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Propaganda turística de SP é referência no exterior

SP em notícia pelo mundo
Por Nathan Lopes

“Place Branding” (Idem)
El Diario (Colômbia)27 de janeiro de 2011

Este é um artigo de um jornal do interior colombiano sobre a segunda conferência de Place Branding, que ocorreu na capital Bogotá. A discussão desse encontro acontece em torno da marca que a cidade tem, tendo como objetivo promover a imagem dela no mundo.

O município de Pereira, sede do “El Diario”, mostra que seu processo de posicionamento no mercado de cidades. “Vimos que grandes cidades, como São Paulo, no Brasil, ou Berlim, na Alemanha; cidades medianas, como a distante Perm, na Rússia; e pequenas, como a francesa La Rochelle, buscam abrir espaço no mundo para abrir espaço no mundo e atrair visitantes com suas marcas e estratégias”.

O jornal mostra surpresa ao ver que a tarefa de divulgação da cidade no mundo não é exclusiva de profissionais da propaganda. “Encontramos geógrafos, sociólogos, antropólogos, engenheiros, economistas que plantam excelentes teorias sobre Place Branding”.

Mas o destaque fica para importância do envolvimento da comunidade no projeto e que este não pode funcionar “como estratégia de um governo passageiro”.

A marca desenvolvida pela colombiana Pereira é “¡Tu ciudad!” (Tua cidade). A da capital paulista, “São Paulo é Tudo de Bom”, como apresenta o site da SP Turis.

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A eleição nas calçadas

Por Nathan Lopes

As calçadas de São Paulo ganharam um elemento a mais no último mês. Não são as necessárias lixeiras, os desejados bancos nem gramados ou árvores. Aliás, ele está no lugar que seria destas – alguns biólogos, inclusive, acreditam que ambos pertençam à mesma família. Fica ali, na beirada do passeio público, bem na guia, quase dentro da rua. Dizem que seu nome científico é Propaganda politicalis, vulgarmente chamado pelas pessoas de “megasantinho”.

A cada dia que passa, sua quantidade pelas ruas da cidade vai aumentando. E a tendência, dizem os especialistas, é continuar assim até o início de outubro. Enquanto os números de espécimes crescem, os cientistas já fizeram estudos, através dos quais notaram que o Propaganda possui dois tipos.

Um apresenta duas placas retangulares de madeira fina. A base de cada forma um ângulo de exatos 67º com o chão; do outro lado do retângulo, acontece o encontro de uma placa com a outra. Sua nomenclatura é Propaganda politicalis trieretangulatri ou, para os populares, cavalete. Historicamente, foi o que surgiu primeiro.

O segundo tipo é mais solitário que o anterior. Trata-se, simplesmente, de um pedaço de papelão. Ele não segue uma forma específica. Pode apresentar curvas ou ter as laterais retas, lembrando o parente mais antigo. Para sua sustentação, há uma pequena estrutura de dobras, feitas do mesmo material, o qual não tem força para aguentar algumas rajadas de vento. Por esse motivo, em certas situações, pede-se o reforço que estiver mais próximo: de tijolos a, acreditem, sacos de lixo. Este é conhecido academicamente como Propaganda politicalis papelaum.

Apesar do formato, os dois trazem imagens semelhantes. A foto de uma pessoa, geralmente da altura do peito para cima, ao lado de números, tão grandes quanto a figura humana que os acompanha. Eles variam entre cinco e quatro dígitos e são escoltados pela expressão “deputado estadual”, no primeiro caso, e “deputado federal”, no segundo. Não tem sido muito comum, mas há registros de Propaganda que, em um único espaço, possui as duas características juntas, porém em tamanhos reduzidos.

A disposição deles pela cidade segue uma regra. Se a pessoa da fotografia é conhecida, fica em avenidas de grande circulação em toda cidade. Em São Paulo, estão na Sumaré, Rebouças, Paulista, entre outras. Caso a fama seja menor, apenas em âmbito regional, estará em vias importantes de zonas específicas da cidade, como Inajar de Souza e Marquês de São Vicente.

E, dependendo do poderio da pessoa na foto, o Propaganda pode ganhar galhos. São seres humanos que ficam a seu lado boa parte do dia oferecendo aquela imagem gigante em um tamanho de bolso, o santinho no formato convencional. Geralmente, ele vai logo parar no chão, deixando a calçada da cidade com um colorido diferente e indesejado. As pessoas-galho costumam ser eficientes ao fazer esse serviço, apesar de não aparentarem felicidade ao realizá-lo. De uma só vez, entregam três, quatro papéis. Não é por mal. Elas apenas estão pensando em sua família e amigos. Quando chegar em casa, você vai ter um santinho para cada um.

Assim, os candidatos tentam espalhar sua imagem e, principalmente, seu número pela cidade. Quem sabe um possível eleitor não se simpatiza apenas através da foto e decide lhe dar seu voto? Eles contam com isso. Aliás, exclusiva e unicamente com isso. E dessa maneira vão espalhando a Propaganda politicalis pelas ruas. Só cuidado para não trombar em uma delas enquanto estiver passando pela calçada.

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As mortes física e moral do orelhão

Por Nathan Lopes

No início da década de 1980, o comercial que chamava a atenção na televisão era da Telesp, antiga companhia estatal de telefonia de São Paulo, que hoje é a privada Telefonica. Nele, um orelhão moribundo começava a cair, dando seus últimos sinais até que a linha fosse cortada para sempre, quando ficou espatifado e despedaçado na calçada. Era uma propaganda para combater o vandalismo nos telefones públicos e conscientizar a população sobre a importância dos mesmos. Diz a locutora, que, a cada dia, vinte deles eram depredados.

Naquela época, isso era motivo de extrema preocupação na sociedade. Primeiro, para quem possa achar incrível, não existia um aparelho quase que vital atualmente: o celular. Se você quisesse se comunicar fora de casa, somente através dos orelhões. Segundo, mesmo em sua residência, a probabilidade de que nela houvesse um telefone fixo era praticamente nula. O custo de uma linha era muito alto para a que a rede de telefonia atingisse grande parte das moradias, como na metade final da década de 1990. Por isso, era comum ver filas nos orelhões da cidade. Aliás, geralmente elas eram causadas por pessoas como o Zé da Galera, personagem de Jô Soares em seu “Viva o Gordo”.

O orelhão era um objeto importante na paisagem das cidades. Que o diga Itu. Lá, ele é ponto turístico. Sua cúpula laranja em forma de orelha, com o desenho de três telefones formando um triângulo – em uma imagem que lembra um rosto com olhos grandes e lábios tristes -, tem o tamanho original multiplicado, como tudo na cidade. Sem contar a base vermelha do telefone. Esta que, para permitir uma ligação, pedia uma ficha. E às vezes ela demorava para cair. Quando isto finalmente acontecia, logo se explicava para quem estava na fila, esperando para fazer a ligação: “caiu a ficha”, expressão que hoje não faz sentido algum, caso se esqueça a época em que surgiu.

https://espelhosp.files.wordpress.com/2010/09/itu2.jpg?w=300

Foto: http://1.bp.blogspot.com/ - O orelhão de Itu também assumiu as cores da Telefonica

Hoje, os orelhões não são mais laranjas e, ao invés do trio telefônico, ganhou a inscrição “Telefonica”. Para funcionar, usa-se cartão, não ficha. Eles mudaram, assim como o tempo, o qual lhes deu uma espécie de aposentadoria em atividade. É que eles ainda são necessários. Tem dia em que o celular teima em não achar o sinal e lá se vai ao esquecido telefone público. E sempre ligando a cobrar, afinal não tem sentido comprar o cartão. Quando vai usá-lo – o cartão e o orelhão – de novo? Naquela propaganda, o orelhão morria, pois alguns o depredavam.

Agora, ele corre o risco de perder seu emprego principal e mudar de profissão. Tudo por causa dos adesivos com anúncios de prostituição colados em praticamente toda sua área. O orelhão pode virar mural, o “mural do sexo”. Seria a morte moral daquilo que tanto ajudou as pessoas a falarem umas com as outras.

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O pombo que vê tudo em São Paulo

Por Nathan Lopes

Há mais de dez anos, os intervalos comerciais das emissoras de televisão ganharam uma propaganda que conquistou o público: “Pombo Paulista”, da Eletropaulo, que, na época, não era AES. É uma publicidade que não se refere em momento algum à empresa, mas à São Paulo. O elo de ligação entre a companhia de energia elétrica e a cidade estava pousado nos fios elétricos.

O pombo tem presença na metrópole. Para onde se vá, lá está pelo menos um representante da espécie. E ele causa sensações díspares. Desde a alegria das crianças ao sair em sua direção para espantá-lo até a raiva de uma por ter sido alvo de seu alívio.

Por estar em toda parte, nada melhor do que ouvir as histórias que ele conhece da cidade. Essa é a ideia do comercial. E todas elas são ditas no seu sotaque italiano. Pombo também tem estilo ao falar. Será que ele também movimentava as asas ao “parlare, ma che”?

“Pombo Paulista” conseguiu descrever a vida de São Paulo em um minuto. E deixou como lembrança uma frase: “Se a gente que é pombo não fala, ninguém fala”. Com o YouTube dá para relembrar esse comercial e ainda descobrir como era o voo desse pombo pela cidade na gravação dos bastidores.

Essa foi uma propaganda que não queria vender nada. Apenas falar um pouco de São Paulo para São Paulo.

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