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VÍDEO: Jornalismo como profissão e ideologia na carreira de Markun

Por Nathan Lopes

Há cerca de um mês, coloquei aqui no EspelhoSP trechos da entrevista que fiz com o jornalista Paulo Markun para o programa “Edição Extra”, da Faculdade Cásper Líbero/TV Gazeta. Hoje, aproveito para deixar o vídeo com a conversa sobre sua carreira e os caminhos que ela tomou.

A edição e a produção da matéria foram feitas pela Letícia Gonçalves, monitora do programa.

Aproveite e conheça também um pouco mais da história de quem será o mediador dos debates eleitorais da Gazeta em parceria com o jornal “O Estado de S. Paulo”. Dia 24 estarão reunidos os candidatos ao governo de São Paulo. Já no dia 8 será a vez dos à presidência. Para terminar – e ainda a confirmar -, dia 14 acontece o encontro dos concorrentes ao Senado por São Paulo.

Confira o texto com trechos da entrevista de Markun aqui.

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O Jornalismo como profissão e ideologia na carreira de Paulo Markun

Por Nathan Lopes

Ele está beirando os 40 anos de profissão e em 2010 trocou uma emissora de televisão quarentona por outra. Não por vontade própria, mas por jogo político. Paulo Markun deixou, no primeiro semestre, a presidência da Fundação Padre Anchieta, mantenedora da TV Cultura, pelo cargo de comentarista da TV Gazeta.

Ao longo dessas quatro décadas, Markun vivenciou a ditadura, a perda do amigo Vladimir Herzog, a mudança da mídia impressa para a televisiva que o destino impôs, entre tantos outros fatos que contribuíram para a solidificação de sua carreira.

Paulo Markun possui uma identificação com marcas de São Paulo. Na cidade, está a TV Cultura, na qual, além de presidir, comandou o programa de entrevistas de maior prestígio da televisão, o “Roda Viva”. Aqui também está a Gazeta, canal no qual trabalha pela terceira vez. Agora, com uma missão diferente das anteriores: mediar os debates políticos que serão promovidos nos próximos meses.

São Paulo também está marcada na vida de Markun. Foi aqui que ele foi preso e torturado durante o regime militar, que começou no Jornalismo, que viveu com sua família. Momentos importantes de sua trajetória.

Abaixo, seguem alguns trechos da entrevista que ele concedeu para o programa “Edição Extra”, da TV Gazeta/Faculdade Cásper Líbero. Ele exibe a matéria completa neste domingo, à 0h. 

Chegada à profissão

No teste vocacional que fiz quando eu tinha 15 anos me foram oferecidas três alternativas. A primeira era História, depois Letras e, finalmente, a orientadora disse: “Olha, tem uma nova faculdade aí, que é a Escola de Comunicações e que parece bastante interessante ao seu perfil porque ela tem uma variedade de alternativas”. Ou seja, não me foi oferecida ou sugerida a atuação na área do Jornalismo.

Acabei indo para o cursinho de História e dali acabei pulando para a Comunicação. Ao entrar na Comunicação, naquele ano – já se passaram três em relação ao teste vocacional – você tinha de fazer uma escolha imediata, em qual curso você ia fazer e aí eu escolhi o jornalismo.

Primeiro estágio

Eu era um estagiário [no Diário do Comércio e Indústria] e havia duas pessoas para uma única vaga. E o meu chefe de reportagem na época, que acabou ficando meu amigo, depois de um mês de teste, falou: “Olha, eu vou ficar com o outro rapaz porque você precisa aprender muito, não é a sua praia”. Para quem tinha 18 anos e queria arrumar o primeiro emprego, essa foi uma coisa frustrante evidentemente.

“Acho que o mais prazeroso pra mim é ou contar uma história bem contada ou às vezes apurar e investigar um assunto que passou ao largo dos temas”

Técnicas do Jornalismo

A gente vai aprendendo ao longo da vida. Eu te digo o seguinte: não foi na faculdade que eu aprendi. Quando você tem 18 anos e vai para a redação, como era a redação da época, grandes profissionais e todos eles formados no dia a dia, na realidade, na reportagem, fazendo reportagem de polícia, indo cobrir presunto não sei aonde e tal, essa era uma experiência muito forte. E eu passei os primeiros três anos desses 39 coincidentes com a faculdade, mas os outros 34, 35 só na atividade profissional. Então, eu diria que aprendi foi na atividade profissional

Ida para a televisão

Eu só decidi fazer televisão quando perdi o emprego. Fui demitido do jornal “O Globo”, no Rio de Janeiro. Tava no Rio de Janeiro, não em São Paulo, e não tinha outro emprego pra disputar a não ser a televisão. Então fiz um teste, fiquei um ano trabalhando no “Fantástico”, sem aparecer diante das telas, nunca fazendo uma reportagem como protagonista. E aprendi muito nesse período.

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Reprodução da internet

Mediação X Entrevista

São coisas diferentes. Eu acho que são técnicas diferentes. É uma interação que te obriga a interferir somente quando a coisa não caminha bem. Ou porque as perguntas não estão bem colocadas ou porque elas estão redundantes ou porque faltou perguntar alguma coisa. E, ao mesmo tempo, distribuir a bola, ser um jogador de meio-de-campo. No caso da entrevista, você está no ataque. Então, embora eu não me imagine como um entrevistador agressivo, desses que vá chutar o balde o tempo todo, mas é diferente. Então eu acho que a entrevista, ela é mais desafiadora. Na mediação, você pode estar num dia mais ou menos e a mediação passar.

“Talvez eu seja mais feliz hoje fazendo televisão de frente para as câmeras do que do tempo em que eu virei executivo atrás das câmeras”

A profissão

Bom, acho que a profissão representa, antes de mais nada, um jeito honesto de ganhar a vida. Essa é a primeira coisa. A segunda coisa, eu acho que é ou você tem a curiosidade, o interesse pelos fatos, pelo que acontece ou não vale a pena ser jornalista. E isso tem que prevalecer sobre compromissos de horário, agenda, final de semana – durante muitos anos eu não tive isso. Se a gente puder contribuir para que essa informação circule, para que esteja correta, e que seja a mais democrática possível, acho que já estamos fazendo o serviço pelo qual nós somos pagos.

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Reprodução

Consequências na vida da morte de Vladimir Herzog

A morte do Vlado, em certo sentido, me levou a encarar a profissão de uma forma mais profissional. Até então, ela estava muito misturada com a ação política e a partir daí parou. Na minha vida pessoal, o que mudou foi a convicção que a sociedade e o mundo não mudam pela vontade de meia dúzia de gatos pingados, sejam esses gatos quais forem. Sejam eles os mais sonhadores e heróicos, e valentes, e desprendidos da história. Eu acho que o processo de mudança na sociedade demanda uma participação conjunta e, portanto, demora mais. 

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