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A cidade ideal

SP nas novelas
Por Raphael Scire

A teledramaturgia brasileira deu especial destaque à cidade de São Paulo em 2010. No começo do ano, três tramas eram ambientadas na capital paulista: Caras&Bocas, de Walcyr Carrasco, Tempos Modernos, de Bosco Brasil, e Poder Paralelo, de Lauro César Muniz. Delas, Tempos Modernos é que a mostrava a cidade sob uma ótica mais idealizada – o centro velho reformulado, sem sujeiras e violência.

O colorido da cidade cenográfica de Caras&Bocas parece ter sido transferido para o remake de Ti ti ti. Não espanta o fato do diretor das duas tramas ser o mesmo – Jorge Fernando. À época da estreia da novela, a autora Maria Adelaide Amaral deu uma entrevista ao caderno de TV do jornal O Estado de São Paulo e disse que não poderia ambientar a história em outro lugar a não ser São Paulo. E não poderia mesmo. A trama original, de Cassiano Gabus Mendes, também se passava por aqui.

A novela de 2010 mostra inúmeras referências à cidade. O ateliê de Jacques Leclair (Alexandre Borges) fica no emergente bairro do Jardim Anália Franco, na zona leste. Mas ele sonha mesmo em abrir uma filial na Oscar Freire, tradicional reduto de fashionistas paulistanos. O bairro dos Jardins é mostrado com toda a efervescência do mundo da moda, tal como pede a trama. Autora e equipe não poupam piadas com a cidade: elas vão do trânsito caótico à degradação de algumas áreas da metrópole.

E a cidade também chegou ao horário nobre. Também na zona leste, concentra-se o núcleo popular de Passione, de Silvio de Abreu. Mas a diversão da trama fica em outro bairro: o Jardim América. É lá que mora Clô Souza e Silva. A personagem de Irene Ravache não demorou muito para roubar a cena e brilhar na novela – brilho, aliás, que é corroborado pelo figurino extravagante da perua. Nascida em Vila Monumento, criada no Cambuci, a emergente paulistana não se cansa de dizer que já foi pobre e não gostou.

Ela subiu de vida ao se casar com Olavo Silva (Francisco Cuoco), um empresário que ganhou dinheiro com a reciclagem de resíduos. No início da história morava em um bairro popular, distante do Jardim América, onde sempre sonhou em residir. Fez que fez que acabou conseguindo convencer o marido a comprar uma mansão por lá, perto de sua ídola Bete Gouveia (Fernanda Montenegro).

Para conquistar o público masculino, o autor Silvio de Abreu desenvolveu ainda a trama de Gerson (Marcello Antony), um campeão de Stock Car. Vira e mexe, imagens do carro do piloto a correr no autódromo de Interlagos são exibidas na telinha.

Apesar de sabermos que todos aqueles stock shots – imagens panorâmicas da cidade – mostrados são recortes da realidade e do chiado da fala de alguns atores (muitos deles cariocas), São Paulo é retratada com fidelidade pelos autores de telenovelas. É uma maneira de mostrar uma cidade ideal, de expô-la além de seus problemas habituais. Esse, ficam reservados aos telejornais locais.

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Oooops

Por Raphael Scire

A novela Passione, da Rede Globo, é ambientada em São Paulo, certo? Certo, mas no capítulo de ontem, 22/06, uma falha enorme escapou do controle da equipe cenográfica. Na cena em que Durvalina (Claudia Mello) é presa, após sofrer a denúncia de Felícia (Larissa Maciel) por ter cometido o aborto em Fátima (Bianca Bin), a viatura policial que aparece no vídeo é… da Polícia do Rio de Janeiro. Será que os policiais cariocas realmente se deslocariam até São Paulo para prendê-la?

 

Cena da prisão com carro da Polícia do Rio de Janeiro

O vídeo da cena pode ser conferido aqui.

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Pestes adoráveis

Por Raphael Scire

Do que é feita uma boa novela? Se você respondeu “amor e melodrama”, acertou em partes. É claro que uma história de amor e um bom entrelaço de dramas fazem qualquer trama chinfrim ficar boa, mas essencial para uma novela ser sinônimo de sucesso é a presença das vilãs. Sim, elas aprontam, arquitetam planos malígnos, conseguem o que querem, se dão mal no final (ou não), mas garantem bons momentos.

O que seria de Maria Clara Diniz (Malu Mader), em Celebridade, se não fosse a Laura Cachorrona (Claudia Abreu)? Donatela Fontini (Claudia Raia) conquistaria o público se não tivesse como contraponto Flora Pereira da Silva (Patrícia Pillar), em A Favorita?

A seguir, uma seleção das melhores vilãs das telenovelas brasileiras. Os vilões são bons também, mas elas, nesse quesito, são bem melhores.

Em Belíssima, Bia Falcão (Fernanda Montenegro) era um luxo só. Elegante, fina, riquíssima. Mas sem um pingo de escrúpulos. A megera foi capaz de abandonar uma filha, planejar uma armadilha para tomar dos bens da própria neta e no final ainda se deu bem, nos braços de um garotão bem mais novo, com direito à Torre Eiffel de cenário.

Flora Pereira da Silva (Patrícia Pillar) por muito tempo enganou os telespectadores de A Favorita. A cara de anjo só escondia uma mulher perversa. 18 anos de prisão não foram suficientes para mudar sua mente criminosa.

Laura Prudente da Costa (Claudia Abreu) aprontou poucas e boas para cima de Maria Clara Diniz (Malu Mader) em Celebridade. A cena em que a mocinha espanca a vilã foi a segunda maior audiência da novela e vingou muita gente que esperava ver Laura pagar por suas tramóias. Apesar de má, Laura garantiu bons momentos da novela. A trilha sonora era completamente apropriada – Sympathy for the Devil, dos Rolling Stones – e a personagem consagrou Claudia Abreu como uma das melhores atrizes da televisão brasileira.

Nazaré Tedesco (Renata Sorrah) roubou a filha da protagonista Maria do Carmo (Susana Vieira) quando a menina era ainda um bebê, em Senhora do Destino. Sua escada era temida por muitos – a bruxa tinha o hábito de, quando se zangava, empurrar seus desafetos escada abaixo. Era morte na certa.

Quem matou Odete Roitmann? Essa pergunta parou o Brasil, em 1989, durante a novela Vale Tudo. A ricassa esnobe foi morta nos capítulos finais da trama e a identidade de seu assassino foi mantida até o último instante. A propósito, a resposta à pergunta é Leila, personagem de Cássia Kiss.

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São Paulo em destaque

Por Raphael Scire

As telenovelas brasileiras fazem questão de mostrar as nossas paisagens naturais, uma forma de reforçar as belezas do país quando vendidas para o mercado internacional. O Rio de Janeiro é o cenário quase que certo de muitas produções, independentemente da emissora em que são exibidas.

Porém, tal fato vem se modificando. A cidade de São Paulo ganha cada vez mais destaque na telinha. Na Rede Record, por exemplo, a recém exibida Poder Paralelo, de Lauro Cesar Muniz, era ambientada na terra da garoa. A emissora, apesar de ter sua sede no bairro da Barra Funda, zona oeste da cidade, comprou recentemente um complexo de estúdios para a produção de suas tramas no Rio de Janeiro . Com isso, entretanto, muitas delas estão sendo contadas tendo o Rio ainda como destaque.

Tiago Santiago (Reprodução)

O SBT talvez seja a emissora que mais ambienta suas tramas na paulicéia. Atualmente no ar com Uma rosa com amor, o autor Tiago Santiago escolheu a capital paulista para contar a história de Claude e Serafina. Além disso, ele vem utilizando o litoral sul do estado, em especial o Guarujá – onde o dono da emissora, Silvio Santos, possui um resort, diga-se de passagem – para escrever algumas cenas. Santiago já havia escrito a trilogia Mutantes, na Record, com a cidade servindo de cenário.

A surpresa, porém, é a Rede Globo. A emissora carioca tradicionalmente beneficia o estado natal em muitas de suas histórias. No horário das 19 horas, São Paulo é a bola da vez. Encerrada em janeiro último, a bem sucedida Caras & Bocas, de Walcyr Carrasco, levou para a telinha bairros como os Jardins, na zona sul, e a Lapa, na zona oeste.

Carrasco é um verdadeiro cronista de São Paulo. Suas tramas anteriores, a contemporânea Sete Pecados e as novelas de época Alma Gêmea e O cravo e a rosa, também tiveram São Paulo como pano de fundo.

Walcyr Carrasco (Reprodução)

Caras & Bocas foi substituída por Tempos Modernos, de Bosco Brasil. Desta vez, o centro da capital ganhou destaque. A grande diferença é que, nesta trama, ele foi totalmente repaginado por técnicas de edição, ou seja, o que é visto na telinha é o que o autor gostaria de mostrar, não o que ele realmente é.

A próxima trama do horário será o remake de Ti-ti-ti, escrito por Maria Adelaide Amaral, e que também será ambientada na cidade. A trama original, de 1987, foi escrita por Cassiano Gabus Mendes, autor que constantemente escrevia suas histórias em São Paulo. E Walcyr Carrasco é o nome mais cotado para substituir Maria Adelaide no horário. Ou seja, mais uma vez São Paulo será retratada na telinha.

 

E para completar, Silvio de Abreu vem aí no horário das 21 horas. Ele, que tem 13 obras escritas, 12 delas feitas em São Paulo, escreve Passione. A novela terá locações em bairros tradicionais, como o Jardim Europa, e no emergente Tatuapé. É esperar para ver. De uma forma ou de outra, as novelas que por aqui se passam são formas encontradas por seus autores para homenagear nossa cidade.

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