um grito em uníssono de “merda!”. Começa, então, A Alma Boa de Setsuan.

Escrita por Bertolt Brecht, a peça conta a história de quando Deus (Ary França) vai à cidade de Setsuan à procura de uma boa alma. Essa alma ele encontra na prostituta Chen Tê (Denise Fraga), após tê-lo hospedado em seu quarto. Antes de ir embora, Deus dá a Chen Tê mil moedas de ouro. Com isso, ela compra uma tabacaria e muda de vida. Porém, por nunca conseguir dizer não, Chen Tê logo perde o que tem e se endivida. É quando ela se disfarça de Chui Ta, seu primo que chegou a cidade para cuidar dos negócios, e que representa seu oposto.

A peça é dirigida por Marco Antônio Braz e já ganhou vários prêmios entre eles: o APCA de 2008 como melhor espetáculo e como melhor atriz para Denise Fraga. Prêmios estes mais do que merecidos.

Destaque para a atuação de Denise Fraga que mostra sua versatilidade ao interpretar Chen Tê e Chui Ta, na variação de voz, gestos e movimentos, para convencer, não o público, mas os outros personagens de que são duas pessoas diferentes.

Outro destaque na atuação é para Ary França em sua interpretação de Deus que consegue tirar boas risadas da platéia, principalmente com sua interação com o Espírito Santo – representado como uma ave meio tosca que ele leva em seu ombro.

O cenário e o figurino usados são relativamente simples. Quanto ao cenário, são os próprios atores que o movimentam e o montam. Isso confere à peça certa leveza, como se as diversas partes que constituem o cenário estivessem dançando. O figurino é igual para todos os atores, o que varia, na verdade, são os adereços – usados para representar os personagens – simples como um leque, um chapéu ou mesmo uma túnica.

O elenco praticamente não sai de cena. Usa o fundo do palco como camarim para se preparar para a próxima entrada. Contudo, os atores parecem estar confortáveis e muito entrosados, brincando entre eles – como quando um personagem puxa a barba falsa do outro – e chegando a, até mesmo, interagir com a platéia em alguns momentos.

O final do espetáculo pode decepcionar a alguns. Pelo menos àqueles que esperam um fim convencional. A peça não oferece respostas prontas aos questionamentos levantados ao longo da apresentação. No entanto, é a atriz Denise Fraga que finaliza com um texto falado por ela mesma, que só traz mais questões e leva o público, que a pouco ria da situação proposta, a pensar e refletir sobre qual seria o final para Chen Tê; ou melhor, para a contraditória natureza humana.

O espetáculo terá última e única apresentação no dia 22 de setembro às 21h no Teatro Sérgio Cardoso Sala Sérgio Cardoso (R. Rui Barbosa, 153 – Bela Vista | Telefone: 3288-0136). O ingresso é um pacote de fralda descartável, uma lata de leite em pó, um quilo de arroz ou um quilo de feijão.

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Sérgio Cardoso se dá musical de presente

Por Nathan Lopes

A região da Bela Vista é conhecida por ser o reduto, além de cantinas, dos teatros em São Paulo. Este ano, um dos principais comemora suas três décadas de funcionamento: o Teatro Sérgio Cardoso. Para a ocasião, seu palco recebe uma peça feita especialmente para ele e a região em que se localiza, “Bixiga – O Musical”.

A peça, escrita por Edu Salemi, Enéas Pereira e Ana Saggese, conta a história do bairro, também conhecido como Bexiga. Os personagens vão desde Adoniran Barbosa – aliás, a estátua do músico, interpretada por Eduardo Silva – até Francisco Capuano (vivido por Paulo Goulart Filho), dono de um dos restaurantes mais famosos e antigos da região, que ainda está em funcionamento, a Cantina Capuano, de 1907. Também estão no roteiro Dona Yayá (Wilma de Souza) e as tragédias de sua vida. Tudo isso, como o próprio título já mostra, apresentado através de canções, criadas por Nelson Ayres, Ruriá Duprat, Miguel Briamonte e Rodrigo Morte.

Reportagem do programa “Metrópolis” (TV Cultura) sobre a peça

“Bixiga – O Musical” tem direção de Mario Masseti, que coordenou o trabalho de 23 atores no espetáculo. A peça, como noventa minutos de duração, conta também com os músicos da Jazz Sinfônica, regida por João Mauricio Galindo. Em cartaz até 31 de outubro.

Reportagem do programa “Vitrine” (TV Cultura) sobre o musical

BIXIGA – O MUSICAL
Teatro Sérgio Cardoso – Sala Sérgio Cardoso (856 lugares)
Rua Rui Barbosa, 153 – Bela Vista
Sextas e sábados, 21 horas; domingos, 19 horas.
Ingresso: R$ 20,00
Telefone: (11) 3288 0136

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