Arquivo da tag: entrevistas

ENTREVISTA: Noemi Nonato, vereadora do “Banheiro Família”

Por Nathan Lopes

Há duas semanas, o EspelhoSP mostrou [veja aqui] a proposta da vereadora Noemi Nonato (PSB) para que shoppings e supermercados paulistanos criem o “Banheiro Família”, de uso exclusivo das crianças de até 10 anos. Ela acredita que os pequenos são expostos “prematuramente a situações adultas que não estão preparados para entender”. Confira a entrevista, feita por e-mail, com a vereadora.

 

 

Quando a senhora percebeu a necessidade do “Banheiro Família”?

Recebi e-mails de meus eleitores e usuários do “Banheiro Família” no shopping Eldorado que gostaram da iniciativa e queriam ver esta medida implantada em outros shopping centers da cidade. Achei a ideia excelente porque eu mesma, quando meu filho era um pouco menor, já passei pelo constrangimento de levá-lo ao banheiro feminino enquanto fazia compras em um shopping.

A senhora acha que , em 90 dias, todos os shoppings e supermercados da cidade conseguem se adequar  à lei, caso seja aprovada? Não é um período muito curto para reforma?

Eu acredito que 90 dias seja um espaço de tempo razoável para se efetivar a reforma. Claro que há casos específicos que poderão dificultar a implantação, mas as empresas poderão argumentar junto a prefeitura e solicitar mais prazo mais longo quando for o caso, e a prefeitura poderá deferir ou não esta solicitação. De qualquer forma os detalhes poderão vir através de uma regulamentação da lei, o mais importante é que ela seja aprovada.

O valor da multa de R$ 5.000,00 não pode ser considerado baixo para essas empresas? Isso não dificultaria a realização das adequações previstas pela lei?

Creio que não, porque, além da multa dobrar em caso de reincidência, há ainda a possibilidade de suspensão do alvará de funcionamento. 

A senhora pensa em expandir o projeto para outros locais, como estádios, ginásios, centros de convenções?

Claro que sim, a ideia é implantar um modelo de atendimento ao público e que faça parte dos projetos arquitetônicos daqui para frente, sempre que o grande número de usuários no estabelecimento justifique a implantação.

A senhora acredita que a utilização do banheiro comum pelas crianças lhes é prejudicial? Por que a seria um constrangimento para elas?

Primeiro porque elas mesmas questionam o porquê de estarem entrando em um banheiro de sexo diferente. Também são expostas prematuramente a situações adultas que não estão preparadas para entender, além do risco de enviar uma criança menor de 10 anos desacompanhada a um banheiro pela própria violência que experimentamos na sociedade atualmente. 

Haverá multa caso o responsável utilize sua criança para usar o banheiro família ao invés de seu próprio sanitário?

Não está prevista nenhuma multa, mas eu acredito no bom senso das pessoas e também na sinceridade das crianças que acabariam inibindo tal prática, porque há sempre o risco de a criança informar a todos que não está com vontade de ir ao banheiro. Claro que pode haver um ou outro “espertinho” que usará esta prática, como há também quem leve uma criança de colo ao banco sem necessidade, somente para utilizar a fila especial, mas não é a regra.

1 comentário

Arquivado em Cidades, Política

ENTREVISTA: Francisco Cembranelli, promotor de Justiça

Por José Roberto Gomes Júnior, Priscila Pires e Raphael Scire

Hoje, o EspelhoSP publica a entrevista com o promotor de Justiça Francisco Cembranelli, como anunciado na semana passada em “Nós não somos insensíveis”. Ele fala sobre sua carreira, a relação com a imprensa, o caso Isabella, direitos humanos, entre outros assuntos.

 

A decisão de seguir a carreira como Promotor de Justiça partiu de interesse próprio ou através de alguma influência familiar? O que contribuiu para tal resolução?

Eu convivo com o Ministério Público desde pequeno, pois sou filho de promotor. Meu pai ingressou na Instituição quando eu tinha pouco mais de cinco anos de idade. Esse universo, portanto, sempre foi familiar para mim. Mas não só com meu pai, com amigos do interior também, aqueles que conviviam com ele no Fórum (juízes e outros promotores) e transitavam frequentemente pela minha casa. Sempre tive essa imagem do meu pai trabalhando com processos, chegando do Fórum, comentando com minha mãe o dia a dia.

Quando saí do interior e fui para São Paulo – e meu pai veio promovido para assumir uma das promotorias criminais da capital –, eu já tinha 15 anos e, claro, com todo esse exemplo e com a convivência, acabei direcionando o meu campo profissional para uma Faculdade de Direito, pois sabia que estava mais voltado para ela. Tinha uma ideia um pouco mais precisa da profissão e tinha a intenção de segui-la.

Quando me formei, meu pai me deu todo o apoio. Nos primeiros anos, ele ainda estava na ativa, me recepcionou muito bem na Instituição. Eu tive um bom exemplo em casa e foi assim que surgiu o interesse pela profissão de Promotor de Justiça. 

Diversos profissionais da área do Direito percorrem, por vezes, um caminho longo até alcançar um alto cargo dentro da Instituição. No caso do senhor, como ocorreu esse desenvolvimento até assumir a função de Promotor de Justiça?

No início, começamos nossas carreiras no interior. Depois se passa das cidades menores para as maiores, até se chegar, um dia, à capital.

Passamos no concurso público e somos mandados para fazer aquilo que é chamado de “Clínica Geral”, que é a atuação nas comarcas como Promotor Substituto.  Ou seja, trabalhamos com todas as áreas do Ministério Público. Mas, em determinado momento, como temos tudo muito setorizado, cada um escolhe a sua verdadeira vocação e acaba continuando a missão nessas áreas – no meu caso, no Tribunal do Júri.

Sou do interior, de São José do Rio Preto, mas morei em várias cidades. A última delas, antes de vir para São Paulo, foi Barretos – meu pai foi promotor lá durante cinco anos. Esse contato que tive com as cidades foi em decorrência da profissão que meu pai exercia. Quando ingressei na área, praticamente segui a mesma linha: também fiz carreira inicialmente no interior, passei por várias cidades da Grande São Paulo, dentre as quais Mogi das Cruzes, Suzano – cidades importantes na minha carreira profissional –, até que chegasse a São Paulo.

Há quanto tempo o senhor está em São Paulo?

Cheguei a São Paulo promovido em setembro de 1992, antes eu era Promotor Titular da 1ª Promotoria de Poá. Vou completar 18 anos como Titular de Promotoria do Júri em São Paulo.

Em sua opinião, quais são os maiores desafios e problemas que o senhor encontra dentro da promotoria?

Não vejo problemas, vejo dificuldades normais de se exercer um cargo importante, relevante, que lida especificamente com a área criminal e com muitos dramas vividos por pessoas vítimas da violência.

É um trabalho relevante, do ponto de vista social, que exige uma dedicação bastante grande. É necessário se atualizar, estudar e enfrentar várias ações de diversas naturezas, além de ter um conhecimento jurídico bastante aprofundado. É um constante aprendizado, e há uma dedicação extrema, pois a pessoa tem que mudar de cidade, atuar com comarcas bastante complexas, com muito serviço. É um universo bastante grande e que exige muito do profissional.

Em relação a esses dramas que o senhor mencionou, como deve ser a atuação de um Promotor para que eles não influenciem no próprio trabalho?

Isso é uma técnica que cada um tem. Eu tenho a minha. Claro que cada um tem a visão precisa da lei, pois é um profissional. Trabalha-se com os códigos, procura-se aplicar exatamente o que prescreve a legislação, seguindo rigorosamente a Constituição. Esse é o lado menos humano do trabalho.

Mas é claro que quando se tem contato com as pessoas envolvidas nos processos, principalmente com as vítimas, com os seus parentes, precisa-se também daquele necessário equilíbrio, do bom senso para poder trabalhar profissionalmente, mas sem nunca esquecer que há uma série de sentimentos em jogo. O importante é, acima de tudo, ter uma certa experiência, desenvolvendo-a, para poder desempenhar bem a missão.

Nós não somos insensíveis. Antes de ser promotor, eu sou cidadão, sou pai de família. Sou vítima da violência da mesma forma como qualquer ser humano. É necessário um equilíbrio mental, psicológico, para desempenhar a missão sem deixar que os sentimentos acabem prejudicando o trabalho. Não é fácil, mas todos nós, profissionais da área, temos que buscar isso.

Muitos desses dramas acabam ganhando repercussão na mídia, como ocorreu com o Caso Isabella Nardoni. Como o senhor lida com o assédio, principalmente agora, depois de todo o caso, da imprensa? Como é a relação da Promotoria com a imprensa?

Nos casos mais emblemáticos – e o Caso Isabella é um deles – é claro que o assédio é muito maior. As pessoas querem todo o tempo notícias, a divulgação de dados, que por vezes não são possíveis de serem divulgados. Eu respeito profundamente o trabalho da imprensa, entendo que ela deve exercer esse papel de informar. Sempre tive um relacionamento muito bom, salvo algumas exceções, principalmente durante o Caso Isabella, que foi tão procurado por toda a mídia, inclusive pela internacional. Tive vários contatos de correspondentes estrangeiros que queriam saber do andamento do processo. É um trabalho que entendo necessário e que procuro estabelecer uma relação cordial e respeitosa.

O senhor mencionou algumas exceções. Quais seriam?

Num caso como o de Isabella Nardoni, em que nos primeiros dias não se sabia ainda o que havia acontecido – ninguém tinha em mãos as perícias, o trabalho investigativo, os depoimentos corridos –, a imprensa correu atrás, querendo divulgar [essas informações] a todo custo. Claro que alguns excessos foram cometidos. Algumas notícias não correspondiam à realidade, e eu, muitas vezes, tive que desmentir. Havia uma louca corrida pela notícia.

Mas considerei normais esses excessos, porque nem mesmo nós tínhamos a compreensão perfeita do quadro que se estabeleceu para aquele caso. Compreendi perfeitamente e procurei dar as informações necessárias, pedidas por todos, a fim de que a população também fosse bem informada. A relação que tive com a imprensa foi a melhor possível e ela permanece até hoje. Acredito que eles [a imprensa] respeitam o meu trabalho, aprenderam a visualizar bem o papel da Promotoria e é assim que deve ser, não só em casos mais famosos, mas nos outros também, quando há procura pela informação.

O Caso Isabella Nardoni chocou o País e resultou numa explosão de matérias que tentavam explorar o assassinato e apontar eventuais culpados, além de destacar a atuação dos advogados. No julgamento do pai e da madrasta da menina, vimos a mesma cobertura. Qual a dimensão do caso, especificamente, na sua carreira?

É um caso de extrema repercussão. As pessoas se envolveram psicologicamente. Acredito que não houve na história jurídica do Brasil um caso que tenha sido tão divulgado, tão acompanhado, com um apelo probatório extremamente grande, que tenha despertado tanto interesse e comoção social.

Se disser que tratei do Caso Isabella e que ele representa para mim exatamente a mesma coisa que qualquer outro caso, estaria mentido. Claro que ele repercutiu, mas houve uma dedicação extrema, que costumo dispensar aos casos que passam por mim. Mas toda a divulgação fez com que a minha rotina de vida também fosse um pouco alterada: as pessoas passaram a cobrar informações, e passei a dar um tempo maior a essas informações que eram transmitidas.

Isso não significou meu afastamento dos demais casos que cuido. Nunca me afastei das minhas outras funções. Sempre fiz Júri, mesmo durante os momentos mais críticos do Caso Isabella. Estive em plenário tratando de outros casos. Não tive um auxiliar para me acompanhar, desenvolvi tudo sozinho. Claro, alterou a minha rotina, mas não o suficiente para abalar a qualidade do meu trabalho, que acredito que todos puderam ver. 

Além do Caso Isabella Nardoni, algum outro lhe marcou tanto em sua carreira?

Um que venha rapidamente à minha memória, que atuei há quase 15 anos, foi o de uma chacina de crianças numa cidade do interior: uma pessoa que tinha envolvimento com drogas acabou encontrando seis menores de idades variáveis entre 10, 12 e 13 anos, e determinou que cada um deles deitasse no chão, deu um tiro na cabeça de cada um deles, culminando com seis vítimas fatais. Foi difícil lidar com o sofrimento daqueles pais quando eles chegaram ao local da tragédia e muito sofrido para todos acompanhar o sofrimento daquelas mães, que não se conformavam com uma perda tão dramática assim.

Procurei atuar profissionalmente da mesma maneira. Abri o processo contra o acusado, que foi levado a Júri e condenado a quase 200 anos de prisão por essas mortes. Saí comovido com o sofrimento daquelas pessoas, mas certo de que havia feito o melhor e que havia conseguido uma condenação exatamente como me autorizava a lei.

Recentemente, outro caso brutal envolvendo mortes de crianças ocorreu na cidade de Luziânia, em Goiás. Crianças e jovens foram assassinadas por um serial killer, que foi preso, mas encontrado morto na própria cela algumas semanas depois. Sobre esse caso, o jornal O Estado de S. Paulo veiculou uma reportagem sobre eventuais falhas no Sistema Penal brasileiro, já que o tratamento adequado àquele serial killer, como o psicológico, por exemplo, não havia sido dado. Em sua opinião, o Sistema Penal apresenta falhas graves?

Não acredito que apresente falhas graves. Ele apresenta falhas como qualquer sistema penal de qualquer lugar do mundo. Há um discurso para que ele seja aprimorado, principalmente dito pelos operadores de Direito. Todos nós sabemos como o sistema funciona e quais são as suas falhas, e nós vivemos sempre tentando mudar para melhor. Não conheço profundamente esse caso, que foi tão divulgado pela mídia, mas isso [a morte do serial killer] acontece em qualquer lugar do mundo. Algumas pessoas acabam sendo soltas e depois se envolvem em outros crimes graves – são os chamados reincidentes.

Isso acontece até em países extremamente civilizados. Nós também não podemos culpar qualquer pessoa por esse desfecho. O que nós temos é que tentar aprender com isso, e, quem sabe, evitar que isso ocorra novamente. Afinal, nós temos uma lei e os juízes são conhecedores dela. Muitas vezes eles aplicam uma lei que acaba resultando numa grande tragédia. Mas nós precisamos talvez mudá-la, e não criticar o juiz que tem um instrumento, talvez, inadequado para dar uma resposta social.  

Atualmente, muito se discute sobre os avanços em torno dos direitos humanos, ilustrados por planos governamentais como o Programa Nacional de Direitos Humanos – 3, cujo objetivo é passar à opinião pública a noção de igualdade e respeito entre diversos grupos que vivem no Brasil. Qual sua avaliação sobre os debates em torno dos direitos humanos no País?

Entendo que as pessoas, muitas vezes, se confundem quando aparece alguém dizendo que está defendendo os direitos humanos, pois acabam achando que se está defendendo os direitos humanos também daqueles que infringem a lei. Esses também precisam de uma defesa. Não podemos apenas estabelecer essa visão maniqueísta de que só os bons merecem a aplicação dos direitos. Até mesmo aqueles que infringem devem ter condições de uma “ressocialização”, de um cumprimento adequado de suas penas, para poder, no futuro, serem reinseridos no meio social. Isso ainda, infelizmente, está engatinhando no Brasil, e ao que assistimos muitas vezes são notícias de desrespeito a direitos fundamentais básicos a qualquer cidadão.

Vimos, também, o envolvimento de policiais em crimes bastante graves. E os policiais são pagos pela sociedade, têm que zelar pela sua defesa. Eles mesmos acabam infringindo [os direitos humanos], o que repercute na vida do próprio cidadão.

Lamentavelmente a aplicação desses direitos básicos sociais, a que cada um de nós faz jus ainda no Brasil, precisa ser muito discutida, aprimorada, precisa haver uma conjugação de forças entre o Governo e aqueles que atuam na área – ONGs, organizações que tentam melhorar a vida de cada um de nós, para se chegar a uma posição de país de primeiro mundo. Isso é o que sabemos, fora aquilo que não é divulgado, que se constitui como violação dos direitos mais básicos dos seres humanos.

Deixe um comentário

Arquivado em Cidades

O novo no que é novo

O carioca Felipe Absalão ganha fama no stand-up, o gênero humorístico que mais tem conquistado nos últimos anos  

Por Nathan Lopes 

Um dos jovens humoristas do país, Felipe Absalão tem se destacado no stand-up. Foi este gênero humorístico que o levou à televisão. Ele ficou conhecido do grande público ao aparecer no quadro “Pistolão”, do “Domingão do Faustão”, no qual um famoso apresentava uma atração de que havia gostado para o Brasil inteiro. Sua pistoleira era a atriz Márcia Cabrita. Por causa dela, a imitação de Antônio Fagundes deixou de ser vista por centenas para chegar a milhões. Esta virou sua marca, assim como as de Selton Mello e Alexandre Frota. 

Mas ele tem mais a mostrar. São suas observações do cotidiano, típicas da comédia que precisa apenas de um microfone e, claro, um humorista. “Celular de novela: aquilo lá pega até no oceano”, foi uma de suas tiradas. Elas lhe proporcionaram vários convites para apresentar-se em palcos de stand-up em São Paulo, como o “Comédia Ao Vivo”.   

Nesta entrevista ao EspelhoSP, Absalão faz uma análise do gênero stand-up, que, segundo ele, tem um grande motivo para ter dado certo no Brasil.  “Qualquer lugar que tenha um microfone e um foco de luz está apto a receber um show de stand-up. Se tornou um grande negócio”, comentou o humorista. Claro que esse cenário de nada serviria sem a criatividade dos comediantes. E a de Felipe Absalão o coloca como um dos novos nomes do gênero que só tem crescido no país. 

 

– O que o stand-up tem que os outros estilos humorísticos não tem? 

O estilo. No stand-up existem “regras” que devem ser respeitadas. Por exemplo: cada um escreve o seu texto, não pode usar piadas conhecidas, como as de português, de papagaio, não pode usar trilha sonora, cenário, personagem, iluminação especial… Nada! É apenas o ator, seu texto e um microfone. 

 

– Qual é a vantagem dele?
A vantagem é que, por não ter cenários, iluminação e outros recursos, se torna um show “fácil” de montar, pois não exige investimentos e nem depende de patrocínio. Qualquer lugar que tenha um microfone e um foco de luz está apto a receber um show de stand-up. As empresas também saem ganhando ao contratar este tipo de show porque ele não exige uma preparação inicial. Se tornou um grande negócio.
 

– O stand-up, então, pode ser considerado um gênero teatral?
Claro que sim. Embora seja um estilo mais coloquial – como um bate papo com a plateia -, existe um texto e uma interpretação dele. Além de estar em cartaz em teatros.
 

 

– Você e seus colegas têm conseguido lotar teatros, algo que atores consagrados há muito tempo não vinham. Há algum preconceito no meio artístico por causa disso?
Não, pelo contrário. Eles vêm assistir ao show, gostam e voltam. Muitos têm conversado comigo querendo experimentar o estilo. Eu dou a maior força. O Bemvindo Siqueira, por exemplo, tem se apresentado comigo e hoje é um grande amigo. Eu sempre tive um retorno muito carinhoso de todos que prestigiaram meu trabalho.
 

– Qual é a diferença de um show de stand-up em São Paulo e de um no Rio de Janeiro? É o tipo de piada, o tempo da piada? Ou o público pede basicamente a mesma coisa?
A diferença vem dos atores. Cada um impõe seu estilo e sua linha de textos. Como o stand-up fala sobre o cotidiano, provavelmente vamos ver muitas piadas regionais. Rio de Janeiro com as praias e São Paulo com o trânsito, por exemplo. O ideal é sempre o ator buscar adaptar seu texto quando vai se apresentar em outras cidades. O público é o mesmo em qualquer lugar, ele quer rir, o riso é universal. Se não rirem pode ter certeza de que a culpa é do ator e não da platéia. O público sempre busca um show de humor para rir.
 

– O stand-up é um gênero mais masculino do que feminino em relação aos humoristas? E em relação ao público?
Não. Como ele fala do cotidiano, mulheres são sempre bem vindas. O que presenciamos é uma quantidade muito pequena de mulheres experimentando o stand-up. Deveria ter muito mais. Por isso, o estilo é naturalmente masculinizado. Eu sempre gosto quando tem mulheres dividindo o palco comigo. Assim, se tem uma visão do universo delas.
 

– Em entrevista ao “EspelhoSP”, a atriz Fabiana Karla disse que não gosta muito de stand-up pela quantidade de palavrões que é dita. Essa é uma característica do estilo ou é o público que pede por isso?
Palavrão não é uma característica do stand-up, mas faz parte. Ela pode ter assistido a um show com um ator que falou muitos palavrões. Tem plateias que gostam e outras que não. O ideal é o ator ter um bom número de textos e, ao perceber a linha que o público está gostando mais, seguir por ela.
 

– Por que demorou para o gênero chegar aqui? Afinal, nos Estados Unidos, ele é consagrado há décadas.
A demora foi apenas por questões culturais. No Brasil, estávamos acostumados com um outro tipo de show. Foi a chegada do seriado Seinfeld que alavancou o gênero por aqui. Seinfeld foi um grande divisor de águas no stand-up brasileiro.
 

– Você tem visto alguma transformação no stand-up brasileiro nos últimos anos?
Não transformação porque está muito recente por aqui. O que vejo é um crescimento de público e de atores.
 

– Apresentar-se sem ter um personagem: isso é uma vantagem ou uma desvantagem?
Não vejo como desvantagem e sim como um desafio. Se não gostarem de um personagem, não gostaram do personagem. Se não gostarem de você, não gostaram de você. É mais desafiador entrar com a “cara limpa”.

1 comentário

Arquivado em Teatro

Opiniões sobre o “lento” problema de São Paulo

Por José Roberto Gomes Júnior

 

 

A construção do Trecho Sul do Rodoanel, o anel viário que promete desafogar o trânsito de São Paulo, e a ampliação da Marginal do Tietê, principal via do tráfego paulistano, já surtiram alguns efeitos positivos para a vida do motorista da capital do estado. No entanto, ainda não é o suficiente para a maior cidade do País, que quase sempre registra uma média em torno de 100 quilômetros de congestionamento nos horários de pico (de manhã e à tarde). Além disso, o sistema de transporte metropolitano, composto pelos trilhos do Metrô e da CPTM, não atingem todas as regiões da capital, o que contribui ainda mais para o caos nas ruas e avenidas verificado em certos dias.

Mas o que dizem os personagens que, infelizmente, participam desse trânsito? Têm alguma sugestão para acabar com esse tráfego cada vez mais complicado? Leia abaixo três entrevistas realizadas com pessoas que, diariamente, utilizam o próprio carro para seus afazeres e já passaram por situações em que o trânsito na cidade está um verdadeiro caos.

 

LUIZ GUSTAVO MARTINS – TAXISTA

Como você caracteriza o trânsito de São Paulo? Qual sua opinião sobre ele?

O trânsito da capital… Não sei… Muito ruim. Muito ruim e não tem organização. Têm carros que estão no rodízio, mas furando o rodízio. Acho que esse sistema de rodízio tinha que mudar. Pra gente, que é taxista, é muito difícil. Muito difícil mesmo. Cada dia é pior, né?

Por quê?

Porque o pessoal não respeita o rodízio. E o próprio motorista não respeita a sinalização, como o sinal vermelho. Na [Avenida] Paulista, o sinal fecha e o pessoal ainda passa, ultrapassa. Também não respeita a faixa de pedestres, nem as calçadas.

Você acredita que a sinalização é empregada corretamente ou que apresenta inadequações, “deficiências”?

É deficiente. Também têm os agentes de trânsito, que têm a função de educar os motoristas. Mas não o fazem. Um rapaz da CET conversou comigo e, ao invés de me tratar com educação, maltratou-me.

E em relação aos outros meios de transportes, como o Metrô e a CPTM, você acredita que eles são eficazes?

Sim, são eficientes. É… Na hora de pico, é complicado, pois tem muita gente. E, também, faltam vagões, faltam trens. Mas, mesmo assim, esse transporte é bom.

 

MARIA APARECIDA DE LOURDES – PROFESSORA

Como você caracterizaria o trânsito de São Paulo?

O trânsito está um caos. Se não for feito alguma coisa, tudo vai parar.

Essa “alguma coisa” a que a senhora se refere, em sua opinião, seria o quê? A nova Marginal do Tietê pode ser um exemplo?

Há a necessidade de se retirar alguns carros do circuito, sem dúvida.

E sua opinião a respeito dos outros meios de transporte da cidade?

Na verdade, eu não os utilizo. Mas acredito que eles deveriam ser melhorados. Principalmente os ônibus. Se fossem confortáveis como os da Europa, muitas pessoas os utilizariam…

E o que você diz a respeito das motos? Você considera um problema para a cidade?

Não resta a menor dúvida. É problemático. Mas deveriam ser feitos estudos que beneficiassem a todos, pois os motoqueiros também precisam trabalhar.

 

MARIANA TAVARES – ALUNA

Qual sua opinião a respeito do trânsito de São Paulo?

Bom, como a maioria das pessoas, considero esse trânsito muito caótico, com excesso de carros, falta de vias, transporte público de péssima qualidade e com tarifas elevadas. Digo isso pois o utilizo. É um caos mesmo.

Quais meios de transporte público você considera como “deficientes”?

Os ônibus, principalmente, pois ocupam muito espaço nas vias e sua quantidade não é suficiente. Por isso é comum encontrarmos ônibus lotados e pontos muito cheios. Além disso, o Metrô e os trens não chegam a alguns pontos de São Paulo, o que é ruim.

Qual seria sua proposta para solucionar esse problema do trânsito de São Paulo?

Minha sugestão seria aumentar a rede da CPTM e do Metrô e dificultar a aquisição de carros por parte da população.

Como dificultar essa aquisição?

Não sei muito bem… É muito fácil conseguir um carro hoje através das várias prestações oferecidas. Acredito que esse seja o problema. Mas o transporte público deveria ser melhor, pois isso faria com que as pessoas deixassem de utilizar seus automóveis. Uma coisa leva à outra.

Deixe você também seu comentário sobre o trânsito na cidade de São Paulo!

Deixe um comentário

Arquivado em Cidades