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Avenida Paulista é o retrato de São Paulo para australiana

SP em notícia pelo mundoEspecial de aniversário de São Paulo
Por Nathan Lopes

“O Rio tem a agitação de Copacabana e do Carnaval, mas para atrações mais culturais e cerebrais, São Paulo é o melhor”, começa o texto de Kristie Kellahan, de março de 2010, sobre a avenida mais conhecida da capital paulista. “Rua esperta: Avenida Paulista, São Paulo” é o título de seu artigo para o “Sydney Morning Herald”, da Austrália.

“Moradores dizem que uma caminhada por ela – em todos os seus três quilômetros – é a melhor maneira de ter uma ideia da cidade e de suas atrações mais famosas”. Nas linhas de seu texto, Kristie conta o que os quase um milhão de pedestres pode encontrar ao andar pelas calçadas de nove metros de largura.

No dia do aniversário de São Paulo, o EspelhoSP, mais uma vez, mostra outra visão estrangeira sobre a cidade. Desta vez, com foco em cinco pontos da Avenida Paulista.

“Smart street: Avenida Paulista, Sao Paulo” (Rua esperta: Avenida Paulista, São Paulo)
Sydney Morning Herald (Austrália)7 de março de 2010

Museu de Arte de São Paulo

“Apelidado de MASP, o museu é constantemente avaliado como um dos melhores da América Latina, com uma impressionante coleção, que inclui trabalhos de Rembrandt, Rubens, Renoir e Raphael”. Kristie Kellahan diz ainda que o edifício por si só – uma gigante caixa de vidro suspensa por quatro pilares vermelhos – vale uma olhada, “mesmo se sua ideia de purgatório contempla as obras de arte do século XIX”. Ela também destaca a feira de antiguidades aos domingos no vão livre do MASP.

Teatro do SESI São Paulo

As contribuições obrigatórias da indústria brasileira são canalizadas em uma instituição independente e sem fins lucrativos para promover a cultura e o bem-estar social. Com estas palavras, Kristie descreve a atuação do SESI em seu espaço cultural, que apresenta teatro, cinema, música, dança, além de algumas produções gratuitas. “Não surpreende que essas entradas acabam rapidamente”.

De la creme patisserie

“Depois de um dia passeando por galerias e livrarias, pegue algo doce com algumas surpresas especiais na De la creme pâtisserie”. Ela diz que a especialidade da casa está nos bolos, biscoitos e chocolates caseiros. “O aroma na loja é uma prévia do céu”. A principal sugestão de Kristie Kellahan é o pão de mel, “um bolo de mel com chocolate derretido”.

Livraria Cultura

“Para muitos viajantes, livros são a melhor lembrança. Esta livraria de três andares em São Paulo parece a caverna de Aladin”. Kristie conta um pouco sobre o início da Livraria Cultura, em 1947, e sua situação atual, com nove lojas, sendo a da Paulista a maior do ramo no Brasil. “Ela armazena mais de 2,5 milhões de títulos em espanhol, inglês, francês e português. José Saramago chamou-a de catedral dos livros, moderna, eficaz e linda”.

Casa das Rosas

Por ser uma das poucas remanescentes da época em que a Avenida Paulista era caracterizada por mansões, a Casa das Rosas foi declarada patrimônio público. “Construída em 1937 como uma casa, ela apresenta traços de Art Nouveau”. Kristie Kellahan sugere visitas às suas exposições de arte, concertos e peças que lá acontecem regularmente. “Ou apareça de qualquer maneira por seu jardim de rosas e sua aclamada biblioteca. É cultura por osmose”.

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O que o Chile vê de melhor em São Paulo – 1ª parte

SP em notícia pelo mundoEspecial de aniversário de São Paulo
Por Nathan Lopes

Em 17 de outubro de 2010, Rodrigo Cea, do jornal chileno “El Mercurio”, fez uma lista de dez dos “vários lugares agradáveis que vale a pena visitar” da capital paulista. “Lo mejor de Sao Paulo” é o título do artigo.

Aqui, no SP em notícia pelo mundo Especial de aniversário da cidade, está um resumo do dito por ele sobre cinco dos lugares presentes em sua seleção. Amanhã, aqui no EspelhoSP, a outra metade da lista.

10] Japón en Brasil” (Japão no Brasil)

“Com uma das maiores colônias japonesas do mundo, o bairro da Liberdade é um dos mais pitorescos de São Paulo”. Dessa forma começa o texto, que lembra o fácil acesso proporcionado pela linha do metrô. Cea também cita outras colônias do local, como as de chineses, coreanos e taiwaneses, os quais contribuem para a fama gastronômica da Liberdade. É o que basta para citar o restaurante Gombe e cafeteria Bakery Itiriki.

“Como a vida não é só comer, tenha em mente o Museu da Imigração Japonesa e o templo budista Busshin-Ji, ideal para um momento de tranquilidade”. Para terminar, fica como sugestão visitar o bairro durante a semana, “pois sábados e domingos o setor entra em colapso com a invasão dos turistas”.

9]Paraíso de las Compras” (Paraíso das compras)

O paralelismo está no fato de, por São Paulo ser a capital comercial da América do Sul, também figurar como um “paraíso das compras”. “Parta do Mercado Municipal paulistano – muito parecido ao Mercado Central de Santiago – e siga pela popular Rua 25 de março”. Rodrigo Cea também recomenda os finais de semana na praça Benedito Calixto, onde há uma “feria de las pulgas” [feira de antiguidades] ideal para comprar artesanatos e tem boas lanchonetes para aperitivos.

Para quem quer luxo, ele indica o shopping Cidade Jardim, onde estão as lojas mais exclusivas, “como a imperdível Daslu, que vale a pena conhecer além de seus inalcançáveis preços”.

8] Moda al día” (Moda em dia)

“A rua Oscar Freire é uma das mais sofisticadas e caras de todo o continente. Com lojas das marcas mais exclusivas, para muitos os preços só lhe permitem ir a uma cafeteria”. Uma delas é o Santo Grão, “para sentar e ver a passarela urbana com as mulheres mais lindas de São Paulo”. Para quem está com o bolso mais aliviado, a sugestão de Cea são as roupas da Osken ou os chinelos da Havaianas, típicos do Brasil.

7] Canto Grgoriano” (Canto gregoriano)

“Depois do barulho infernal provocado pelo tráfico da cidade entre segunda e sexta, nos finais de semana o centro de São Paulo é um oásis de tranquilidade”. E, para Cea, isso se nota principalmente no Monastério de São Bento aos domingos por volta de 10 da manhã, “quando se celebram suas famosas missas acompanhadas de canto gregoriano, entoado por seus próprios monges beneditinos”. “Mais que uma manifestação religiosa, com o tempo converteu-se em um acontecimento cultural, muito popular entre os paulistas, o que torna imprescindível chegar cedo para ter um assento”.

6] “Museo de colección” (Museu de coleção)

A dica de Rodrigo Cea é que, depois de um irrecusável passeio pela suntuosa Avenida Paulista, seria bom uma parada de algumas horas para conhecer o Museu de Arte de São Paulo, o MASP. “Com obras de artistas do nível de Botticelli, Cézanne, Chagall, El Greco, Goya, Matisse, Monet, Murillo, Rembrandt, Velásquez e Van Gogh, sem dúvida trata-se de um dos museus mais importantes da América do Sul, o qual, ademais, está localizado em um edifício que por si já merece uma visita”.

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Entendendo o espelho

Por Nathan Lopes

Quando nos foi pedido para criar um blog, a primeira ideia era a de ser um sobre São Paulo. Em seguida, veio nome: “EspelhoSP”. Iríamos falar de qualquer coisa que acontecesse aqui ou tivesse relação com a cidade. E para dizer a verdade, não me entusiasmei muito por isso. Eu me perguntava sobre o que de interessante poderia acontecer para ser assunto de um texto deste blog. Todo mundo fala sobre a capital paulista. Seja enfocando sua música, sua noite, seus parques, entre tantos outros assuntos comuns a uma metrópole gigantesca como esta. Só ontem, na hora do almoço, me caiu a ficha do que poderia ser o espelho proposto.
Caminhando pela Avenida Paulista, me deparei com algo inusitado acontecendo no vão do MASP. Havia oficiais do Exército das mais diversas patentes espalhados pelo espaço, que contava com centenas de cadeiras plásticas voltadas a um palco montado para a ocasião. Nele estava uma orquestra. Eles comemoravam o 65º aniversário do término da Segunda Guerra Mundial, na qual nossa armada atuou vitoriosamente.
Para quem vive em uma cidade caótica e inquieta – e que deixa sua população com as mesmas características, além de outras mais -, ninguém se lembra desse episódio da história brasileira. Mas basta um evento como este para fazer os apressados da Paulista pararem; pelo menos por alguns minutos durante seu almoço. Com certeza, eles não ficaram no vão do museu por causa da comemoração, mas pelo que animava ela, aquela orquestra. Esta, aliás, ao informarem-se corretamente, descobriram que era uma banda, a Banda Sinfônica do Exército.
Neste momento eu entendi o que motiva o “EspelhoSP”. Em que outra cidade pode-se esbarrar com uma apresentação dessas na hora do almoço em meio a todo aquele movimento? Onde se poderá ver uma banda sinfônica tocar “Aquarela do Brasil”, de Ary Barroso, ao mesmo tempo em que ela rivaliza com buzinas, sirenes, motores e tantos outros barulhos? Não deve ter sido fácil para o maestro Benito Juarez ouvir seu trabalho prejudicado por um ambiente que não combina com concertos. Porém, a satisfação sentida por ele e pelos músicos ao ver cada vez mais pessoas parando, como não querendo nada, para apreciar as músicas não poderá ser descrita e, muito menos, esquecida. Era impossível resistir ao que se ouvia naquele vão.
São Paulo é uma cidade que adora surpreender seus habitantes e visitantes. Em cada esquina, em cada rua algo diferente e inesperado pode acontecer. Às vezes, ele é bom, como no caso da comemoração. Outras, nem tanto. Quem gosta de ficar parado por uma manifestação que bloqueia o trânsito?
Aqui, vamos colocar São Paulo de frente para o espelho. E para isso contamos com três paulistanos, um paulista de São João da Boa Vista e uma paraense, que há pouco vivia em Curitiba. Vai ser interessante ver o que cada um de nós encontra pela cidade. Pode começar, no meu caso, por uma banda sinfônica tocando no vão de um museu acompanhada de músicos do trânsito. Agora entrei de vez no “EspelhoSP”.

Abaixo, vídeo com uma apresentação da Banda Sinfônica do Exército

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