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Pregão tranquilo na Wall Street paulistana

Por Priscila Pires

Imagens: Divulgação/Colherada Cultural

Wall Street está em São Paulo. Ou pelo menos o bar que, contrariando o ambiente da rua nova-iorquina, é um espaço tranquilo para ouvir música, bebericar com os amigos e comer algum petisco. No telão, as “ações” que oscilam são os preços das bebidas (em uma noite, o drink Sex On The Beach passou de R$ 18,00 para R$ 32,40!). Na entrada do bar, não poderia faltar o famoso touro que representa a “robustez da economia americana” – mas em uma versão mais modesta.

Wall Street Bar Bull

Através de uma tela touchscreen, é possível consultar o cardápio e fazer os pedidos, passando um cartão magnético (individual e personalizado) que é entregue na entrada.  No sistema, há também uma jukebox com repertório variado, e cada música custa R$ 0,99. O único problema é que a fila de espera é longa.

Os pedidos são feitos por uma tela touchscreen, presente em cada mesa

O preço é um pouco salgado, mesmo quando as “ações” estão “em baixa”. Lá pelas 23h00, um “crash” foi anunciado: uma sirene tocou e os preços voltaram ao original. Mas só por alguns minutos.

A tranquilidade do pregão de bebidas

Wall Street Bar

Rua Jerônimo da Veiga, 149 – Itaim Bibi – São Paulo/SP

Horário de funcionamento: das 18h00 às 02h00

Entrada: R$ 30,00. Sextas e sábados: mulheres pagam R$ 15,00.

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Para lembrar o grito

Por  José Roberto Gomes Júnior

Foto: Fernanda Patrocínio

            Erguendo-se na esquina das ruas do Comércio e XV de Novembro, região central da capital paulista, o prédio da Bovespa, a Bolsa de Valores de São Paulo, é só mais um edifício que compõe a selva de pedras da maior cidade do país. Para um desavisado, a construção de 10 andares de feições neoclássicas abriga, no seu interior, a gritaria, as gesticulações frenéticas das mãos dos operadores e, claro, o stress. Engana-se quem ainda cultiva essa noção. Basta passar sob as três bandeiras (do Brasil, do estado de São Paulo e a da instituição), que tremulam na entrada principal, para perceber que os tempos mudaram. 

            Não nos referimos à recente fusão entre a Bovespa e a Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), anunciada em março de 2008, mas sim à implantação do pregão eletrônico, ocorrida ainda em 1997, que fez com que o tumulto de outrora desse lugar a um silêncio inimaginável tempos atrás. O recinto onde eram realizadas as negociações viva-voz (o termo técnico – e polido – para se referir aos gritos dos operadores) modificou-se substancialmente, embora ainda mantenha resquícios de seu passado barulhento: há as salas das corretoras, uma mesa de operações, um quadro no qual se deslocam, uniformemente, o preço das cotações e, obviamente, os famosos painéis coloridos pelo verde, amarelo e vermelho, que indicam o sobe e desce das ações. Hoje, não precisa ser um engravatado de uma corretora para entrar no prédio. Basta chegar à recepção e dizer: “Gostaria de conhecer o Espaço Bovespa”. 

 

Espaço Bovespa: antigo local do pregão

 

            Integrando o programa de popularização da Bolsa, esse Espaço procura colocar o público em geral dentro do universo do mercado acionário. O local agora conta com atrações que vão de um tecnológico cinema 3D até um Centro de Memória, um verdadeiro labirinto azul repleto de objetos e vídeos que contam a história da instituição em etapas, seguindo os passos de quem o visita. Não se deve esquecer da já mencionada mesa de operações, cravada no centro do recinto sob quatro painéis que indicam o humor da economia nacional e mundial. 

            É perceptível que a importância do lugar não se restringe somente ao fato de ser um reduto para o descanso – mesmo que momentâneo – do apressado paulistano que corre pelas ruas de paralelepípedo do centro da cidade. De fato, com o Espaço Bovespa, a Bolsa de Valores almeja reverter o pouco interesse do brasileiro para com o mercado acionário. “No Brasil, somente 7% da população investe na Bolsa, ao passo que nos Estados Unidos, por exemplo, essa marca chega a quase 50%”, estima Rui Paranhos, economista, funcionário do Espaço e ex-operador, que não grita mais com um telefone colado ao ouvido, mas que responde calmamente às perguntas dos visitantes do local. 

            Para a maioria dos que vão ao Espaço Bovespa, seja para uma simples passada de olhos nos números do dia, seja para se sentar nas macias poltronas azul-escuros que se espalham pelo Café, outra atração do ambiente que, agora, ocupa salas de antigas corretoras, a opinião é unânime: o Espaço Bovespa é um eficiente mecanismo para a popularização da instituição. “O Espaço é bom, pois as pessoas podem ver de perto como funciona o mercado e quem o visita se apaixona por ele”. Essa é declaração, por exemplo, de Donizetti Marques, agente autônomo de investimentos e uma das pessoas que visita o antigo recinto do pregão. Já para o economista e editor de investimentos da revista Infomoney, é uma conjunção de fatores. “O lugar ajuda a manter viva a história da Bolsa, permite uma maior aproximação e eleva a instituição também. Uma coisa meio natural mesmo”. 

            O Espaço Bovespa é todo adornado por dezenas de quadros de fundo branco que estampam logotipos de empresas que tem ações na Bovespa, formando uma espécie de “coroa” sobre o local. Acima disso, há uma parede de vidro que pode, à primeira vista, parecer acessível somente a empresários, presidentes de organizações ou aos seguranças de terno preto, que desfilam olhando a movimentação abaixo. Mais uma vez, engana-se quem cogitou essa hipótese. 

            Com os programas e cursos oferecidos pela instituição, é possível subir pelas escadas de mármore italiano aos andares superiores, onde aqueles são realizados, e observar panoramicamente o recinto do antigo pregão viva-voz. “Nós temos o ‘Mulheres em ação’, o Instituto Educacional, o ‘Em boa companhia’, o ‘BM&FBovespa vai até você’, entre outros, que ajudam o investidor iniciante a lidar com o mercado acionário”, explica enfaticamente Agnaldo Silva, outro economista e funcionário do edifício. 

            Primeiro passavam coronéis e cafeicultores donos de enormes glebas de terra. Depois, industriais que faziam São Paulo se tornar a principal cidade do país. Em seguida, operadores, responsáveis pelo elo entre a Bolsa e os acionistas. E agora, qualquer pessoa tem acesso a um prédio no qual se guarda boa parte da história econômica brasileira. Esses personagens mencionados não passaram pelo mesmo prédio – afinal o que se ergue, atualmente, na Rua XV de Novembro data da década de 1940. Mas todos foram responsáveis por importantes negociações, realizadas no “gogó”, como disse Rui Paranhos. Cabe a nós hoje, portanto, lembrar essa época dos gritos.

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