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Lara Gerin: Por todos os lados

Perfil paulista
Por Raphael Scire

À primeira vista, a modelo, stylist, cantora e DJ Lara Gerin pode parecer uma bonequinha de luxo. Bastam, porém, alguns minutos de conversa para descobrir que, por trás de suas feições delicadas, há uma mulher forte e decidida. Aos 38 anos, Lara considera-se uma pessoa independente, que corre atrás de seus objetivos e não desiste diante do primeiro obstáculo.

Aos 19, quando ainda morava em Campinas, Lara foi “descoberta” por um agente, que a trouxe para São Paulo, onde acabou sendo clicada pelo badalado Bob Wolfenson. Foi então que começou a estampar capas de revistas e tornou-se o “new face” da época. Daí para a carreira internacional foi um passo: morou em diversos países da Europa e também no Japão. “Conheci pessoas, ganhei experiência e grana.”

Quando voltou para o Brasil, depois de uma temporada de quatro anos fora, já estava “desencanada” da carreira de modelo. “Gostava de estar em frente à câmera, de interpretar. Mas se submeter a castings, encontrar pessoas que analisam você, é frustrante demais.” Sem abandonar totalmente o mundo da moda, passou a trabalhar com um amigo fotógrafo, ajudando-o na composição de books. Assim, deu início à carreira de stylist.

Hoje, prepara-se para assinar o figurino de um filme que contará a história da banda Planet Hemp. Seus contatos nesse universo a ajudaram também a entrar para a televisão. Trabalhou como assistente de figurino do programa “Sandy & Júnior”, época em que conheceu a figurinista Gogoia Sampaio e, dessa amizade, surgiu o convite para uma participação na atual novela “Passione”. Mas não para trabalhar com moda: Lara apareceu nos primeiros capítulos da trama global tocando numa festa.

Sim, atualmente, investe pesado na nova carreira de DJ. “Não me considero, ainda, 100% DJ. Sou uma selecta, ou seja, uma pessoa que faz uma boa seleção de músicas.”

Paixão antiga. Lara sempre gostou de música. Desde criança, seu sonho era ser cantora, e chegou a fazer aulas de canto quando tinha 13 anos. “Quando era modelo, tinha uma banda com os fotógrafos.” Certo dia, uma amiga a convidou para tocar na inauguração de uma loja. Pronto, foi sucesso absoluto. “Fui escolhendo as músicas junto com o DJ principal, mas a seleção foi um sucesso.”

Uma onda de pedidos para tocar em pequenas festas começou a surgir e Lara foi ganhando espaço. A abertura do bar Secreto, onde é residente mensal, foi o grande impulso.

O que mais a irrita no trabalho de DJ é a “falta de respeito de algumas pessoas.” Explica que muitos chegam para ela e pedem para tocar músicas aleatórias. “Mantenho a paciência e a simpatia, mas é muito chato, porque você não está sendo pago para tocar uma música só para uma pessoa. Não sou rádio FM”, brinca.

Acredita que, assim que as pessoas passarem a conhecer mais o seu trabalho, a “encheção de saco” será menor, pois seu “sound style” já estará definido. Seu universo musical vai do pop ao hip hop, passando pelo eletrônico e pelo rock. “Procuro coisas que não conheço, e seleciono o que me soa gostoso.” Acha que a diversificação dos ritmos é o segredo para o sucesso na pista.

Apesar de o trabalho como DJ exigir que vire noites, garante que é uma pessoa completamente do dia. “Adoro acordar cedo, mas não tenho conseguido por conta dos trabalhos.” Ainda assim, diz que não abre mão de dormir oito horas por dia, independentemente do horário que vai para a cama. “Se não fizer isso, não tenho energia”, justifica.

Solteira, mora sozinha em um apartamento nos Jardins, em São Paulo. Quando não está fazendo pesquisas de novas músicas, gosta de cozinhar, sair com os amigos e organizar a casa. “Sou muito virginiana, tenho sempre que arrumar alguma coisa.”

Revela que já teve vontade de fazer faculdade de Química, para poder elaborar suas próprias fragrâncias. “Minha avó fazia uma lavanda deliciosa, e eu aprendi com ela a fazer minhas próprias misturas.”

Quando tentou comercializar seus produtos, acabou esbarrando em uma série de exigências da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), foi quando surgiu o interesse pelo curso. Mas a música ressurgiu em sua vida e os planos de se tornar química ficaram de lado. Será este o próximo caminho a ser trilhado por Lara?

[Nota: este texto foi publicado originalmente no jornal “O Estado de S. Paulo”]

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Arquivado em Música, Moda

@crisspaiva dá sugestão a mestres e monges em 140 caracteres

SP em 140 caracteres
Por Nathália Soriano

@crisspaiva

mestres, monges e sábios: do alto da montanha ou no templo até eu! venham pregar a paz e a benevolência no trânsito da marginal.1/12

@JJRICARTE

O que ocorre no RIO hoje que sirva de exemplo ao Governo de SÃO PAULO que acabe com a cracolândia..falta vontade e decência!1/12

@BOPEfacts

Qual a diferença entre #SP e #Rio? #SP tem #Marginal parada e o #Rio tem #Marginal correndo!26/11

@DaniloGentili

O mundo tá todo errado. SP acabando em água e RJ em fogo. Devia ser contrário, pois paulista tá acostumado com fumaça e carioca não afunda.25/11

@NaKarol

Tem coisa mais legal dq a Av.Brigadeiro numa sexta feira as 17h?? #transitodeSP26/11

@jovanenunes

Dois rios precisam de limpeza, o Tietê e o de Janeiro.26/11

@ewertoneverman

Em São Paulo um homem é atropelado a cada cinco minutos… Eu se fosse esse cara nem saía mais de casa, vai ser azarado assim lá no inferno! 1/12

@HugoSousa8

eeee beleza, agora o tiririca é deputado oficialmente, ta bem hein são paulo, rs1/12

@bobdorock

Em Abril terá a bela e a fera. Traduzindo: Bono Vox e Ozzy em Sampa.2/12

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Arquivado em SP em 140 caracteres

Um balanço do feriado em música e números

Por Priscila Pires

Quando Tom Zé musicou “São, São Paulo”, ainda eram 8 milhões de habitantes. Agora somos mais de onze mil (e a contagem continua…). O resto continua igual: [mais de mil] chaminés e carros, aglomerada solidão, aqui é só trabalhar.

Quando chega um feriado prolongado, como o último 7 de setembro, os paulistanos não hesitam em pegar a estrada. De acordo com o JBOnline, “estima-se que 1,5 milhão de veículos tenham deixado a capital paulista neste feriadão.” O resultado? Congestionamento. Nós, paulistanos, que estamos muito bem acostumados com o trânsito, acabamos acreditando que abandonar a nossa querida cidade às vezes é bom. Será o fator psicológico de “fugir da rotina?”

Se é ou não, o fato é que acabamos voltando: para São Paulo, para o trânsito, para o trabalho, para a aglomeração. “A volta do feriado prolongado da Independência do Brasil, nesta terça-feira, está provocando uma grande lentidão no trânsito na Rodovia Presidente Dutra em ambos os sentidos, Rio de Janeiro ou São Paulo.” É, com todos os defeitos, nós amamos essa cidade.

Confira a letra de “São, São Paulo”

São, São Paulo meu amor
São, São Paulo quanta dor
São oito milhões de habitantes
De todo canto em ação
Que se agridem cortesmente
Morrendo a todo vapor
E amando com todo ódio
Se odeiam com todo amor
São oito milhões de habitantes
Aglomerada solidão
Por mil chaminés e carros
Caseados à prestação
Porém com todo defeito
Te carrego no meu peito
São, São Paulo
Meu amor
São, São Paulo
Quanta dor
Salvai-nos por caridade
Pecadoras invadiram
Todo centro da cidade
Armadas de rouge e batom
Dando vivas ao bom humor
Num atentado contra o pudor
A família protegida
Um palavrão reprimido
Um pregador que condena
Uma bomba por quinzena
Porém com todo defeito
Te carrego no meu peito
São, São Paulo
Meu amor
São, São Paulo
Quanta dor
Santo Antonio foi demitido
Dos Ministros de cupido
Armados da eletrônica
Casam pela TV
Crescem flores de concreto
Céu aberto ninguém vê
Em Brasília é veraneio
No Rio é banho de mar
O país todo de férias
E aqui é só trabalhar
Porém com todo defeito
Te carrego no meu peito
São, São Paulo
Meu amor
São, São Paulo

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Apertando o botão da emoção para fazer vídeos

Oficina de videocelular ensina técnica para fazer uma gravação atraente

Por Nathan Lopes

A emoção é o elemento mais importante para poder contar histórias que chamem a atenção do público. Esta é a opinião de Alberto Tognazzi, produtor audiovisual espanhol e diretor do Móvil Film Fest. Ele, junto do músico e roteirista conterrâneo Miguel Angel Blanca, ministrou uma oficina de videocelular, em agosto, no Centro Cultural da Juventude (CCJ), em São Paulo. O evento foi promovido por outro centro cultural, o da Espanha (CCE).

Os participantes da oficina juntos do professor Miguel A. Blanca (de barba, à direita)

Os participantes da oficina juntos do professor Miguel A. Blanca (de barba, à direita)

O objetivo era trabalhar o roteiro de um videoclipe, além de fazer a gravação e edição do mesmo. Tudo isso utilizando apenas um telefone móvel, que, para Tognazzi, não é a principal parte do processo. “O mais importante não é tanto a tecnologia nos celulares, que é muito fácil; é um botão. Aperta e já grava. O mais difícil é pensar ideias que sejam interessantes tanto para o celular quanto para o conteúdo audiovisual em geral”.

Neste momento, além da emoção, é importante pensar no roteiro, que possui uma técnica, ensinada por Angel Blanca. “Nós aqui na oficina estamos defendendo que o que queremos fazer é uma película curta, com um personagem apresentando um objetivo”.

Para colocar o aprendizado em prática, era necessária uma canção e ela veio de um dos participantes: Otávio Pereira, estudante de 16 anos. “Perto de mim” foi escrita sobre uma paixão que ele teve na escola e trazia exatamente o que os professores queriam: emoção e um personagem. O resultado do trabalho de Ayrton Costa, Diogo Silva, Joana Santos, Marcos Oliveira, Wellington Rockers e Lucas de Toledo aparece neste vídeo, que eles fizeram após seis aulas.

E se, depois de assistir a esse clipe, você achar que não tem capacidade para fazer algo parecido, Tognazzi tem um recado. “Criatividade se exercita. Se você tem vontade de contar histórias, e experimenta, tenta fazer isso, pode contar histórias muito divertidas com a prática”.

Se apareceu a curiosidade sobre como eles realizaram o videoclipe, veja o processo de produção de “Perto de mim” neste domingo, à 0h, no “Edição Extra”, transmitido pela TV Gazeta, de São Paulo. A canção, aliás, pode ser o primeiro sucesso a aparecer em um programa dominical sem ser o do Faustão ou do Gugu. Ah, vai dizer que você não ficou cantando? Duvido. “Será/ Que vai dar/ Pra ficar…”

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Incubadora de Talentos

Por Flávia Leal

Quem caminha pela região da Vila Madalena, está acostumado aos bares e às conversas com ar de boemia espalhadas pelas ruas do bairro. Entretanto, com uma vista mais apurada, vê-se um portão entreaberto que convida os curiosos a entrarem em um estreito corredor. Um coreto de praça de interior chama logo a atenção, rodeado por plantas de diversas formas e cores.  A natureza ali pulsa pelas ornamentações que vão de acerolas às amoreiras, todas elas contidas em um jardim em que o verde se confunde com o marrom da madeira. Verdadeiras obras de serralheria, produzidas no próprio local, engrandecem o pátio da casa; círculos, curvas e cantos distorcidos estão presentes nas portas, janelas, paredes e no próprio piso do local, todos remetendo a um ambiente direcionado pela Art Nouveau, movimento artístico que entre outras características valoriza o trabalho artesanal e o escapismo à natureza. Assim é o Centro Cultural Rio Verde, que surge como inovação para um público que busca programações mais notadamente culturais na Vila.

Arte da mistura

Entre uma mesa e outra, localizadas no próprio jardim, as pessoas envolvidas em conversas variadas saem do seu círculo de amigos para dividirem experiências coletivas com desconhecidos. “Com licença minha senhora, vou-lhe contar uma história bem popular”, assim começa uma peça de teatro com temática nordestina, e os atores cantam e representam, envolvendo e buscando a participação do público. O palco improvisado transforma-se no sertão e, entre risos e olhos marejados, o grupo de teatro de Araraquara conta a saga de três Marias lavadeiras, que sofrem as mazelas da pobreza de uma vida endurecida pela seca. Aplausos ao final da apresentação, ocorrida no último 11 de abril. Logo mais, os atores, sem nem ao menos tirar as vestes de suas personagens, voltam ao jardim e bebem cerveja, café, ou vinho servido em copos, com a plateia de outrora.

Num ambiente fechado, quando se entra mais na casa, gritos de um rock esganiçado e com letras poéticas saem pelas janelas. O Centro Cultural Rio Verde recebeu o Festival Fora do Eixo, em que bandas independentes de diversos cantos do Brasil têm a oportunidade de apresentar seu repertório. Nesse dia, a banda mineira Porcas Borboletas trouxe seu público marcadamente jovem ao local. Ao final do show, o Rio Verde ficou um pouco mais vazio, enquanto que poucos minutos depois, outras pessoas foram chegando e se acomodando pelos sofás e cadeiras, sendo que estas aparentavam mais maturidade e conversavam basicamente sobre Arte.

Logo mais teria outra apresentação. O clima do rock e tênis all star transfigura-se em sandálias rasteiras e roupas mais leves de quem foi ao local para ouvir e dançar ao som de música afro-brasileira. O grupo Batucadança tocaria os ritmos oriundos da mistura da percussão africana com uma batucada mais brasileira. Enquanto não começava o show, três senhoras vestidas de baianas vendiam, em uma barraca montada, comidas típicas do nordeste. O cheirinho do escondidinho e das cocadas inebriava o jardim e a sensação de boa mesa satisfazia os arredores.

Thalita Gava, produtora musical do Batucadança, comenta como surgiu a ideia de montar um grupo de música popular afro brasileiro. Ela explica que a maioria dos componentes são pernambucanos e, através da percussão, acrescentam as cordas da viola e do violão, para as composições das canções. “A finalidade é valorizar a cultura brasileira. Por isso agregamos à música a dança e a culinária, características da influência negra no Brasil”, revela Thalita. Ela também afirma que o Centro Cultural Rio Verde foi o primeiro espaço que deu oportunidade ao grupo de fazer essa miscelânea de apresentações. “A mentalidade de quem coordena o Centro é muito ampla, principalmente na valorização de novos artistas. A relação é feita diretamente, sem muita burocracia e somos muito bem tratados aqui”, enfatiza.

José Chidassicua, 28, moçambicano de Beira, visitou pela primeira vez o Centro Cultural Rio Verde e disse ter gostado do local. “O ambiente é muito agradável, sinto-me saindo um pouco da metrópole e sentindo mais calmaria aqui dentro, além do que a apresentação do Batucadança foi interessante, consegui me divertir bastante”, diz. Mas a casa é também formada por frequentadores assíduos. Ana Paula Fedickzo, 29, costuma ir ao Centro mesmo sem saber a programação. “É um lugar especial, um ambiente relaxante. Além de tudo, confio no gosto da casa, as apresentações sempre valem a pena”, disse a produtora de eventos.

Contemplação

Ao final da apresentação do Batucadança, o público volta ao jardim com os rostos vermelhos e suados de quem dançou e cantou com a mesma empolgação da banda. Fazendo parte dele, a própria coordenadora artística do local, Cristina Vassimon, 45, assistiu à apresentação e, entre um cumprimento e outro a conhecidos, encaminha-se a outro ambiente, mais no interior da casa. Sentada num banco, ao lado de uma pequena lona de circo montada, o clima é mais agradável, devido à grande quantidade de plantas ao redor. À porta que separa este lugar do interior da residência, encontra-se uma estante com vários livros em desordem; é a biblioteca do Rio Verde, aberta ao público.

Cristina começou desde cedo a tocar contrabaixo. Essa formação musical, segundo ela, ajuda a compreender as dificuldades que os artistas passam para conseguirem sobreviver através de seus trabalhos. A proposta do Centro Cultural Rio Verde é a de um lugar direcionado pela interdisciplinaridade, com apresentações variadas pelo universo da Arte, para que o artista troque experiências e consiga a oportunidade de mostrar o que faz.

O próprio nome do lugar refere-se à história do bairro. Cortada antigamente pelo córrego Rio Verde, a Vila Madalena era antes chamada do sítio com o mesmo nome do ribeirão. Daí surge o nome do Centro Cultural, como homenagem à região. De acordo com Cristina, a criação do espaço Rio Verde vai de encontro ao que é comumente ofertado pelo bairro — o que ela chama de música como entretenimento — e oferece programações mais pautadas pela cultura.

“Aqui é uma verdadeira incubadora de talentos”, conta Cristina sobre a característica do Rio Verde de apresentar novos artistas e também os já reconhecidos, mas que estão com trabalhos novos e normalmente diferentes do que faziam antes. “Buscamos aquilo que está em processo, não o que já está consolidado”, diz a coordenadora sobre como são feitas as escolhas das programações.

Segundo a coordenadora, o Centro Cultural Rio Verde foi construído como um local para contemplação, para que os artistas se sintam a vontade e deixem suas veias criativas prontas para pensarem e mostrarem seus trabalhos ao público de maneira livre, sem freios às liberdades de expressão. Assim, essas novas figuras do cenário musical têm a chance de tornarem seus trabalhos conhecidos, enquanto a cidade também ganha com novos ritmos, gostos e sons que contribuem para o crescimento e consolidação do que temos de mais precioso: a cultura. Seja ela genuinamente brasileira ou de lugares distantes.

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