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AíPod ligado

Por Raphael Scire

Já pensou em escutar músicas de João Gilberto e Lady Gaga em uma mesma apresentação? Pois em “AíPod” isso é possível. Difícil de definir esse show com teatro, ou teatro com show estrelado por Simone Gutierrez e Eduardo Berton, quem também assina a direção e o texto. Após o sucesso como Lurdinha, a secretária muda de “Passione”, novela que acabou no início do mês, Simone volta aos palcos de São Paulo em curta temporada e solta o vozeirão junto com o colega.

Simone Gutierrez e Eduardo Berton

O lado cantora da atriz não é novidade para ninguém – no ano passado, ela protagonizou o musical “Hairspray” – mas ela surpreende a dar um toque diferenciado a clássicos do pop, como a melancólica “Don´t Speak”, do No Doubt. De volta ao espetáculo: “AíPod” trata de uma rádio comandada por dois locutores, a irritada Rita Londres e o alegre Paulinho Correia. As referências ao locutor Eli Correia não ficam apenas no sobrenome. O jeito de falar é quase o mesmo entre o personagem e o locutor real.

Rita e Paulinho trocam farpas ao longo da apresentação. A ideia de adaptar um programa de rádio para os palcos dá combustível à peça. Na hora de tocar os hits da Rádio Rádio, “cento e tantos vírgula um”, Simone e Berton deixam de lado os atores e assumem os cantores que existem dentro deles. A Banda AíPod, formada por 5 músicos, dá o apoio essencial à dupla. Outra sacada genial são as vinhetas da programação, que “entram no ar” enquanto os dois se trocam no palco.

A utilização de telões em que são exibidos clipes e hilários vídeos caseiros feitos por Simone e Berton é uma maneira acertada de ocupar o exíguo espaço cênico, uma vez que a banda ocupa boa parte do tablado. Além disso, duas pequenas câmeras são instaladas no palco, possibilitando ao espectador mais uma forma de assistir ao espetáculo.

“AíPod” está em cartaz no teatro Nair Bello todas as quartas e quintas de fevereiro, às 21h00. Os ingressos custam R$50,00.

Endereço: Rua Frei Caneca, 569  – Tel.:(11)  3472-2414 – Bilheteria: das 14h00 às 21h30 de terça a sábado, e das 14h30 às 19h00 aos domingos.

** O EspelhoSP acompanhou o ensaio aberto da peça a convite da Assessoria Morente Forte

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A sorte de Simone Gutierrez estava na capital

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Lara Gerin: Por todos os lados

Perfil paulista
Por Raphael Scire

À primeira vista, a modelo, stylist, cantora e DJ Lara Gerin pode parecer uma bonequinha de luxo. Bastam, porém, alguns minutos de conversa para descobrir que, por trás de suas feições delicadas, há uma mulher forte e decidida. Aos 38 anos, Lara considera-se uma pessoa independente, que corre atrás de seus objetivos e não desiste diante do primeiro obstáculo.

Aos 19, quando ainda morava em Campinas, Lara foi “descoberta” por um agente, que a trouxe para São Paulo, onde acabou sendo clicada pelo badalado Bob Wolfenson. Foi então que começou a estampar capas de revistas e tornou-se o “new face” da época. Daí para a carreira internacional foi um passo: morou em diversos países da Europa e também no Japão. “Conheci pessoas, ganhei experiência e grana.”

Quando voltou para o Brasil, depois de uma temporada de quatro anos fora, já estava “desencanada” da carreira de modelo. “Gostava de estar em frente à câmera, de interpretar. Mas se submeter a castings, encontrar pessoas que analisam você, é frustrante demais.” Sem abandonar totalmente o mundo da moda, passou a trabalhar com um amigo fotógrafo, ajudando-o na composição de books. Assim, deu início à carreira de stylist.

Hoje, prepara-se para assinar o figurino de um filme que contará a história da banda Planet Hemp. Seus contatos nesse universo a ajudaram também a entrar para a televisão. Trabalhou como assistente de figurino do programa “Sandy & Júnior”, época em que conheceu a figurinista Gogoia Sampaio e, dessa amizade, surgiu o convite para uma participação na atual novela “Passione”. Mas não para trabalhar com moda: Lara apareceu nos primeiros capítulos da trama global tocando numa festa.

Sim, atualmente, investe pesado na nova carreira de DJ. “Não me considero, ainda, 100% DJ. Sou uma selecta, ou seja, uma pessoa que faz uma boa seleção de músicas.”

Paixão antiga. Lara sempre gostou de música. Desde criança, seu sonho era ser cantora, e chegou a fazer aulas de canto quando tinha 13 anos. “Quando era modelo, tinha uma banda com os fotógrafos.” Certo dia, uma amiga a convidou para tocar na inauguração de uma loja. Pronto, foi sucesso absoluto. “Fui escolhendo as músicas junto com o DJ principal, mas a seleção foi um sucesso.”

Uma onda de pedidos para tocar em pequenas festas começou a surgir e Lara foi ganhando espaço. A abertura do bar Secreto, onde é residente mensal, foi o grande impulso.

O que mais a irrita no trabalho de DJ é a “falta de respeito de algumas pessoas.” Explica que muitos chegam para ela e pedem para tocar músicas aleatórias. “Mantenho a paciência e a simpatia, mas é muito chato, porque você não está sendo pago para tocar uma música só para uma pessoa. Não sou rádio FM”, brinca.

Acredita que, assim que as pessoas passarem a conhecer mais o seu trabalho, a “encheção de saco” será menor, pois seu “sound style” já estará definido. Seu universo musical vai do pop ao hip hop, passando pelo eletrônico e pelo rock. “Procuro coisas que não conheço, e seleciono o que me soa gostoso.” Acha que a diversificação dos ritmos é o segredo para o sucesso na pista.

Apesar de o trabalho como DJ exigir que vire noites, garante que é uma pessoa completamente do dia. “Adoro acordar cedo, mas não tenho conseguido por conta dos trabalhos.” Ainda assim, diz que não abre mão de dormir oito horas por dia, independentemente do horário que vai para a cama. “Se não fizer isso, não tenho energia”, justifica.

Solteira, mora sozinha em um apartamento nos Jardins, em São Paulo. Quando não está fazendo pesquisas de novas músicas, gosta de cozinhar, sair com os amigos e organizar a casa. “Sou muito virginiana, tenho sempre que arrumar alguma coisa.”

Revela que já teve vontade de fazer faculdade de Química, para poder elaborar suas próprias fragrâncias. “Minha avó fazia uma lavanda deliciosa, e eu aprendi com ela a fazer minhas próprias misturas.”

Quando tentou comercializar seus produtos, acabou esbarrando em uma série de exigências da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), foi quando surgiu o interesse pelo curso. Mas a música ressurgiu em sua vida e os planos de se tornar química ficaram de lado. Será este o próximo caminho a ser trilhado por Lara?

[Nota: este texto foi publicado originalmente no jornal “O Estado de S. Paulo”]

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A sorte de Simone Gutierrez estava na capital

Perfil paulista
Por Raphael Scire

Simone Gutierrez é uma artista completa: além de atuar, canta e dança. Bailarina clássica de formação, essa paulista de Ribeirão Preto sempre se entregou de corpo e alma a tudo o que se propôs fazer. Nos anos 2000, saiu da casa dos pais e veio tentar a sorte na capital. No começo, trabalhava na parte de eventos de um restaurante, onde pôde colocar em prática seus dotes artísticos, já que os garçons também eram cantores.

Ter uma formação completa, acredita Simone, é essencial para o trabalho de atriz, algo bastante requisitado em musicais. “Há uma cultura de musical em crescimento aqui no Brasil.” Lamenta, no entanto, que não haja escolas de interpretação que foquem nessa formação ampla. Ela mesmo nunca chegou a estudar canto. “Quando comecei a cantar, foi porque eu precisava. Eu tive a sorte de ser uma pessoa afinada, minha voz não tinha técnica nenhuma.” Simone credita aos musicais que participou o processo de aprimoramento do canto.

O primeiro papel que teve foi em “Hairspray”, montagem do ator e diretor Miguel Falabella para a peça da Broadway. Ela começou com o pé direito, já como a protagonista Tracy, uma garota baixinha e gordinha que tinha o sonho de se tornar estrela de um programa de televisão. “Antes, fiz outros musicais, mas apenas como coro”, conta. A participação em outros espetáculos do gênero lhe deu bagagem e experiência. “Aproveitei para aprender toda a técnica dos musicais, que é bem específica. Você, além de atuar, canta e dança.”

Simone, como qualquer outra atriz, teve de passar por uma bateria de testes, que duraram duas semanas, e deixou para trás 2 mil candidatos. Antes mesmo de saber se seria aprovada, tomou a decisão de engordar 20 quilos, apenas para os testes. “Logo eu, que sempre batalhei para ser magrinha!”

Com o papel garantido, entrou de cabeça no universo da personagem. De todas as Tracies encenadas nas montagens pelo mundo, a dela foi a mais baixinha – Simone tem 1,50 metro de altura –, a mais gordinha e a que mais dançava. Logo, chamou a atenção do coreógrafo americano que cuidava dos passos encenados na peça, bem como do público. “As pessoas saíam do espetáculo e me perguntavam: ‘Como!? Você é gordinha e faz tudo isso!'”, recorda. “A Tracy foi o divisor de águas da minha carreira.”

Televisão. Aos 34 anos, ela encara seu primeiro papel de destaque na TV, a secretária sem falas Lurdinha, na novela “Passione”, de Silvio de Abreu. Antes disso, porém, Simone já tinha atuado na televisão em papéis menores e sem tanto destaque, na novela juvenil “Malhação” e no humorístico “Zorra Total”. Tudo em função de sua atuação em Hairspray. “Na minha vida, eu fui tendo as oportunidades e fui abraçando. Nessa profissão, a gente conta um pouco com a sorte.”

O convite para encenar a secretária Lurdinha na novela partiu do próprio autor, que a viu no teatro estrelando o musical. A personagem foi criada especialmente para ela. “Quando assisti a Hairspray, lamentei não ter um personagem para ela”, revela Silvio de Abreu. Mas com o desenvolvimento dos capítulos, conta, ele percebeu que poderia criar algo especialmente para Simone.

Inicialmente, sempre que a personagem fosse falar, seria interrompida por alguém. Mas a Lurdinha de Simone foi conquistando o público de tal forma que já ganhou as primeiras falas. Ela, então, revelou-se uma verdadeira matraca, justificando o porquê de os outros personagens com quem contracena sempre a impedirem de abrir a boca. Ironicamente, revela que falar foi o mais difícil: “São textos enormes, que eu tenho de falar rápido, sem erros.”

Além disso, a ficção começa a imitar a realidade: a personagem já passou a fazer testes para participar de um musical, no qual poderá dançar e cantar. “Tomara que ela fique famosa e vá para a Broadway”, torce Simone

Modesta, a atriz acredita que o sucesso de Lurdinha é também por conta da equipe técnica da novela e de seus parceiros em cena, como Francisco Cuoco e Irene Ravache. “Se eu não estivesse cercada de pessoas tão talentosas, tão generosas, acho que a personagem não faria tanto sucesso”, opina.

Por conta das gravações, viu a sua rotina ser completamente alterada e, hoje, praticamente vive na ponte aérea Rio-São Paulo. O assédio do público também aumentou. Ao final desta entrevista, num shopping de São Paulo, uma garota chegou até a mesa com um guardanapo na mão e pediu um autógrafo a ela.

Prontamente, a atriz atendeu ao pedido da fã, de quem ouviu: “Fala para ela ficar com o Mimi, tá?” A moça fazia referência ao personagem de Marcelo Médici na trama, com quem Lurdinha começa a ter um relacionamento amoroso. Mas será que é isso que Simone quer para a sua personagem? “Ah, eu quero!”, revela, com um largo sorriso no rosto.

Passado e futuro. Nem tudo foram flores na carreira de Simone. Assim que chegou a São Paulo, ela deu duro para conseguir se estabelecer. “O primeiro ano foi o mais difícil, até eu conseguir um emprego e me sustentar.” Ela relembra com bom humor momentos que deixariam qualquer um desesperado, como o fato de ter dormido em uma casinha de cachorro.

Simone alugava um quarto na casa de uma senhora, mas um dia esqueceu a chave da porta e, quando chegou, ficou fora da casa. Para completar, chovia. Sem querer incomodar a proprietária, ela olhou ao redor e não viu mais nada, a não ser a morada do cão. Foi ali mesmo que dormiu.

Paralelamente à novela, Simone dedica-se à Rádio Banda iPod, da qual é a vocalista. Trata-se de um trabalho acústico, em que são tocadas músicas conhecidas, todas com releitura da própria banda. “Vai de Lady Gaga a Djavan”, conta. Além dos números musicais, a banda ensaia uma mistura de teatro stand-up, e Simone planeja a estreia do show para daqui a dois meses, assim que Passione chegar ao fim.

[NOTA: Texto originalmente publicado por Raphael Scire no jornal “O Estado de S. Paulo”]

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República dos discos no centro de SP

Por Nathália Soriano

“As pessoas não conhecem muito aqui. Acham que é a Galeria do Rock“. É assim que a dona da loja de discos Faunus, Sandra Imbiriba, define a galeria Boulevard do Centro, que fica na Rua 24 de Maio, onde há diversas outras lojas especializadas em compra, venda e troca de LPs, CDs e, também, DVDs.

A Faunus, que existe há cinco anos, começou como um hobby do marido de Sandra. “A gente já tinha alguns LPs em casa e meu marido resolveu abrir essa loja aqui. Quando começou, tinha entre 700 e 800 discos”. A loja que, no início, era pequena, atualmente ocupa duas salas. “A gente foi indo atrás, faz pesquisa, mas aparece bastante gente aqui pra vender ou trocar. É assim que a gente consegue alguns discos raros”.

Hoje, o LP mais caro na loja de Sandra é um de Bossa Nova – “Recordando”, de Carlinhos Guinle – e se alguém se interessar deverá desembolsar R$600,00. Mas há, também, coisas mais comuns, vendidas a R$2,00. Sandra acha bom o mercado de discos, mas que sofreu por causa da crise. “É supérfluo. Se a situação fica difícil, as pessoas deixam de comprar”.

Esse mercado, como explica a dona da Faunus, é para colecionadores. “As pessoas que vêm aqui é porque já conhecem, gostam de ter o vinil, tocar, limpar. É diferente daqueles que baixam a música ou compram um CD pirata. Esses só querem a música”. Sobre o aumento de downloads, Sandra é direta, “o MP3 não diminuiu a procura, por causa do público que compra LPs que é bem específico”. Em sua maioria, os clientes da loja são homens, de todas as idades. “Quando é uma mulher colecionadora, elas procuram por coisas mais difíceis ainda.”

O vinil mais caro, para Sandra, é o primeiro disco lançado por Roberto Caros. “Nunca tivemos esse disco, mas custa em torno de três mil reais!”

Ela pode não saber, mas na loja quase ao lado da sua, a Ventania, esse LP já foi vendido, e por R$2 mil. É o que conta Alcides Campos, diretor da loja que hoje tem mais de 60 mil discos – sem contar os 80 mil em estoque. A Ventania, que completou 25 anos em 2010, teve seu nome inspirado pela música homônima de Geraldo Vandré. “Na época eu gostava muito dessas musicas de protesto, queria um nome brasileiro”, explica Alcides.

Assim como Sandra, Alcides também acha que o mercado é, em sua maioria, para colecionadores. No entanto, “ultimamente tem aparecido um grupo mais jovem, que curte heavy metal”, diz.

Entre os discos raros há Bob Dylan, Beatles, Elvis – esses dois últimos são os mais procurados pelos clientes. Porém, mais raras ainda são as gravações de índios cantado, dos discursos de Hitler, Mussolini e Jânio Quadros, que algumas pessoas já pediram.

Ainda entre os artistas, muitos famosos já passaram pela loja, como Charles Gavin, Ed Mota, Marcelo Camelo, a banda Cachorro Grande, e o rapper Taíde. “Chico Science e Bezerra da Silva já vieram aqui também pra procurar seus próprios discos porque não tinham!”.

Para Alcides, a procura é maior que a oferta. “Muitos vêm aqui procurando coisas realmente boas. Por isso, às vezes é mais fácil vender um disco caro, de cem reais, do que aquele de um real”. O diretor da Ventania fala também sobre a pirataria e suas consequências ao mercado de CD. “O CD vai morrer antes do vinil por causa da pirataria”, afirma.

Algo em comum entre a Faunus e a Ventania é a decoração. O teto e as paredes de ambas as lojas são cheias de discos decorados, com figuras, como a da Branca de Neve, fotos de artistas, como Fábio Júnior, Angélica e Roberto Carlos e formas das mais diversas. Entre as mais curiosas estão as de telefone e sino, que foi lançada como um compacto comemorativo na época de Natal. Muitos são originais e realmente tocam. Outros serviram apenas como propaganda. “Uma vez um cliente comprou um com a foto da Gretchen por 500 reais”, conta Sandra.

A galeria é bem vazia, não muito conhecida pelo grande público. Os clientes que lá vão buscam coisas específicas, como é o caso de Marcelo Souza, de 27 anos, que estava procurando um disco dos Beatles. “Sempre que posso venho aqui. Gosto muito de vinil e aqui é um lugar muito bom pra se achar o que procura e tranquilo pra se procurar com calma”, explica Marcelo.

Mesmo sendo escondida, a galeria no centro da cidade de São Paulo não é esquecida. São os amantes da música e do vinil que sustentam lugares como esse e o mercado de discos que vem crescendo no país. Vitrolas voltaram a ser fabricadas e vendidas e, se depender de Sandra, Alcides e muitos outros que vivem da música e dos discos, esse mercado só vai crescer ainda mais.

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Um balanço do feriado em música e números

Por Priscila Pires

Quando Tom Zé musicou “São, São Paulo”, ainda eram 8 milhões de habitantes. Agora somos mais de onze mil (e a contagem continua…). O resto continua igual: [mais de mil] chaminés e carros, aglomerada solidão, aqui é só trabalhar.

Quando chega um feriado prolongado, como o último 7 de setembro, os paulistanos não hesitam em pegar a estrada. De acordo com o JBOnline, “estima-se que 1,5 milhão de veículos tenham deixado a capital paulista neste feriadão.” O resultado? Congestionamento. Nós, paulistanos, que estamos muito bem acostumados com o trânsito, acabamos acreditando que abandonar a nossa querida cidade às vezes é bom. Será o fator psicológico de “fugir da rotina?”

Se é ou não, o fato é que acabamos voltando: para São Paulo, para o trânsito, para o trabalho, para a aglomeração. “A volta do feriado prolongado da Independência do Brasil, nesta terça-feira, está provocando uma grande lentidão no trânsito na Rodovia Presidente Dutra em ambos os sentidos, Rio de Janeiro ou São Paulo.” É, com todos os defeitos, nós amamos essa cidade.

Confira a letra de “São, São Paulo”

São, São Paulo meu amor
São, São Paulo quanta dor
São oito milhões de habitantes
De todo canto em ação
Que se agridem cortesmente
Morrendo a todo vapor
E amando com todo ódio
Se odeiam com todo amor
São oito milhões de habitantes
Aglomerada solidão
Por mil chaminés e carros
Caseados à prestação
Porém com todo defeito
Te carrego no meu peito
São, São Paulo
Meu amor
São, São Paulo
Quanta dor
Salvai-nos por caridade
Pecadoras invadiram
Todo centro da cidade
Armadas de rouge e batom
Dando vivas ao bom humor
Num atentado contra o pudor
A família protegida
Um palavrão reprimido
Um pregador que condena
Uma bomba por quinzena
Porém com todo defeito
Te carrego no meu peito
São, São Paulo
Meu amor
São, São Paulo
Quanta dor
Santo Antonio foi demitido
Dos Ministros de cupido
Armados da eletrônica
Casam pela TV
Crescem flores de concreto
Céu aberto ninguém vê
Em Brasília é veraneio
No Rio é banho de mar
O país todo de férias
E aqui é só trabalhar
Porém com todo defeito
Te carrego no meu peito
São, São Paulo
Meu amor
São, São Paulo

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Apertando o botão da emoção para fazer vídeos

Oficina de videocelular ensina técnica para fazer uma gravação atraente

Por Nathan Lopes

A emoção é o elemento mais importante para poder contar histórias que chamem a atenção do público. Esta é a opinião de Alberto Tognazzi, produtor audiovisual espanhol e diretor do Móvil Film Fest. Ele, junto do músico e roteirista conterrâneo Miguel Angel Blanca, ministrou uma oficina de videocelular, em agosto, no Centro Cultural da Juventude (CCJ), em São Paulo. O evento foi promovido por outro centro cultural, o da Espanha (CCE).

Os participantes da oficina juntos do professor Miguel A. Blanca (de barba, à direita)

Os participantes da oficina juntos do professor Miguel A. Blanca (de barba, à direita)

O objetivo era trabalhar o roteiro de um videoclipe, além de fazer a gravação e edição do mesmo. Tudo isso utilizando apenas um telefone móvel, que, para Tognazzi, não é a principal parte do processo. “O mais importante não é tanto a tecnologia nos celulares, que é muito fácil; é um botão. Aperta e já grava. O mais difícil é pensar ideias que sejam interessantes tanto para o celular quanto para o conteúdo audiovisual em geral”.

Neste momento, além da emoção, é importante pensar no roteiro, que possui uma técnica, ensinada por Angel Blanca. “Nós aqui na oficina estamos defendendo que o que queremos fazer é uma película curta, com um personagem apresentando um objetivo”.

Para colocar o aprendizado em prática, era necessária uma canção e ela veio de um dos participantes: Otávio Pereira, estudante de 16 anos. “Perto de mim” foi escrita sobre uma paixão que ele teve na escola e trazia exatamente o que os professores queriam: emoção e um personagem. O resultado do trabalho de Ayrton Costa, Diogo Silva, Joana Santos, Marcos Oliveira, Wellington Rockers e Lucas de Toledo aparece neste vídeo, que eles fizeram após seis aulas.

E se, depois de assistir a esse clipe, você achar que não tem capacidade para fazer algo parecido, Tognazzi tem um recado. “Criatividade se exercita. Se você tem vontade de contar histórias, e experimenta, tenta fazer isso, pode contar histórias muito divertidas com a prática”.

Se apareceu a curiosidade sobre como eles realizaram o videoclipe, veja o processo de produção de “Perto de mim” neste domingo, à 0h, no “Edição Extra”, transmitido pela TV Gazeta, de São Paulo. A canção, aliás, pode ser o primeiro sucesso a aparecer em um programa dominical sem ser o do Faustão ou do Gugu. Ah, vai dizer que você não ficou cantando? Duvido. “Será/ Que vai dar/ Pra ficar…”

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Duas São Paulo através da música

Por Nathan Lopes

Foi o passado de São Paulo que inspirou a marca dos “Trovadores Urbanos”. Eles são sinônimo de “trajes da década de 1920 acompanhados de violas para suas serenatas”. O grupo, formado originalmente por Maída Novaes, Valéria Caram, Júlio Novaes e Eduardo Santhana, é uma das formas de imaginar um ritmo de vida para a cidade que não existe mais. Quando voltam ao século XXI, o presente toma o lugar do tempo que já se foi em suas canções. Assim Santhana e Juca Novaes (não confundir com Júlio) compuseram uma das músicas que faz sucesso nas rádios e nos palcos paulistanos: “Fim de tarde”.

A canção fala sobre os pensamentos de uma paixão quando se enfrenta o trânsito de São Paulo. Enquanto se depara com um farol vermelho, a mente se concentra em outro assunto do que tirar o pé do freio. A letra reflete o cotidiano de muitas pessoas que se veem presas fisicamente em um lugar da cidade, mas se imaginam em outro; ou, ainda, estão ansiosas por chegar neste local.

A interpretação é de Bruna Caram, filha de Maída Novaes, dos “Trovadores Urbanos”. Foi através de sua mãe que descobriu a música composta por seus tios, pela qual se apaixonou completamente. Ela comentou a canção em seu blog. “Adoro essa idéia da pessoa que está no trânsito cantarolando indo encontrar o seu amor, e a cada farol aproveita um pouquinho pra sonhar acordada, só despertando ao lembrar que já, já chegará!”.

Confira a letra de Eduardo Santhana e Juca Novaes:

Eu só desperto quando acende o farol – 
Vai acontecer!
No fim de tarde, na viagem do sol
Hora de te ver
Nas avenidas uma constelação
Sonho e poder
Luzes chamando pelo meu coração
E ele por você

Preciso te encontrar
De qualquer jeito
Preciso te guardar
Dentro de mim

Luzes e flashes de neón e cristal
Todo o meu prazer
Hora do rush, noite na capital
Como deve ser?
Nessa cidade, tanto bem, tanto mal,
Tanta coisa no meu coração

Na mesma hora, mesmo batlocal
Vou te esperar
Na mesma mesa finjo ler um jornal
Guardo seu lugar
Na longa noite, nosso ponto final
Fogo pra queimar nossa paixão…

Santhana trabalha com duas épocas diferentes, dois ritmos de vida distintos. A tranquilidade e a paixão das serenatas nos “Trovadores”, e, em parceria com Novaes, o estresse e a inquietude do contemporâneo. Seu trabalho com a música na cidade identifica tempos da trajetória de São Paulo.

[NOTA: o texto foi corrigido. Brunca Caram é filha de Maída Novaes, não Valéria Caram, como aqui estava. Peço desculpas às três pelo erro.]

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