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Construtora chilena chega à SP mirando classes média e baixa

SP em notícia pelo mundo
Por Nathan Lopes

Nas últimas semanas, São Paulo apareceu no noticiário internacional através da chegada de uma construtora chilena à cidade, dos empregos na campanha eleitoral e da resenha sobre o documentário “Sequestro”, de Jorge W. Atalla.

Confira as matérias na íntegra clicando no nome do jornal, abaixo das manchetes.

“Paz Corp. inicia venta de su primer proyecto en Brasil en 2011” (Paz Corp. inicia a venda de seu primeiro projeto no Brasil em 2011)
El Mercurio (Chile)13 de setembro de 2010

A matéria fala sobre a construtora chilena, que começou a venda dos 260 apartamentos do edifício de 25 andares que construirá no centro de São Paulo. A comercialização será feita pela brasileira Itaplan. A Paz Corp. está em uma “joint venture” com a nacional Engelux. A parceria foi firmada para 18 meses e busca lucros de 75 milhões de dólares em projetos imobiliários no Brasil. O público alvo são as classes média e baixa. Depois desta primeira etapa, as empresas pretendem investir na região da Grande São Paulo e Campinas. O gerente geral da empresa chilena Mario Navarro disse, à jornalista Claudia Ramírez, que ela está trabalhando para crescer no Brasil e fazer mais projetos. “Não viemos para apenas um projeto”.

“Elecciones con menos paro” (Eleições com menos desemprego)
El País (Espanha) – 12 de setembro de 2010

Correspondente do jornal espanhol no Rio de Janeiro, Francho Baron diz que “o Brasil é uma máquina de criar empregos que funciona a todo vapor”. Aponta a criação, no ano passado, de mais de um milhão de empregos. A relação com as eleições aparecem na ajuda que dará ao Produto Interno Bruto (PIB) este ano, cujo crescimento deve ficar entre 7% e 8%. “A campanha eleitoral brasileira se converteu em uma inusitada ferramenta para reduzir o desemprego”.

São Paulo tem presença na matéria através do candidato ao governo estadual Aloizio Mercadante, do Partido dos Trabalhadores (PT). “Somente sua equipe de campanha emprega 700 pessoas durante o período eleitoral. Uma quantidade insignificante perto das 800.000 que trabalham dia e noite em todo o país para que a candidata do PT, Dilma Roussef, conquiste a presidência”.

O texto termina falando das causas do aquecimento do PIB em função das campanhas. “Desde a indústria têxtil ou os fabricantes de cartazes e panfletos até as empresas de aluguel de equipamentos de som, veículos, produção de eventos ou elaboração de pesquisas”.

“Retrieving Hostages in Brazil” (Resgatando reféns no Brasil)
The New York Times (EUA) – 9 de setembro de 2010

“Um documentário como ‘Cops’, mas com menos bêbados”. É assim que Jeannete Catsoulis, no “Movie Review”, do “The New York Times”, definiu “Sequestro”, que registra operações da divisão anti-sequestro da polícia de São Paulo.

O texto destaca que em 2000, ano de criação da divisão, quinhentos dos dezoito milhões de habitantes da cidade foram oficialmente seqüestrados.

Catsoulis lembra que ver o resgate de um garoto de 14 anos em estado de choque ou a imagem borrada dos dedos de um morto constantemente lembram o público “do que está em jogo”.

O filme estava entrando em cartaz em Nova York e Los Angeles. 

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Arquivado em SP em notícia pelo mundo

O que você nunca esperou encontrar em um sanduíche?

Por Nathan Lopes

Eu nunca esperei encontrar uma fruta em um sanduíche. No Chile (prometo, é a última vez), tem algo verde em alguns lanches. Geralmente, os que eles chamam de “italianos”. De longe, eu não conseguia identificar muito bem o que era aquilo. Mas para que saber? O preço estava muito bom. Sanduíche, batata frita e refrigerante pequeno por algo como seis reais, uns dois mil e quinhentos pesos chilenos.

Veja o “Doble Italiana” do Burger King Chile em seu site

Assim que dei a primeira mordida, me lembrei do que me haviam avisado e eu havia esquecido: eles colocam abacate no sanduíche. Até que é bacana. Não é a melhor coisa do mundo na minha opinião, mas também não é a pior. Tem que experimentar para saber.

Por causa desta situação, está aberta a enquente da semana (e talvez das próximas; enfim, até uma outra surgir): o que você nunca esperou encontrar em um sanduíche?

Ah! E só como curiosidade: no Chile, o ketchup forma sua dupla sertaneja com maionese; nada de mostarda.

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Arquivado em Cidades, Gastronomia

Conhecendo Santiago pelo transporte

Por Nathan Lopes

O sistema de ônibus e metrô reflete o cotidiano da cidade

O horário de funcionamento do transporte de uma cidade é uma forma de conhecê-la. O metrô de Santiago, durante a semana, funciona das 6 às 23 horas. E ao longo de todo esse tempo ele está lotado. Pela manhã e no começo da noite é uma missão quase impossível embarcar. Parece que a população inteira levanta ao mesmo tempo e vai para casa descansar na mesma hora.

Um dos trens do metrô de Santiago

Um dos trens do metrô de Santiago

Santiago não é uma cidade de vida noturna. Mas nem por isso deixa de tê-la. Ela acontece no bairro Bellavista e na Avenida Manuel Montt. São bares, pubs, pizzarias, karaokês e discotecas. Encontrar pessoas nas ruas durante a madrugada é possível apenas nessas regiões. E, ainda assim, somente nas proximidades dos carretes, as baladas deles. Anda-se um e outro quarteirão mais distantes e logo se está em uma região erma.

A sensação desértica aumenta em quantidade expressiva aos domingos. Nada está aberto na cidade. O metrô, para se ter uma ideia, só abre às 8 horas. Os chilenos são muito religiosos e respeitam o primeiro dia da semana como o do descanso. Achar um lugar para almoçar, jantar, sair para conversar passa a ser uma aventura. É preciso desbravar Santiago. O domingo ganhou um apelido entre os jovens: fomingo. Fome, para eles, é “chato”. 

Os trens do metrô de Santiago usam pneus

Os trens do metrô de Santiago usam pneus

E mesmo aos domingos o metrô está cheio. A rede metroviária cobre grande parte da cidade e os trens tornaram-se o principal meio de locomoção na cidade.

A questão é que o horário de pico durante a semana é muito maior. Às 20 horas ainda há dificuldade para embarcar. Para ajudar, os trens deles não são tão rápidos como os de São Paulo. A velocidade do metrô de Santiago equipara-se à da nossa CPTM, inclusive na qualidade e espaço das composições. Se aqui a recomendação é ir para o corredor, lá este praticamente não existe. Por outro lado, os vagões são interligados, o que facilita um mínimo que seja de dispersão. 

Do metrô também dá para ver a onipresente cordilheira

Do metrô também dá para ver a onipresente cordilheira

Se embaixo da terra a situação não é boa, por cima tudo parece mais tranquilo. Congestionamentos, se ocorrem, são consequência de algum acidente. Também não se vê nenhum ônibus fantasiado de lata de sardinha. Sobre estes, cabe um aviso. Os “bus” só aceitam BIP, uma espécie de Bilhete Único, mas que não tem a mesma função. Ele funciona como um cartão de crédito, tirando o dinheiro de dentro dos veículos e diminuindo os roubos. Os ônibus não têm cobrador nem catraca, apenas um aparelho em que se passa o BIP. 

O metrô de Santiago acaba servindo para as locomoções mais longas e distantes enquanto os outros veículos, para deslocamentos mais curtos. Com o transporte fluindo bem – apesar da lotação, no caso do metrô -, a capital chilena consegue ir para onde quer sem perder tempo no trânsito. E descansar bem aos fomingos, digo, domingos.

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Atravessando de olhos fechados

Por Nathan Lopes

No trânsito de Santiago, a preferência é do pedestre

Olhar para a direita. Agora para a esquerda. Ih, lá vem um carro. Preciso esperar ele passar para atravessar. Ué, mas ele parou. Posso ir? Opa, obrigado.

Esta cena aconteceu comigo na primeira vez em que fui cruzar uma rua de Santiago, a capital chilena. O trânsito deles respeita o pedestre, o “Sr. Peaton”, como está escrito em muitas placas próximas dos semáforos. Trata-se de uma cidade pensada não apenas para se locomover de carro, ônibus ou metrô, mas a pé, quero dizer, “a pata”.

Foto: "Viaje na Viagem"

Foto: "Viaje na Viagem"

É estranho pensar em ter a preferência no trânsito quando se está acostumado a esperar todos os automóveis passarem para poder colocar as pernas em movimento. A cada esquina, aparece pintado no asfalto um triângulo, o símbolo que, na nossa legislação de trânsito, significa justamente “dê preferência”. Em São Paulo, este sinal tem efeito somente para os veículos; no Chile, é, prioritariamente, para as pessoas. Assim que o motorista vê o pedestre aproximar-se da área delimitada para a travessia, ele diminui a velocidade para que o cruzamento aconteça. Depois de uns dois, três dias, nem se precisa mais incomodar em verificar a vinda de um veículo. Pode-se atravessar tranquilamente, com toda a segurança e confiança que aqui não se imagina. Aliás, todas as ruas possuem faixa de pedestres.

Outra característica do trânsito de Santiago está na travessia das pessoas quando há um cruzamento de ruas. Quando a via na perpendicular do “Sr. Peaton” tem sinal verde para o trânsito, a luz vermelha está acesa para ele e os carros da rua em sua paralela. Agora, quando o movimento desta é liberado, o mesmo acontece para os pedestres. Ou seja, o carro tem permissão para entrar à direita ou à esquerda ao mesmo tempo em que o pedestre pode caminhar. Porém, o motorista só poderá fazer isso assim que todo “Sr. Peaton” já tiver atravessado. Em São Paulo, esse sistema funciona de forma mais egoísta. Primeiro, só os carros de uma rua podem seguir seu caminho. Depois, apenas os da outra rua. Aí, sim, o pedestre pode atravessar. Mas correndo porque tem somente alguns segundos para isso. Afinal, os motoristas já ficaram impacientes com a interrupção no trânsito de seus veículos para as pessoas passarem.

O respeito ao pedestre não acontece apenas nas ruas de bairro, de menor movimento. Ele se estende às grandes avenidas. Sem exceção. E o fluxo no trânsito dos automóveis não é prejudicado. Assim que termina a travessia das pessoas, todos os carros que aguardavam conseguem continuar seu trajeto. Não há perdas para ninguém.

Esse já é um costume de muito tempo em Santiago. Faz parte da cultura da cidade. Mesmo assim, os chilenos acreditam que o trânsito deles é caótico. Mas pensam assim pela quantidade de veículos nas ruas, que já quase não oferecem lugar para estacionar. Fora isso, não têm do que se queixar. O governo, inclusive, investe muito em estacionamentos subterrâneos. Se você quiser deixar seu carro embaixo do palácio La Moneda, fique à vontade. Outros já estão em construção em função da demanda. E eles não tiram das calçadas mais que o mínimo do espaço necessário. Afinal, as pessoas precisam continuar a andar.

Observe o caótico trânsito de Santiago em uma tarde de segunda

Observe o caótico trânsito de Santiago em uma tarde de segunda

O respeito é a marca do trânsito de Santiago, um município que deixa seus pedestres andarem em uma mesma velocidade durante todo seu caminho e não os fazem correr entre uma esquina e outra para que não sejam atropelados. E pode até atravessar de olhos fechados. Se quiser, é claro.

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