Mais uma vez Julieta e Romeu

Descansando de SP

Por Luma Pereira

Publicado em 1848, o livro A Damas das Camélias é considerado a obra prima de Alexandre Dumas Filho. Conta a história de amor entre Armand Duval, estudante de Direito pertencente à alta burguesia francesa, e Marguerite Gautier, cobiçada cortesã de Paris. Tendo a vida mantida pelos amantes, encanta todos os parisienses com a beleza e capacidade de sedução.

O romance se passa em meados do século XIX, e promove discussão sobre a moral e ética da época. Conforme os costumes do período, o relacionamento de um aristocrata com uma cortesã se opõe aos padrões sociais burgueses daquele século. Dumas representa a hipocrisia da sociedade através da figura do pai de Duval, que tenta impedir o amor do filho com a cortesã. Convence Marguerite de que ela prejudica a vida de Armand, e que a relação deles ofende a boa família.

A obra não segue uma linearidade. Consiste nos relatos de Duval para o seu confidente, o narrador do romance. Sendo assim, no enredo há lembranças do protagonista, cartas do casal, o diário de Marguerite e depoimentos de outras personagens que fizeram parte dessa história de amor. Dumas escreve de maneira melancólica, conferindo ao livro tom de tragédia e sensação de tristeza ao narrar as impossibilidades da paixão entre eles.

A Dama das Camélias é autobiográfico. Em 1842, Dumas conheceu Marie Duplessis, famosa cortesã da época, e tornou-se seu amante. Após a morte dela, o autor decidiu escrever sobre os anos que passaram juntos, inspirado na experiência vivida . Além disso, também reflete no livro outros dados biográficos. Filho ilegítimo de Alexandre Dumas com uma lavadeira, Catherine Labay, o escritor sempre sofreu preconceito devido a essa origem, por isso escreve sobre os efeitos disso. 

A obra consiste numa crítica às idéias tidas como absolutas. Toda uma época se opôs à sinceridade do sentimento de dois apaixonados, o que impossibilitou a concretização desse amor. Então, Alexandre Dumas filho escreveu para quem quisesse ler a história de Marguerite Gautier e Armand Duval, inspirada no seu relacionamento com Marie Duplessis, e que não deixa de ser a representação dos muitos outros romances silenciados pela moral e ética de um período. Através da personagem de Marguerite, o livro fez de Marie a dama de todas as camélias.

*Texto originalmente publicado no Site de Cultura Geral da Faculdade Cásper Líbero.

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