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Ciclovias em estradas é tema de PL

Por Nathan Lopes

Os ciclistas paulistas poderão ter uma boa notícia caso o Projeto de Lei 725/2010, do deputado estadual Fausto Figueira (PT), seja aprovado. Sua ideia é de, nos trechos urbanos, as concessionárias de rodovias deverão construir ciclovias. A lei deverá valer para as concessões vigentes e as que venham a ser feitas.

Fisicamente, a ciclovia deverá ser separada das pistas de veículos. Além disso, ela precisará transpor obstáculos, como rios, lagos, ferrovias e acessos à estrada. Caso isto não seja possível, será tolerada a criação de uma ciclo-faixa, que será demarcada no acostamento.

O projeto também prevê um prazo de dois anos para adequações das concessionárias.

Conforme a justificativa que Fausto Figueira apresentou, “as ciclovias têm se apresentado como uma importante ferramenta para melhorar o trânsito das grandes métropoles”. O deputado notou uma tendência de alguns municípios de São Paulo em implantar redes cicloviárias. Mas quando se trata de ligação entre cidades, o problema aparece. “O que ocorre é que os sistemas rodoviários não preveem o uso desse transporte, prejudicando o ciclista ou o colocando em perigo”.

Ele acredita que esse seria “um esforço da sociedade para garantir alternativas de transporte mais ecológicas, saudáveis e econômicas e que contribua também para a segurança dos cidadãos paulistas”.

O projeto foi apresentado no dia 21 de setembro. E, desde o dia 29 de outubro, ele está nas comissões de Contituição e Justiça (CCJ), de Transportes e Comunicações (CTC), e de Finanças e Orçamento (CFO).

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Tietê: de rio a rodovia

Por Nathan Lopes

As obras de ampliação da Marginal Tietê revelam sua verdadeira identidade. Durante a noite, apenas se consegue enxergar pistas, placas e veículos por causa dos faróis de carros, motos, ônibus e caminhões. Se não fossem eles, o breu seria total. O governo diz que o sistema de iluminação ficará desligado até o final do ano. Enquanto isso, o único sinal de luz vem dos bairros da cidade, os quais mostram que a Marginal não é uma rodovia, mas bem que poderia ser.

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A Marginal Tietê à noite (Foto: http://giramundo.files.wordpress.com/)

Nas faixas locais, a velocidade máxima é de 70 km/h; nas expressas, 90 km/h. Em breve, surgirão outras novas entre elas. Tudo para que não haja atrasos, demoras, lentidão. A razão das obras feitas agora é o grande número de automóveis para o pouco espaço de circulação, cujo resultado são os famosos congestionamentos.

Anos atrás, o problema eram as enchentes. Sempre que chovia, o Rio Tietê transbordava e a Marginal alagada ficava. A solução foi acabar com o que existia de natural no rio. Se havia mato, árvores em seu leito, eles foram substituídos por concreto. O Rio Tietê nada mais é, hoje, do que uma grande canaleta. Não alaga a Marginal, é verdade. Mas também não é mais um rio.

Não se pode parar a Marginal, a rodovia urbana. Este é o pensamento. Caso algo venha a atrapalhá-la, que se o modifique. Foi assim que o rio mudou; foi assim que o seu leito transformou-se em puro asfalto. E a presença da pavimentação, como se atesta agora, só se faz aumentar.

Quando a Marginal surgiu, clubes perderam um pouco de sua gênese. Tietê, Esperia, Corinthians, Portuguesa e tantos outros não estão beirando o rio à toa. O remo, por exemplo, era um dos esportes praticados por seus sócios. Os cidadãos, por sua vez, perderam um programa de lazer. Onde iriam pescar, nadar, passear com os filhos?

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Uma das competições que aconteciam no Rio Tietê (Foto: acervo Esperia)

A cidade perdeu um rio pela velocidade travestida de progresso. Agora, teve o pouco do que restava destruído por um tanto a mais da velocidade perdida pela via ao longo dos anos. Resta saber o que é mais fácil recuperar no futuro: um rio ou uma rodovia.

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