O que a mente esquece o coração não sente?

Descansando de SP
Por Luma Pereira

Dirigido por Michel Gondry, “Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças” (Eternal Sunshine of the Spotless Mind, 2004) é um filme norte-americano do gênero drama.

Joel (Jim Carrey) e Clementine (Kate Winslet) interpretam um casal cujo relacionamento está em crise. Ele é do tipo reservado e metódico. Ela, extrovertida e impulsiva. Ambos são opostos que se atraem, complementam-se. Porém, facilmente podem ocorrer discordâncias. É por isso que a protagonista, farta das brigas, decide procurar uma clínica especializada em apagamento de memória, a Lacuna Inc.. Almeja esquecer Joel, eliminando-o para sempre das próprias recordações. Ao descobrir o que Clementine fez, ele também procura o doutor Howard Mierzwiak (Tom Wilkinson), a fim de apagar a amada da mente.

O filme se passa em dois planos diferentes: o da realidade e o da imaginação. Na clínica, os especialistas colocam em prática os procedimentos de apagamento de memória. Joel leva todos os objetos que lembram Clementine, para que a empresa mapeie seu cérebro, indicando onde estão as lembranças da ex-namorada. Identificadas essas memórias, elas são eliminadas por completo da vida do cliente. Entretanto, no decorrer do processo, o protagonista desiste de querer esquecer a amada, e tenta interromper a máquina de apagamento.

Já no plano da imaginação, é mostrado o interior da mente de Joel, no qual as cenas adquirem características surreais. Como quando ele e Clementina estão numa casa de praia, e, de repente, esta começa a desmoronar – uma representação daquela recordação se apagando. Ou na cena em que estão deitados no gelo, e ela é arrastada para longe dele. Há também outro exemplo, em que Clementina simplesmente desaparece na escuridão.

Joel, lutando contra o apagamento de memória da Lacuna Inc., corre com Clementina pelas próprias memórias, a fim de escondê-la do esquecimento. Leva a protagonista para lembranças das quais ela não faz parte, como as da infância, para que a amada permaneça em sua vida.

“Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças” coloca em discussão a função da memória nos dias atuais. Mostra que tanto as boas lembranças quanto as ruins são essenciais para o nosso amadurecimento. Não adianta querer apagar recordações que nos fazem sofrer, pois, de alguma maneira, elas contribuem para o nosso desenvolvimento na vida. Além disso, por mais que um acontecimento nos traga tristezas, o que deve ficar guardado em nós são as boas lembranças. São as únicas que importam. Pode-se até tentar eliminá-las da mente, como fizeram Clementine e Joel, mas o fato é que as memórias vivem em nós com outro nome: sentimentos. E esses, nem a filial mais competente da Lacuna Inc. conseguiria apagar.

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