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Sobre raphaelscire

Tem 21 anos. Jornalista, não vive sem internet, mas curte mesmo a boa e velha televisão. Gosta de dramaturgia. Gosta de teledramaturgia. Gosta mesmo é de um drama.

AíPod ligado

Por Raphael Scire

Já pensou em escutar músicas de João Gilberto e Lady Gaga em uma mesma apresentação? Pois em “AíPod” isso é possível. Difícil de definir esse show com teatro, ou teatro com show estrelado por Simone Gutierrez e Eduardo Berton, quem também assina a direção e o texto. Após o sucesso como Lurdinha, a secretária muda de “Passione”, novela que acabou no início do mês, Simone volta aos palcos de São Paulo em curta temporada e solta o vozeirão junto com o colega.

Simone Gutierrez e Eduardo Berton

O lado cantora da atriz não é novidade para ninguém – no ano passado, ela protagonizou o musical “Hairspray” – mas ela surpreende a dar um toque diferenciado a clássicos do pop, como a melancólica “Don´t Speak”, do No Doubt. De volta ao espetáculo: “AíPod” trata de uma rádio comandada por dois locutores, a irritada Rita Londres e o alegre Paulinho Correia. As referências ao locutor Eli Correia não ficam apenas no sobrenome. O jeito de falar é quase o mesmo entre o personagem e o locutor real.

Rita e Paulinho trocam farpas ao longo da apresentação. A ideia de adaptar um programa de rádio para os palcos dá combustível à peça. Na hora de tocar os hits da Rádio Rádio, “cento e tantos vírgula um”, Simone e Berton deixam de lado os atores e assumem os cantores que existem dentro deles. A Banda AíPod, formada por 5 músicos, dá o apoio essencial à dupla. Outra sacada genial são as vinhetas da programação, que “entram no ar” enquanto os dois se trocam no palco.

A utilização de telões em que são exibidos clipes e hilários vídeos caseiros feitos por Simone e Berton é uma maneira acertada de ocupar o exíguo espaço cênico, uma vez que a banda ocupa boa parte do tablado. Além disso, duas pequenas câmeras são instaladas no palco, possibilitando ao espectador mais uma forma de assistir ao espetáculo.

“AíPod” está em cartaz no teatro Nair Bello todas as quartas e quintas de fevereiro, às 21h00. Os ingressos custam R$50,00.

Endereço: Rua Frei Caneca, 569  – Tel.:(11)  3472-2414 – Bilheteria: das 14h00 às 21h30 de terça a sábado, e das 14h30 às 19h00 aos domingos.

** O EspelhoSP acompanhou o ensaio aberto da peça a convite da Assessoria Morente Forte

Leia Mais:
A sorte de Simone Gutierrez estava na capital

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Lara Gerin: Por todos os lados

Perfil paulista
Por Raphael Scire

À primeira vista, a modelo, stylist, cantora e DJ Lara Gerin pode parecer uma bonequinha de luxo. Bastam, porém, alguns minutos de conversa para descobrir que, por trás de suas feições delicadas, há uma mulher forte e decidida. Aos 38 anos, Lara considera-se uma pessoa independente, que corre atrás de seus objetivos e não desiste diante do primeiro obstáculo.

Aos 19, quando ainda morava em Campinas, Lara foi “descoberta” por um agente, que a trouxe para São Paulo, onde acabou sendo clicada pelo badalado Bob Wolfenson. Foi então que começou a estampar capas de revistas e tornou-se o “new face” da época. Daí para a carreira internacional foi um passo: morou em diversos países da Europa e também no Japão. “Conheci pessoas, ganhei experiência e grana.”

Quando voltou para o Brasil, depois de uma temporada de quatro anos fora, já estava “desencanada” da carreira de modelo. “Gostava de estar em frente à câmera, de interpretar. Mas se submeter a castings, encontrar pessoas que analisam você, é frustrante demais.” Sem abandonar totalmente o mundo da moda, passou a trabalhar com um amigo fotógrafo, ajudando-o na composição de books. Assim, deu início à carreira de stylist.

Hoje, prepara-se para assinar o figurino de um filme que contará a história da banda Planet Hemp. Seus contatos nesse universo a ajudaram também a entrar para a televisão. Trabalhou como assistente de figurino do programa “Sandy & Júnior”, época em que conheceu a figurinista Gogoia Sampaio e, dessa amizade, surgiu o convite para uma participação na atual novela “Passione”. Mas não para trabalhar com moda: Lara apareceu nos primeiros capítulos da trama global tocando numa festa.

Sim, atualmente, investe pesado na nova carreira de DJ. “Não me considero, ainda, 100% DJ. Sou uma selecta, ou seja, uma pessoa que faz uma boa seleção de músicas.”

Paixão antiga. Lara sempre gostou de música. Desde criança, seu sonho era ser cantora, e chegou a fazer aulas de canto quando tinha 13 anos. “Quando era modelo, tinha uma banda com os fotógrafos.” Certo dia, uma amiga a convidou para tocar na inauguração de uma loja. Pronto, foi sucesso absoluto. “Fui escolhendo as músicas junto com o DJ principal, mas a seleção foi um sucesso.”

Uma onda de pedidos para tocar em pequenas festas começou a surgir e Lara foi ganhando espaço. A abertura do bar Secreto, onde é residente mensal, foi o grande impulso.

O que mais a irrita no trabalho de DJ é a “falta de respeito de algumas pessoas.” Explica que muitos chegam para ela e pedem para tocar músicas aleatórias. “Mantenho a paciência e a simpatia, mas é muito chato, porque você não está sendo pago para tocar uma música só para uma pessoa. Não sou rádio FM”, brinca.

Acredita que, assim que as pessoas passarem a conhecer mais o seu trabalho, a “encheção de saco” será menor, pois seu “sound style” já estará definido. Seu universo musical vai do pop ao hip hop, passando pelo eletrônico e pelo rock. “Procuro coisas que não conheço, e seleciono o que me soa gostoso.” Acha que a diversificação dos ritmos é o segredo para o sucesso na pista.

Apesar de o trabalho como DJ exigir que vire noites, garante que é uma pessoa completamente do dia. “Adoro acordar cedo, mas não tenho conseguido por conta dos trabalhos.” Ainda assim, diz que não abre mão de dormir oito horas por dia, independentemente do horário que vai para a cama. “Se não fizer isso, não tenho energia”, justifica.

Solteira, mora sozinha em um apartamento nos Jardins, em São Paulo. Quando não está fazendo pesquisas de novas músicas, gosta de cozinhar, sair com os amigos e organizar a casa. “Sou muito virginiana, tenho sempre que arrumar alguma coisa.”

Revela que já teve vontade de fazer faculdade de Química, para poder elaborar suas próprias fragrâncias. “Minha avó fazia uma lavanda deliciosa, e eu aprendi com ela a fazer minhas próprias misturas.”

Quando tentou comercializar seus produtos, acabou esbarrando em uma série de exigências da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), foi quando surgiu o interesse pelo curso. Mas a música ressurgiu em sua vida e os planos de se tornar química ficaram de lado. Será este o próximo caminho a ser trilhado por Lara?

[Nota: este texto foi publicado originalmente no jornal “O Estado de S. Paulo”]

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Arquivado em Música, Moda

Maria Fernanda Cândido está no teatro em 2011

Perfil paulista
Por Raphael Scire

O início da Casa do Saber – instituição que realiza cursos e palestras sobre variados temas, como filosofia, história e atualidades – deu-se a partir de reuniões que um grupo de amigos fazia em 2003. Entre os presentes nesses encontros, estava a atriz Maria Fernanda Cândido, uma das atuais sócias. Para ela – curitibana, mas paulistana desde os 12 anos -, a inauguração do espaço de cultura, hoje com unidades em São Paulo e no Rio, foi uma iniciativa pioneira.

“Era uma experiência muito gostosa, mas, para tocar o negócio, fomos muito corajosos, pois não existia nenhuma referência.” Maria Fernanda recorda-se da dificuldade de explicar para as pessoas do que se tratava exatamente o novo espaço, o que era necessário, inclusive, na hora de trazer os professores para ministrarem as aulas. “Hoje, consolidamos um sistema de trabalho e uma imagem.”

Diz que sua função é trazer ideias para que a grade de cursos esteja sempre atual e renovada. Cada um dos sócios atua em uma área diferente, o que faz com que a programação seja a mais variada possível. A atriz revela que sua contribuição tende a ser mais na área artística. “A ideia de ter um anfiteatro foi minha, assim como a de fazer leituras teatrais.”

Terapeuta ocupacional formada, Maria Fernanda acredita que sua bagagem acadêmica contribui para sua vida profissional. “O terapeuta tem uma visão do todo: ser humano, vida, saúde.” Conta que é bastante ávida e interessada pelos cursos oferecidos na Casa do Saber, mas confessa que ultimamente não tem tido tempo para assistir a todos que gostaria. “Nos últimos anos, não consegui fazer nem um décimo do que gostaria, por conta do nascimento do meu último filho.”

Ler é uma de suas atividades favoritas, tanto que é frequentadora assídua de livrarias. E a poesia é uma das suas paixões. O primeiro autor que chamou a sua atenção foi o português Fernando Pessoa, depois o rol de escritores de sua preferência só foi aumentando. Hoje, cita também Edgar Allan Poe e João Cabral de Melo Neto.

Carreira artística. A atriz prepara-se para voltar aos palcos em 2011, com a peça O Demônio de Hannah, da qual comprou os direitos. Desde então, vem trabalhando na pré-produção do espetáculo. A ideia de montar a peça surgiu de um dos seus sócios na Casa do Saber, que assistiu à montagem e ligou para ela contando, entusiasmado.

Maria Fernanda encantou-se com a história da filósofa alemã Hannah Arendt, que teve um relacionamento com o também filósofo Martin Heidegger. “Muito mais do que a história de amor, há um embate ideológico, político e afetivo.” Refere-se à posição política assumida pelos dois personagens durante a Segunda Guerra Mundial: ele, filiado ao partido nazista; ela, judia que deixou a Alemanha para escapar das atrocidades de Hitler.

Paras as novela, porém, garante que ainda não é hora de retornar, por causa dos filhos pequenos. “É preciso uma disponibilidade de cerca de um ano.” Por isso, nos últimos anos, participou de projetos menores, como as minisséries Capitu, na qual atuou grávida, e Dalva e Herivelto, ambas na TV Globo.

Mãe de dois meninos, de 4 e 2 anos, Maria Fernanda concilia o trabalho artístico, a sociedade na Casa do Saber, os cuidados com a família e, de vez em quando, arruma tempo para ajudar no bistrô do marido, o chef Petrit Spahija – embora diga que só seleciona músicas e os artistas que expõem no restaurante. No dia a dia, define-se como uma pessoa marcada pela simplicidade. “Gosto de sossego, sou muito caseira. Minha família e meus filhos me fazem muito felizes.”

[Nota: este texto foi publicado originalmente no jornal “O Estado de S. Paulo”]

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Arquivado em Literatura, Teatro

A sorte de Simone Gutierrez estava na capital

Perfil paulista
Por Raphael Scire

Simone Gutierrez é uma artista completa: além de atuar, canta e dança. Bailarina clássica de formação, essa paulista de Ribeirão Preto sempre se entregou de corpo e alma a tudo o que se propôs fazer. Nos anos 2000, saiu da casa dos pais e veio tentar a sorte na capital. No começo, trabalhava na parte de eventos de um restaurante, onde pôde colocar em prática seus dotes artísticos, já que os garçons também eram cantores.

Ter uma formação completa, acredita Simone, é essencial para o trabalho de atriz, algo bastante requisitado em musicais. “Há uma cultura de musical em crescimento aqui no Brasil.” Lamenta, no entanto, que não haja escolas de interpretação que foquem nessa formação ampla. Ela mesmo nunca chegou a estudar canto. “Quando comecei a cantar, foi porque eu precisava. Eu tive a sorte de ser uma pessoa afinada, minha voz não tinha técnica nenhuma.” Simone credita aos musicais que participou o processo de aprimoramento do canto.

O primeiro papel que teve foi em “Hairspray”, montagem do ator e diretor Miguel Falabella para a peça da Broadway. Ela começou com o pé direito, já como a protagonista Tracy, uma garota baixinha e gordinha que tinha o sonho de se tornar estrela de um programa de televisão. “Antes, fiz outros musicais, mas apenas como coro”, conta. A participação em outros espetáculos do gênero lhe deu bagagem e experiência. “Aproveitei para aprender toda a técnica dos musicais, que é bem específica. Você, além de atuar, canta e dança.”

Simone, como qualquer outra atriz, teve de passar por uma bateria de testes, que duraram duas semanas, e deixou para trás 2 mil candidatos. Antes mesmo de saber se seria aprovada, tomou a decisão de engordar 20 quilos, apenas para os testes. “Logo eu, que sempre batalhei para ser magrinha!”

Com o papel garantido, entrou de cabeça no universo da personagem. De todas as Tracies encenadas nas montagens pelo mundo, a dela foi a mais baixinha – Simone tem 1,50 metro de altura –, a mais gordinha e a que mais dançava. Logo, chamou a atenção do coreógrafo americano que cuidava dos passos encenados na peça, bem como do público. “As pessoas saíam do espetáculo e me perguntavam: ‘Como!? Você é gordinha e faz tudo isso!'”, recorda. “A Tracy foi o divisor de águas da minha carreira.”

Televisão. Aos 34 anos, ela encara seu primeiro papel de destaque na TV, a secretária sem falas Lurdinha, na novela “Passione”, de Silvio de Abreu. Antes disso, porém, Simone já tinha atuado na televisão em papéis menores e sem tanto destaque, na novela juvenil “Malhação” e no humorístico “Zorra Total”. Tudo em função de sua atuação em Hairspray. “Na minha vida, eu fui tendo as oportunidades e fui abraçando. Nessa profissão, a gente conta um pouco com a sorte.”

O convite para encenar a secretária Lurdinha na novela partiu do próprio autor, que a viu no teatro estrelando o musical. A personagem foi criada especialmente para ela. “Quando assisti a Hairspray, lamentei não ter um personagem para ela”, revela Silvio de Abreu. Mas com o desenvolvimento dos capítulos, conta, ele percebeu que poderia criar algo especialmente para Simone.

Inicialmente, sempre que a personagem fosse falar, seria interrompida por alguém. Mas a Lurdinha de Simone foi conquistando o público de tal forma que já ganhou as primeiras falas. Ela, então, revelou-se uma verdadeira matraca, justificando o porquê de os outros personagens com quem contracena sempre a impedirem de abrir a boca. Ironicamente, revela que falar foi o mais difícil: “São textos enormes, que eu tenho de falar rápido, sem erros.”

Além disso, a ficção começa a imitar a realidade: a personagem já passou a fazer testes para participar de um musical, no qual poderá dançar e cantar. “Tomara que ela fique famosa e vá para a Broadway”, torce Simone

Modesta, a atriz acredita que o sucesso de Lurdinha é também por conta da equipe técnica da novela e de seus parceiros em cena, como Francisco Cuoco e Irene Ravache. “Se eu não estivesse cercada de pessoas tão talentosas, tão generosas, acho que a personagem não faria tanto sucesso”, opina.

Por conta das gravações, viu a sua rotina ser completamente alterada e, hoje, praticamente vive na ponte aérea Rio-São Paulo. O assédio do público também aumentou. Ao final desta entrevista, num shopping de São Paulo, uma garota chegou até a mesa com um guardanapo na mão e pediu um autógrafo a ela.

Prontamente, a atriz atendeu ao pedido da fã, de quem ouviu: “Fala para ela ficar com o Mimi, tá?” A moça fazia referência ao personagem de Marcelo Médici na trama, com quem Lurdinha começa a ter um relacionamento amoroso. Mas será que é isso que Simone quer para a sua personagem? “Ah, eu quero!”, revela, com um largo sorriso no rosto.

Passado e futuro. Nem tudo foram flores na carreira de Simone. Assim que chegou a São Paulo, ela deu duro para conseguir se estabelecer. “O primeiro ano foi o mais difícil, até eu conseguir um emprego e me sustentar.” Ela relembra com bom humor momentos que deixariam qualquer um desesperado, como o fato de ter dormido em uma casinha de cachorro.

Simone alugava um quarto na casa de uma senhora, mas um dia esqueceu a chave da porta e, quando chegou, ficou fora da casa. Para completar, chovia. Sem querer incomodar a proprietária, ela olhou ao redor e não viu mais nada, a não ser a morada do cão. Foi ali mesmo que dormiu.

Paralelamente à novela, Simone dedica-se à Rádio Banda iPod, da qual é a vocalista. Trata-se de um trabalho acústico, em que são tocadas músicas conhecidas, todas com releitura da própria banda. “Vai de Lady Gaga a Djavan”, conta. Além dos números musicais, a banda ensaia uma mistura de teatro stand-up, e Simone planeja a estreia do show para daqui a dois meses, assim que Passione chegar ao fim.

[NOTA: Texto originalmente publicado por Raphael Scire no jornal “O Estado de S. Paulo”]

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A cidade ideal

SP nas novelas
Por Raphael Scire

A teledramaturgia brasileira deu especial destaque à cidade de São Paulo em 2010. No começo do ano, três tramas eram ambientadas na capital paulista: Caras&Bocas, de Walcyr Carrasco, Tempos Modernos, de Bosco Brasil, e Poder Paralelo, de Lauro César Muniz. Delas, Tempos Modernos é que a mostrava a cidade sob uma ótica mais idealizada – o centro velho reformulado, sem sujeiras e violência.

O colorido da cidade cenográfica de Caras&Bocas parece ter sido transferido para o remake de Ti ti ti. Não espanta o fato do diretor das duas tramas ser o mesmo – Jorge Fernando. À época da estreia da novela, a autora Maria Adelaide Amaral deu uma entrevista ao caderno de TV do jornal O Estado de São Paulo e disse que não poderia ambientar a história em outro lugar a não ser São Paulo. E não poderia mesmo. A trama original, de Cassiano Gabus Mendes, também se passava por aqui.

A novela de 2010 mostra inúmeras referências à cidade. O ateliê de Jacques Leclair (Alexandre Borges) fica no emergente bairro do Jardim Anália Franco, na zona leste. Mas ele sonha mesmo em abrir uma filial na Oscar Freire, tradicional reduto de fashionistas paulistanos. O bairro dos Jardins é mostrado com toda a efervescência do mundo da moda, tal como pede a trama. Autora e equipe não poupam piadas com a cidade: elas vão do trânsito caótico à degradação de algumas áreas da metrópole.

E a cidade também chegou ao horário nobre. Também na zona leste, concentra-se o núcleo popular de Passione, de Silvio de Abreu. Mas a diversão da trama fica em outro bairro: o Jardim América. É lá que mora Clô Souza e Silva. A personagem de Irene Ravache não demorou muito para roubar a cena e brilhar na novela – brilho, aliás, que é corroborado pelo figurino extravagante da perua. Nascida em Vila Monumento, criada no Cambuci, a emergente paulistana não se cansa de dizer que já foi pobre e não gostou.

Ela subiu de vida ao se casar com Olavo Silva (Francisco Cuoco), um empresário que ganhou dinheiro com a reciclagem de resíduos. No início da história morava em um bairro popular, distante do Jardim América, onde sempre sonhou em residir. Fez que fez que acabou conseguindo convencer o marido a comprar uma mansão por lá, perto de sua ídola Bete Gouveia (Fernanda Montenegro).

Para conquistar o público masculino, o autor Silvio de Abreu desenvolveu ainda a trama de Gerson (Marcello Antony), um campeão de Stock Car. Vira e mexe, imagens do carro do piloto a correr no autódromo de Interlagos são exibidas na telinha.

Apesar de sabermos que todos aqueles stock shots – imagens panorâmicas da cidade – mostrados são recortes da realidade e do chiado da fala de alguns atores (muitos deles cariocas), São Paulo é retratada com fidelidade pelos autores de telenovelas. É uma maneira de mostrar uma cidade ideal, de expô-la além de seus problemas habituais. Esse, ficam reservados aos telejornais locais.

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Resultado da enquete – Palitadas? Non plus

Por Raphael Scire

Na semana passada, publicamos aqui no EspelhoSP uma nota a respeito de um projeto de lei que tramita na Câmara Municipal que pretende vetar o uso de palitos de dente em restaurantes e bares de São Paulo.

Junto ao post, publicamos também uma enquete perguntando o que nossos leitores acharam da proposta. Foram apenas 17 votos – calma, nosso blog não é nenhum portal e não poderíamos esperar uma votação gigantesca.

O resultado foi o seguinte: 76% (13 votos) são contra, ao passo que 24% (4 votos) são a favor.

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Palitadas? Non plus

Por Raphael Scire

Os dias de indelicadeza e deselegância em mesas de bares e restaurantes da capital paulista estão contados. Tramita na Câmara Municipal projeto de lei que proibe o uso de palitinhos de dente – sim, você leu certo – pelos clientes. De autoria do vereador Adilson Amadeu (PTB), o projeto propõe a troca dos utensílios de madeira por fio dental (que deverão ficar nos banheiros dos estabelecimentos).
Amadeu alega que a substituição é importante pois trata-se de uma maneira de conter a proliferação de bactérias.
Os estabelecimentos que não cumprirem a lei podem ter de pagar multa de até R$ 1 mil. Mas tudo isso, é claro, ainda precisa da aprovação do prefeito Gilberto Kassab (DEM).

E você, o que acha da medida? Vote na nossa enquete, comente, participe.

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