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Amor disfarçado de amizade

Descansando de SP
Por Luma Pereira

Dirigido por Howard Zieff, Meu Primeiro Amor (My Girl) é um drama/romance norte-americano de 1991. O filme se passa em Madison – Pensilvânia, em 1972, e começa com Vada Sultenfuss (Anna Chlumsky) contando como foi a primeira vez que se apaixonou, aos 11 anos de idade, pelo grande amigo Thomas J. Sennett (Macaulay Culkin).

O pai da protagonista, Harry Sultenfuss (Dan Aykroyd) é um agente funerário viúvo que não entende as dúvidas da filha pré-adolescente. Quando Harry se apaixona por Shelly Devoto (Jamie Lee Curtis), maquiadora de defuntos com quem trabalha, Vada fica com ciúmes do pai. Então, ela se apóia na amizade de Thomas J., que posteriormente se torna seu primeiro amor.

Vada e Thomas se divertem muito durante o verão. Sobem em árvores, conversam, correm. O garoto é do tipo tímido e impopular, não tendo muitos outros amigos. Ele e a protagonista se identificam e passam a maior parte do tempo juntos. É numa dessas vezes que ambos se beijam pela primeira vez – a cena clássica do beijo inocente ao lado da árvore, perto do lago. Vada usa o anel do humor, moda nos anos 90, objeto importante no filme.

Inicialmente, a protagonista pensa amar o professor de inglês, Jake Bixler (Griffin Dunne), e chega a realizar um curso de poesia no verão apenas para impressioná-lo e poder ficar perto dele. Ela sofre quando descobre que o amado está noivo e que é impossível ocorrer um romance entre eles. Até perceber que gosta mesmo é do amigo Thomas.

Entretanto, o romance é substituído pelo drama quando o garoto é picado por abelhas – ele é alérgico a elas. Então, o tema da morte, que sempre esteve presente na vida de Vada devido à profissão do pai e ao falecimento da mãe, mais uma vez pode voltar a fazer parte das recordações da menina.

Meu Primeiro Amor se tornou um clássico do cinema mundial. A música tema da película, My Girl (1964), do grupo vocal The Temptations, tornou-se uma referência direta ao filme estadunidense. Além disso, a película ganhou o prêmio MTV Movie Awards na categoria de melhor beijo.

Mas não foi apenas a cena do beijo que se tornou conhecida e emocionou muito o público. Outra parte do filme também é responsável por causar lágrimas nos espectadores. Aquela cena em que Vada declama o poema que fez para a aula do professor Jake, intitulado Salgueiro Chorão – com referências aos momentos que passou com Thomas.

O primeiro amor de Vada marcou sua passagem da infância para a adolescência, fazendo com que ela amadurecesse. Aceitou o romance do pai com Shelly, aprendeu a lidar com perdas e fez novos amigos. Encontrou resposta para as questões que tinha, e também arranjou novas perguntas.

O filme estadunidense tem uma atmosfera leve que nos remete às pequenas importâncias pelas quais passamos na vida – as quais nos rendem lembranças marcantes. É de se desejar que a vida toda seja repleta de primeiros amores. Para Vada, o amor veio disfarçado da amizade de Thomas J..

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Escrita de paixão

Descansando de SP

Por Luma Pereira

Shakespeare Apaixonado é uma comédia romântica estadunidense de 1998, dirigida por John Madden. Ambientado no século XVI (1593), o filme conta a história de William Shakesperare (Joseph Fiennes), poeta e dramaturgo inglês que precisa escrever uma peça sobre um romance de fim trágico.

Porém, pressionado pelos patrocinadores do espetáculo e por si mesmo, o artista acaba encontrando problemas no processo criativo. Até que conhece Lady Viola De Lesseps (Gwyneth Paltrow), a qual se torna sua musa inspiradora, estimulando-o a escrever a famosa história de Romeu e Julieta.

Viola pertence a uma classe social privilegiada: a nobreza. Logo terá que se casar com Lorde Wessex (Colin Firth), para quem foi prometida. Porém, o sonho da jovem é ser atriz – algo proibido para as mulheres daquela época. Então, a fim de contornar os preconceitos, ela se disfarça de homem para poder atuar na peça de Shakespeare.

Juntos, ela e o dramaturgo ensaiam o espetáculo e acabam se apaixonando. Shakespeare conhece sua Julieta antes mesmo que ela seja escrita no papel. Apaixona-se tão intensamente por Viola, que vê naquele romance o amor sobre o qual gostaria de escrever. Assim, o protagonista se inspira e consegue continuar escrevendo o texto.

Quando a jovem atua para ele nos ensaios da peça, a realidade do rosto e dos gestos dela se confunde com a história ficcional que ele estava escrevendo. Assim, a cada toque e a cada palavra trocada entre ambos, Shakespeare se inspira e elabora uma nova passagem de Romeu e Julieta.

A princípio, o nome da peça seria Romeu e Ethel, a filha do pirata, mas logo o autor muda o título para Romeu e Julieta, como hoje é conhecida. É importante destacar que não se sabe se é verdade que o dramaturgo inglês tenha sido motivado por uma paixão própria para escrever a tragédia – Shakespeare Apaixonado é ficcional.

O filme venceu o Oscar de 1999 em sete categorias: melhor filme, melhor atriz (Gwyneth Paltrow), melhor atriz coadjuvante (Judi Dench), melhor direção de arte, melhor figurino, melhor trilha sonora de comédia/musical, melhor roteiro original. Shakespeare Apaixonado fez sucesso, pois abordou um tema do interesse da maioria das pessoas: o amor.

O protagonista empresta os próprios sentimentos verdadeiros para criar sua peça ficcional – a escrita é feita de paixão. Além de musa inspiradora, Viola se tornou, na película, uma personagem da vida real de William Shakespeare. Mais uma vez, a arte imitou a vida e fez de Viola não apenas a Julieta de Romeu, mas a amada do próprio dramaturgo inglês.

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O que a mente esquece o coração não sente?

Descansando de SP
Por Luma Pereira

Dirigido por Michel Gondry, “Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças” (Eternal Sunshine of the Spotless Mind, 2004) é um filme norte-americano do gênero drama.

Joel (Jim Carrey) e Clementine (Kate Winslet) interpretam um casal cujo relacionamento está em crise. Ele é do tipo reservado e metódico. Ela, extrovertida e impulsiva. Ambos são opostos que se atraem, complementam-se. Porém, facilmente podem ocorrer discordâncias. É por isso que a protagonista, farta das brigas, decide procurar uma clínica especializada em apagamento de memória, a Lacuna Inc.. Almeja esquecer Joel, eliminando-o para sempre das próprias recordações. Ao descobrir o que Clementine fez, ele também procura o doutor Howard Mierzwiak (Tom Wilkinson), a fim de apagar a amada da mente.

O filme se passa em dois planos diferentes: o da realidade e o da imaginação. Na clínica, os especialistas colocam em prática os procedimentos de apagamento de memória. Joel leva todos os objetos que lembram Clementine, para que a empresa mapeie seu cérebro, indicando onde estão as lembranças da ex-namorada. Identificadas essas memórias, elas são eliminadas por completo da vida do cliente. Entretanto, no decorrer do processo, o protagonista desiste de querer esquecer a amada, e tenta interromper a máquina de apagamento.

Já no plano da imaginação, é mostrado o interior da mente de Joel, no qual as cenas adquirem características surreais. Como quando ele e Clementina estão numa casa de praia, e, de repente, esta começa a desmoronar – uma representação daquela recordação se apagando. Ou na cena em que estão deitados no gelo, e ela é arrastada para longe dele. Há também outro exemplo, em que Clementina simplesmente desaparece na escuridão.

Joel, lutando contra o apagamento de memória da Lacuna Inc., corre com Clementina pelas próprias memórias, a fim de escondê-la do esquecimento. Leva a protagonista para lembranças das quais ela não faz parte, como as da infância, para que a amada permaneça em sua vida.

“Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças” coloca em discussão a função da memória nos dias atuais. Mostra que tanto as boas lembranças quanto as ruins são essenciais para o nosso amadurecimento. Não adianta querer apagar recordações que nos fazem sofrer, pois, de alguma maneira, elas contribuem para o nosso desenvolvimento na vida. Além disso, por mais que um acontecimento nos traga tristezas, o que deve ficar guardado em nós são as boas lembranças. São as únicas que importam. Pode-se até tentar eliminá-las da mente, como fizeram Clementine e Joel, mas o fato é que as memórias vivem em nós com outro nome: sentimentos. E esses, nem a filial mais competente da Lacuna Inc. conseguiria apagar.

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A Sete Chaves

Descansando de SP
Por Luma Pereira

A Vila (The Village) é um filme estadunidense de 2004, realizado pelo diretor Manoj Nelliattu Shyamalan, cineasta indiano naturalizado norte-americano. Conta a história de uma aldeia isolada, na Pensilvânia, cujos 60 habitantes convivem fora da civilização. Não há dinheiro, sendo que a produção é voltada para o próprio sustento e dividida entre todos.

Devido à violência que predomina nas cidades, escolheram viver desta maneira, em paz e harmonia. Além disso, realizam um acordo de jamais ninguém sair da vila, nem nunca deixar pessoas de fora entrar na mesma. Entretanto, em volta do local há uma floresta, na qual supostamente residem criaturas estranhas, que os moradores costumam chamar de “aqueles-de-quem-não-falamos”.

Os principais temas abordados no filme são o medo e a fuga. O enredo consiste num grupo de seres humanos que fogem dos receios e perigos da existência. Tentam criar um mundo ideal, fechado em si mesmo, supostamente livre de maldades – a vila. Querem formar uma sociedade perfeita.

Entretanto, ignoram a natureza humana, que em algum momento mostra as fraquezas, tendo, no mínimo, sete pecados capitais para cometer. Além disso, preferem viver o medo de mentira que têm das criaturas, em vez de enfrentar as imperfeições do ser humano – inerentes a nós. Os inomináveis do bosque representam o receio quanto ao exterior, supostamente justificado pela idéia do isolamento por segurança. Os habitantes da vila se fecham a sete chaves.

O filme de Shyamalan é também uma metáfora do mundo atual. Hoje em dia, fechamo-nos nas convenções sociais, ignorando tudo o que não faça parte delas. As convicções são intensas e tomadas como verdades absolutas, sendo que a diferença não é bem vinda. Inventamos medos para justificar nossas próprias atitudes e conduta. Idealizamos lugares para nos proteger. Vivemos como prisioneiros, em vilas particulares, as quais vão se limitando até formar um vilarejo individual. Como se a vila fosse a representação da vida em família, na qual supostamente não há perigos nem maldades de uns com os outros – há amor. E então, restringimos mais, e a vila passa a ser representada pelo nosso próprio corpo como propriedade pertencente a nós mesmos.

Além disso, na sociedade contemporânea, o medo nos acompanha o tempo todo, causando até mesmo patologias pós-modernas, como a síndrome do pânico, por exemplo. No enredo, o líder da aldeia, Edward Walker (William Hurt), e a conselheira Alice Hunt (Sigourney Weaver), cuidam para que nenhuma das pessoas se aventure pela floresta – para que não enfrentem o medo. Além disso, há na aldeia vigias que observam tanto se o lugar está seguro das criaturas quanto se nenhum habitante está tentando escapar. No mundo atual, a vigilância também é constante. Somos o tempo todo observados e monitorados – panóptico.

No decorrer da película, morre o filho de um dos dirigentes, August Nicholson (Brendan Gleeson), devido à falta de medicamentos. Lucius Hunt (Joaquin Phoenix), então, quebra o acordo e sai da aldeia em busca de remédios. Além disso, o jovem almeja ultrapassar os limites do lugar, a fim de explorar o desconhecido. Lucius é apaixonado por Ivy Walker (Bryce Dallas Howard), moça cega nascida no vilarejo, que também desperta o interesse de Noah Percy (Adrien Brody), garoto mentalmente desequilibrado. Quando Lucius volta ferido da aventura, é Ivy quem terá de enfrentar os medos e sair em busca de ajuda no mundo exterior.

Com um final surpreendente, A Vila nos faz refletir sobre o que seriam, para nós, as criaturas sobre-as-quais-não-falamos. A violência e os medos interiores de cada um, por exemplo, é que trancam as nossas próprias vilas. A personagem cega Ivy foi buscar os remédios para seu amado Lucius, e por amor enfrentou o medo das criaturas e do desconhecido – as fronteiras são imaginárias. E os monstros, são feitos de mentiras. É preciso sete chaves para abrir cada porta das nossas vilas – mas a fechadura será sempre apenas uma.

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Dança de todos os escuros

Descansando de SP
Por Luma Pereira

Dançando no Escuro (2000) é um drama musical dirigido pelo cineasta dinamarquês Lars Von Trier.

O enredo se passa nos Estados Unidos, em 1964, e a protagonista é Selma Jezková, interpretada pela cantora islandesa Björk. Imigrante tcheca, ela se muda para o país com o filho, Gene (Vladica Kostic), com quem mora num trailer localizado na propriedade do policial Bill (David Morse) e da esposa Linda (Clara Seymour). Selma sofre de uma doença que a levará a cegueira e, por isso, sente os acontecimentos da vida de maneira diferente.

Através principalmente do tato e da audição, ela consegue se comunicar. Também se expressa por meio das músicas que canta – pela voz – e da dança. O intuito da protagonista é juntar dinheiro para a operação de Gene, que tem o mesmo problema de visão e pode ficar cego, se não for tratado. Para tal, ela trabalha com a amiga Kathy (Catherine Deneuve) e o amigo Jeff (Peter Stormare) numa metalúrgica das proximidades, e guarda cada centavo que recebe para a cirurgia do filho.

Selma adora os musicais hollywoodianos, aos quais assiste com Kathy nas horas vagas. A amiga representa com os dedos, na palma das mãos da protagonista, os passos das cenas das películas. Pelo tato, Selma é capaz de contemplar os movimentos de dança dos filmes. Além disso, ela ensaia a peça The Sound of Music numa companhia de teatro. Mas a protagonista vai além, transportando para a própria vida o gosto pelos musicais.

Em várias cenas do filme, Selma entra num estado de fantasia, e imagina as situações como se fossem dança e música. Ela se ausenta da realidade e, no sonho, consegue se libertar do peso de certas ocasiões. Vê na leveza dos movimentos e no timbre da voz o escape para as dificuldades que enfrenta. Em uma das cenas, Selma está trabalhando na fábrica, e, de repente, para e ouve os sons das máquinas. Escuta ritmo naquilo, sendo que, na imaginação da protagonista, os personagens dançam e cantam ao som da canção Cvalda – música que ela percebeu nas engrenagens dos equipamentos e nos sons do ambiente. A protagonista encontra a fuga na música e na dança.

O sentido da existência, para ela, está na ação e no movimento. A vida acontece não em falas vazias nem em diálogos repetitivos, mas nas letras de ritmo, e em passos de coreografia definida. O par de Selma é a fantasia que ela inventa para não sucumbir ao absurdo que vive – quem tira a protagonista para dançar é ela mesma, inserida no próprio devaneio. E o palco pode ser qualquer um que não tenha chão. A libertação de Selma está no escuro, o qual para ela é apenas uma maneira diferente de observar o mundo – a luz está apenas vestida de cor preta.

No decorrer de Dançando no Escuro, Selma acaba sendo demitida da fábrica, e, posteriormente, é roubada por Bill, seu vizinho. Ele utiliza para pagar dívidas de jogo o dinheiro que ela estava juntando para a operação de Gene. Quando a protagonista vai prestar contas do furto, Bill acaba a ameaçando com uma arma. Porém, a protagonista não intencionalmente o fere com o revólver, e então é presa e vai a julgamento. Após a sentença, na prisão, ela dança em meio às grades e aos outros presos, retirando-se momentaneamente daquela situação terrível. Caminha a passos breves e dançantes para o destino ao qual foi condenada.

Lars Von Trier realiza as filmagens segundo o manifesto do Dogma 95, movimento cinematográfico que preza pela produção de películas mais realistas e menos comerciais. As cenas de Dançando no Escuro, por exemplo, são filmadas pelo próprio diretor dinamarquês numa câmera digital, para utilizar minimamente a tecnologia disponível. No Festival de Cannes de 2000, a película recebeu o Palma de Ouro, e Björk ganhou o prêmio de melhor atriz. No filme, o sonho se insinua para a realidade. O palpável e visível não mais se mostra à beira dos olhos, mas perto dos ouvidos, dos passos, da voz. Selma dança em todos os nossos escuros.

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Os outros quem são?

Descansando de SP
Por Luma Pereira

“Às vezes, o mundo dos mortos mistura-se com o dos vivos”

Fala da Sra. Mills no filme Os Outros.

Dirigido por Alejandro Amenábar, o filme Os Outros é uma produção hispano-franco-americana de 2001.

Durante a segunda Guerra Mundial, Grace Stewart (Nicole Kidman) se muda com os dois filhos, Anne Stewart (Alakina Mann) e Nicholas Stewart (James Bentley), para uma mansão na isolada ilha de Jersey, Inglaterra. Na nova residência, ela espera o término da guerra e o retorno do marido, Charles Stewart (Christopher Eccleston), que está em combate.

Entretanto, com a contratação dos três novos criados, a Sra. Bertha Mills (Fionnula Flanagan), o Sr. Edmund Tuttle (Eric Sykes) e Lydia (Elaine Cassidy), fatos incomuns começam a acontecer na casa. A película é uma adaptação do livro A Volta do Parafuso, de Henry James, publicado originalmente em 1898.

Devido à doença de Anne e Nicholas, a qual não permite que sejam expostos à luz do sol, a mansão tem que ficar todo o tempo na escuridão, isolada por pesadas cortinas. A penumbra e a constante iluminação com velas conferem ao filme uma atmosfera de suspense e medo, na qual a surpresa está no detalhe. A impressão é de que a noite nunca termina.

Além disso, Grace disciplina os filhos de maneira rigorosa. Eles têm que estudar a religião católica todos os dias, sendo que a protagonista afirma a existência do limbo, o qual ela descreve como um lugar de tormento. Grace os ensina também a nunca abrir a porta de um cômodo sem ter fechado a do anterior.

Entretanto, quando algumas dessas regras são quebradas, fatos estranhos acontecem. Por exemplo, o piano começa a tocar num quarto vazio e trancado. Ou quando Anne realiza desenhos de quatro pessoas que ela diz ver pela mansão: um homem, uma mulher, um garoto chamado Victor (Alexander Vince) e uma idosa, a Sra. Marlish (Michelle Fairley).

Os três criados ficam à espreita de Grace, Anne e Nicholas, e sabem mais do que aparentam sobre o que ocorre na casa. Eles são a chave do mistério. Ao longo do filme, Amenábar fornece ao público pistas da verdade sobre os moradores da mansão.

Tudo leva a crer na existência de intrusos na casa. Como numa cena em que Anne é vista por Grace com o rosto e o corpo de uma senhora, parecendo estar possuída pela idosa. Aparentemente, duas famílias convivem na residência, a de Grace e a da Sra. Marlish. Mas como saber qual delas ainda existe, e qual já não está mais lá?

Com um final surpreendente, Os Outros nos faz pensar que a nossa presença pode não ser a única no espaço que ocupamos. Pode ser até mesmo pretensão nossa pensar que estamos sozinhos. Quem são os intrusos: mortos ou vivos? Quem de fato são os outros?

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A Tropa ataca de novo

Por Nathália Soriano

“Tropa de Elite 2 – O Inimigo Agora é Outro” já é um sucesso com quase três semanas em cartaz. Aliás, antes mesmo de estrear, o filme brasileiro mais aguardado do ano já era um sucesso.

Para não acontecer o mesmo que o primeiro filme, quando uma cópia foi roubada e estima-se que mais de 11 milhões de pessoas tenham visto a versão pirata, o diretor José Padilha criou algo inovador no mercado brasileiro, distribuindo ele mesmo as cópias, além de ter um forte sistema de segurança por trás disso.

O melhor no filme fica por conta da atuação de Wagner Moura. Agora como Coronel Nascimento e Sub Secretário de Inteligência do Rio de Janeiro, dez anos mais velho, o personagem é mais maduro, mais denso, e ao combater o tráfico de drogas, revê o seu papel dentro do sistema.

Na verdade “o inimigo” são vários: os policiais corruptos, os políticos corruptos e, principalmente, as milícias.
O filme é menos violento e chocante do que o primeiro, mas a trama é melhor elaborada. Seguindo os passos de Nascimento, o público é levado para dentro do sistema, algo difícil de ser evitado, de fugir, de negar, “foda”, nas palavras do próprio Coronel.

Fui ver o “Tropa 2” no primeiro final de semana de estreia. Filas enormes, especulações e espera. Foi muito interessante ver a reação do público quando Nascimento bate em um político, por exemplo. São aplausos, gritos, a plateia entra em êxtase. Ele, até certo ponto, faz justiça com as próprias mãos, faz o que muita gente gostaria de fazer e por isso o Capitão/Coronel se tornou um (anti-) heroi tão aclamado pelo público.

Infelizmente, a grande maioria das pessoas que viram o filme param por aí. O filme acaba, a música toca, os créditos sobem. O cinema se esvazia e a reflexão acaba. Acaba?

“Tropa 2” foi lançado logo após as eleições. O que nos faz pensar: se fosse lançado antes, o resultado seria diferente? Lá no Rio, para governador, teria ganhado Sérgio Cabral? E, aqui em São Paulo, seria o Tiririca eleito com mais de um milhão de votos? Talvez sim, talvez não. Afinal é só um filme, e como um filme, mesmo tendo ideias e críticas tão claras, pode mudar um país?

Enfim, é um filme para fazer pensar. Com algumas semelhanças com a realidade, analogias, metáforas, e até uma dose de humor. Mas isso depende, é claro, de quem o está assistindo. O propósito pode não ter sido mudar o sistema (até porque “o sistema é foda parceiro”), mas apenas começar uma transformação na mentalidade de pelo menos algumas pessoas que o veem.

Deixando críticas e ideologias de lado, “Tropa de Elite 2” vale muito. Diálogos interessantes, grandes atuações, novos bordões, uso muito interessante da câmera – que segue os personagens – bom de ser visto e discutido. Então vamos deixar de “pombagirisse” e curtir logo o filme, que é o que interessa.

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