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A sorte de Simone Gutierrez estava na capital

Perfil paulista
Por Raphael Scire

Simone Gutierrez é uma artista completa: além de atuar, canta e dança. Bailarina clássica de formação, essa paulista de Ribeirão Preto sempre se entregou de corpo e alma a tudo o que se propôs fazer. Nos anos 2000, saiu da casa dos pais e veio tentar a sorte na capital. No começo, trabalhava na parte de eventos de um restaurante, onde pôde colocar em prática seus dotes artísticos, já que os garçons também eram cantores.

Ter uma formação completa, acredita Simone, é essencial para o trabalho de atriz, algo bastante requisitado em musicais. “Há uma cultura de musical em crescimento aqui no Brasil.” Lamenta, no entanto, que não haja escolas de interpretação que foquem nessa formação ampla. Ela mesmo nunca chegou a estudar canto. “Quando comecei a cantar, foi porque eu precisava. Eu tive a sorte de ser uma pessoa afinada, minha voz não tinha técnica nenhuma.” Simone credita aos musicais que participou o processo de aprimoramento do canto.

O primeiro papel que teve foi em “Hairspray”, montagem do ator e diretor Miguel Falabella para a peça da Broadway. Ela começou com o pé direito, já como a protagonista Tracy, uma garota baixinha e gordinha que tinha o sonho de se tornar estrela de um programa de televisão. “Antes, fiz outros musicais, mas apenas como coro”, conta. A participação em outros espetáculos do gênero lhe deu bagagem e experiência. “Aproveitei para aprender toda a técnica dos musicais, que é bem específica. Você, além de atuar, canta e dança.”

Simone, como qualquer outra atriz, teve de passar por uma bateria de testes, que duraram duas semanas, e deixou para trás 2 mil candidatos. Antes mesmo de saber se seria aprovada, tomou a decisão de engordar 20 quilos, apenas para os testes. “Logo eu, que sempre batalhei para ser magrinha!”

Com o papel garantido, entrou de cabeça no universo da personagem. De todas as Tracies encenadas nas montagens pelo mundo, a dela foi a mais baixinha – Simone tem 1,50 metro de altura –, a mais gordinha e a que mais dançava. Logo, chamou a atenção do coreógrafo americano que cuidava dos passos encenados na peça, bem como do público. “As pessoas saíam do espetáculo e me perguntavam: ‘Como!? Você é gordinha e faz tudo isso!'”, recorda. “A Tracy foi o divisor de águas da minha carreira.”

Televisão. Aos 34 anos, ela encara seu primeiro papel de destaque na TV, a secretária sem falas Lurdinha, na novela “Passione”, de Silvio de Abreu. Antes disso, porém, Simone já tinha atuado na televisão em papéis menores e sem tanto destaque, na novela juvenil “Malhação” e no humorístico “Zorra Total”. Tudo em função de sua atuação em Hairspray. “Na minha vida, eu fui tendo as oportunidades e fui abraçando. Nessa profissão, a gente conta um pouco com a sorte.”

O convite para encenar a secretária Lurdinha na novela partiu do próprio autor, que a viu no teatro estrelando o musical. A personagem foi criada especialmente para ela. “Quando assisti a Hairspray, lamentei não ter um personagem para ela”, revela Silvio de Abreu. Mas com o desenvolvimento dos capítulos, conta, ele percebeu que poderia criar algo especialmente para Simone.

Inicialmente, sempre que a personagem fosse falar, seria interrompida por alguém. Mas a Lurdinha de Simone foi conquistando o público de tal forma que já ganhou as primeiras falas. Ela, então, revelou-se uma verdadeira matraca, justificando o porquê de os outros personagens com quem contracena sempre a impedirem de abrir a boca. Ironicamente, revela que falar foi o mais difícil: “São textos enormes, que eu tenho de falar rápido, sem erros.”

Além disso, a ficção começa a imitar a realidade: a personagem já passou a fazer testes para participar de um musical, no qual poderá dançar e cantar. “Tomara que ela fique famosa e vá para a Broadway”, torce Simone

Modesta, a atriz acredita que o sucesso de Lurdinha é também por conta da equipe técnica da novela e de seus parceiros em cena, como Francisco Cuoco e Irene Ravache. “Se eu não estivesse cercada de pessoas tão talentosas, tão generosas, acho que a personagem não faria tanto sucesso”, opina.

Por conta das gravações, viu a sua rotina ser completamente alterada e, hoje, praticamente vive na ponte aérea Rio-São Paulo. O assédio do público também aumentou. Ao final desta entrevista, num shopping de São Paulo, uma garota chegou até a mesa com um guardanapo na mão e pediu um autógrafo a ela.

Prontamente, a atriz atendeu ao pedido da fã, de quem ouviu: “Fala para ela ficar com o Mimi, tá?” A moça fazia referência ao personagem de Marcelo Médici na trama, com quem Lurdinha começa a ter um relacionamento amoroso. Mas será que é isso que Simone quer para a sua personagem? “Ah, eu quero!”, revela, com um largo sorriso no rosto.

Passado e futuro. Nem tudo foram flores na carreira de Simone. Assim que chegou a São Paulo, ela deu duro para conseguir se estabelecer. “O primeiro ano foi o mais difícil, até eu conseguir um emprego e me sustentar.” Ela relembra com bom humor momentos que deixariam qualquer um desesperado, como o fato de ter dormido em uma casinha de cachorro.

Simone alugava um quarto na casa de uma senhora, mas um dia esqueceu a chave da porta e, quando chegou, ficou fora da casa. Para completar, chovia. Sem querer incomodar a proprietária, ela olhou ao redor e não viu mais nada, a não ser a morada do cão. Foi ali mesmo que dormiu.

Paralelamente à novela, Simone dedica-se à Rádio Banda iPod, da qual é a vocalista. Trata-se de um trabalho acústico, em que são tocadas músicas conhecidas, todas com releitura da própria banda. “Vai de Lady Gaga a Djavan”, conta. Além dos números musicais, a banda ensaia uma mistura de teatro stand-up, e Simone planeja a estreia do show para daqui a dois meses, assim que Passione chegar ao fim.

[NOTA: Texto originalmente publicado por Raphael Scire no jornal “O Estado de S. Paulo”]

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A cidade ideal

SP nas novelas
Por Raphael Scire

A teledramaturgia brasileira deu especial destaque à cidade de São Paulo em 2010. No começo do ano, três tramas eram ambientadas na capital paulista: Caras&Bocas, de Walcyr Carrasco, Tempos Modernos, de Bosco Brasil, e Poder Paralelo, de Lauro César Muniz. Delas, Tempos Modernos é que a mostrava a cidade sob uma ótica mais idealizada – o centro velho reformulado, sem sujeiras e violência.

O colorido da cidade cenográfica de Caras&Bocas parece ter sido transferido para o remake de Ti ti ti. Não espanta o fato do diretor das duas tramas ser o mesmo – Jorge Fernando. À época da estreia da novela, a autora Maria Adelaide Amaral deu uma entrevista ao caderno de TV do jornal O Estado de São Paulo e disse que não poderia ambientar a história em outro lugar a não ser São Paulo. E não poderia mesmo. A trama original, de Cassiano Gabus Mendes, também se passava por aqui.

A novela de 2010 mostra inúmeras referências à cidade. O ateliê de Jacques Leclair (Alexandre Borges) fica no emergente bairro do Jardim Anália Franco, na zona leste. Mas ele sonha mesmo em abrir uma filial na Oscar Freire, tradicional reduto de fashionistas paulistanos. O bairro dos Jardins é mostrado com toda a efervescência do mundo da moda, tal como pede a trama. Autora e equipe não poupam piadas com a cidade: elas vão do trânsito caótico à degradação de algumas áreas da metrópole.

E a cidade também chegou ao horário nobre. Também na zona leste, concentra-se o núcleo popular de Passione, de Silvio de Abreu. Mas a diversão da trama fica em outro bairro: o Jardim América. É lá que mora Clô Souza e Silva. A personagem de Irene Ravache não demorou muito para roubar a cena e brilhar na novela – brilho, aliás, que é corroborado pelo figurino extravagante da perua. Nascida em Vila Monumento, criada no Cambuci, a emergente paulistana não se cansa de dizer que já foi pobre e não gostou.

Ela subiu de vida ao se casar com Olavo Silva (Francisco Cuoco), um empresário que ganhou dinheiro com a reciclagem de resíduos. No início da história morava em um bairro popular, distante do Jardim América, onde sempre sonhou em residir. Fez que fez que acabou conseguindo convencer o marido a comprar uma mansão por lá, perto de sua ídola Bete Gouveia (Fernanda Montenegro).

Para conquistar o público masculino, o autor Silvio de Abreu desenvolveu ainda a trama de Gerson (Marcello Antony), um campeão de Stock Car. Vira e mexe, imagens do carro do piloto a correr no autódromo de Interlagos são exibidas na telinha.

Apesar de sabermos que todos aqueles stock shots – imagens panorâmicas da cidade – mostrados são recortes da realidade e do chiado da fala de alguns atores (muitos deles cariocas), São Paulo é retratada com fidelidade pelos autores de telenovelas. É uma maneira de mostrar uma cidade ideal, de expô-la além de seus problemas habituais. Esse, ficam reservados aos telejornais locais.

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Distribuindo sorrisos por São Paulo

Por Priscila Pires

São seis da manhã, você acaba de “ser entrado” no vagão do metrô e a última coisa em que pensa é cumprimentar alguém. Hora do almoço e você nem se lembra de sorrir para a caixa do restaurante de comida por quilo. Às dezenove horas, no ônibus, pouco vê o cobrador.

Trecho de propaganda da Brastemp

Trecho de propaganda da Brastemp

Viver em uma metrópole tem um pouco disso: encontramos com dezenas de pessoas ao longo do dia, mas as nossas relações são impessoais. No ambiente de trabalho, muitas vezes até cumprimentamos os semi-conhecidos, mas na rua a história é outra.

Quando assisti a esse comercial da Brastemp, pensei nisso. Começar o dia com um sorriso, e espalhá-los (inclusive para desconhecidos) durante a semana pode parecer uma coisa boba, mas nos faz pensar em como nós paulistanos temos nos relacionado, não?

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Você conhece o Cambuci?

Por Priscila Pires

Há duas semanas, no “Fantástico” (TV Globo), o bairro do Cambuci, localizado na zona central de São Paulo, foi tema do quadro “Repórter Por Um Dia”. Confira:

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VÍDEO: Jornalismo como profissão e ideologia na carreira de Markun

Por Nathan Lopes

Há cerca de um mês, coloquei aqui no EspelhoSP trechos da entrevista que fiz com o jornalista Paulo Markun para o programa “Edição Extra”, da Faculdade Cásper Líbero/TV Gazeta. Hoje, aproveito para deixar o vídeo com a conversa sobre sua carreira e os caminhos que ela tomou.

A edição e a produção da matéria foram feitas pela Letícia Gonçalves, monitora do programa.

Aproveite e conheça também um pouco mais da história de quem será o mediador dos debates eleitorais da Gazeta em parceria com o jornal “O Estado de S. Paulo”. Dia 24 estarão reunidos os candidatos ao governo de São Paulo. Já no dia 8 será a vez dos à presidência. Para terminar – e ainda a confirmar -, dia 14 acontece o encontro dos concorrentes ao Senado por São Paulo.

Confira o texto com trechos da entrevista de Markun aqui.

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Aprenda “Ah, muleke!” esperando o ônibus

Por Nathan Lopes

O “Pânico na TV” sempre inventa a moda das danças de tempos em tempos. Quem não se lembra da “Dança do Siri”, que gerou até concurso pela internet? A do momento é de autoria do novo integrante do programa, Charles Henrique. Seu “Ah, muleke!” tem conquistado todo tipo de público. Desde crianças e adolescentes nas escolas até presidenciáveis, em atitudes que só acontecem em campanha. O que Charles, com certeza, não esperava era o sucesso do gingado nos pontos de ônibus de São Paulo.

Na espera pela chegada do coletivo, as pessoas começam a se agitar de um lado para o outro. Primeiro, flexionam o joelho direito, deixando o esquerdo estendido. Depois, repetem o movimento, agora ao contrário. E assim o repetem por, no máximo, três vezes. O importante deste bailado é o movimento com a cabeça. Assim que o corpo inclina-se para a esquerda, o pescoço deve ser esticado o máximo possível no mesmo sentido. Como no caso da articulação dos membros inferiores, repete-se a ação para o outro lado. Tudo isso para propiciar uma visão melhor daquilo que não se enxerga: o seu ônibus. É bom notar que, enquanto isso, os braços estão relaxados, colados ao tronco.

Pela demora, as pessoas começam a se impacientar. Percebe-se isso quando elas repetem o “Ah, muleke!”, agora com os braços cruzados e uma expressão fechada no rosto. O desejoso-de-ser-passageiro-muito-brevemente-para-chegar-em-casa já deve estar na plataforma de embarque há, pelo menos, uns vinte minutos. E mais: ao invés de repetir os passos de Charles Henrique por três vezes, o faz por cinco. Ao terminá-los, ele solta um “caramba!” se for alguém que não gosta de falar palavrão.

Quando o dia tem um trânsito complicado, como quase todos em São Paulo, repete-se o segundo estágio do “Ah, muleke!” com algo a mais de ódio e acompanhado por um movimento de indignação dos braços. Este possui várias formas, sendo a mais praticada a qual eles se afastam do corpo, cada um a 45º, e todos os dedos das mãos estão esticados.

A dança só volta a ter um pouco de alegria quando se avista, ao longe, o ônibus. Porém, desta vez, ela é feita com mais rapidez. Apenas uma ida para a esquerda e outra para a direita, já que, neste exato momento, o dançarino viu o tão esperado letreiro e esquece por completo o ritmo do “Ah, muleke!”.

Mas isto não significa que ele não seja lembrado dentro do coletivo. Com a demora para chegar ao destino, o passageiro, no mínimo espaço que possui, repete o gingado das pernas somente com o pescoço; ou, em casos extremos, com a cabeça. A intenção é tentar ver, pelo parabrisa, em que região está e quanto falta para chegar. Como o ônibus, está lotado, pode-se mudar o estágio do “Ah, muleke!” apenas através das expressões da face. A cada minuto que passa, mais o descontentamento fica estampado, cujo término ocorre ao descer em seu destino.

Se você ainda não conhece ou praticou a dança de Charles Henrique, experimente pegar um ônibus, em média, a cada 6 horas. Os melhores horários são 18h, 23h, 7h e 12h. E nem precisa se apressar porque as aulas gratuitas nos pontos e plataformas devem continuar por muito tempo em São Paulo.

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Diga a Buñuel que tem mais coisas em São Paulo

Apresentador estrangeiro mostra ao público apenas os aspectos negativos da cidade através de generalizações

Por Nathan Lopes

Um ringue de boxe dentro de uma igreja repleta de jovens, a ação de pichadores, a indústria da blindagem de automóveis e a Marcha para Jesus foram as características de São Paulo levantadas pelo programa “Zonas de Guerra”, exibido no último domingo pelo National Geographic.

O título original da atração é bem diferente: “Don’t tell my mother that I am in…”, cuja tradução seria “Não diga a minha mãe que estou em…”. Nesta edição, não era para dizer a ela que David Buñuel estava em São Paulo.

Na abertura do programa, Buñuel lê um texto que está reproduzido na íntegra no site do canal. Ele diz:

Com cerca de 20 milhões de habitantes, São Paulo, no Brasil, é a maior cidade do hemisfério sul e se caracteriza pela contradição. Nela, a cidade mais rica da América Latina, os ricos empresários voam de helicóptero para o trabalho e seus filhos adolescentes saem para ir ao shopping center em seus carros blindados enquanto dois terços da população vivem em residências irregulares e improvisadas, as chamadas favelas, repletas de corrupção e violência.

Ele pode não ter dito mentiras, mas generalizou a cidade em terços. Um rico e dois pobres. Aliás, as condições de vida destes parecem ter sido exageradas negativamente, além da própria quantidade de pessoas em tal situação. São Paulo não tem quase 70% de residentes em favelas; além do mais, o restante dos moradores não vai trabalhar de helicóptero, como dão a entender essas porcentagens para o telespectador. Simplesmente se ignorou a enorme classe média da cidade, a qual não é uma coisa nem outra. Essa classe é tão grande que se pode dividi-la em três: média-baixa, média-média e média-alta. São Paulo se caracteriza pela contradição, sim, mas ela não é tão díspar, como foi colocado por Buñuel.

Para ilustrar a cidade que descreveu, o apresentador foi à igreja do boxe, que fica em uma região pobre. Ele queria mostrar o programa dos jovens paulistanos em um sábado à noite, dando a entender que este era o único. Faltou dizer que se trata apenas de um dos muitos a se fazer por São Paulo.

A igreja é a Renascer, a mesma que promove a Marcha para Jesus. Talvez ele tenha descoberto o movimento nessa visita e aproveitou a manifestação na Avenida Tiradentes para mostrar a quantidade de pessoas que tem seguido a religião evangélica em São Paulo para mostrar a cara de sua sociedade. O ponto positivo é que Buñuel não deixou de lado o imbróglio dos pastores Hernandes com a justiça estadunidense, fato que também dá base para reflexões por parte do telespectador.

Mostrar as empresas de blindagem de veículos seria algo trivial não fosse seu achado em um túnel paulistano. Há um jovem que, à noite, faz “pichações” nas grades amarelas das vias subterrâneas. As aspas são justificadas. Com um pano na mão, ele faz desenhos com a poluição impregnada no ferro. Sua intenção é chamar a atenção de quem passa por ali, já que estes estão no conforto de seus carros, protegidos pela blindagem e, na opinião dele, não dão atenção ao que acontece na cidade, ao mundo exterior. Uma ótima surpresa que o “Zonas de Guerra” trouxe.

Porém, não foi só. Buñuel encontrou o local de reunião dos pichadores em São Paulo. Lá, eles exibem seus traços, fotos de suas pichações para marcar o seu nome na comunidade. Ele seguiu uma dupla de vândalos que iriam agir. Caminhando, eles escolheram o alvo: um prédio na Avenida Rio Branco, próximo à parada de ônibus Caio Prado. Perguntados sobre o que achariam se a casa deles fosse pichada, argumentaram que o espaço é privado da porta para dentro; da porta para fora era público. E que se todas as paredes de São Paulo estivessem pichadas, eles pegariam suas malas e sairiam à procura de mais paredes. A pergunta que fica é: se Buñuel encontrou o ponto de encontro dos pichadores, por que a polícia não faz nada?

O problema do “Zonas de Guerra”, ou “Não diga a minha mãe que estou em…”, começa no título. Por ele, já se supõe que há muita violência na cidade-tema daquela edição. E, na busca por confirmar a tese, buscam-se apenas os aspectos negativos do município. São Paulo realmente tem os problemas abordados, mas possui muitos pontos positivos, os quais passaram bem longe da atração de Buñuel. A questão é que muitos construirão a imagem da maior cidade do país através do “Zonas de Guerra” e decidirão nunca colocar os pés por aqui. Desse jeito, é bom mesmo não dizer à mãe que se está em São Paulo.

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