Paulista mostra o sentimento da cidade com o resultado da eleição presidencial

Por Nathan Lopes

Helicópteros sobrevoando a Avenida Paulista é algo comum durante a semana, porém nem tanto aos domingos. No último dia 31, pude ver ao menos dois nas proximidades da região. E como eles não se movimentavam, só poderiam ser helicópteros de televisão. Mas o que acontecia de tão importante para que houvesse não apenas um e sim dois fazendo imagens da avenida?

Foi aí que, do encontro da Rua da Consolação com a Paulista, passei a ver pequenos grupos de pessoas balançando bandeiras dizendo que iam para o MASP  ou o prédio da TV Gazeta. Era de noite. Não conseguia ver o que estava escrito nas bandeiras. Ao ouvir o que cantavam em sua marcha, tudo se esclareceu. “Olê, olê, olê, olá, Dilma, Dilma”.

Era óbvio que todo final de campanha política vitoriosa – ainda mais a presidencial – tem sua comemoração na Avenida Paulista. Mas em nenhum momento pensei que haveria essa movimentação, pois não tinha visto muitos militantes da candidata do PT mostrando-se pela cidade. Isso com exceção das pessoas contratadas para balançar as bandeiras nas esquinas da cidade.

A cada vez que o semáforo de pedestres ficava verde, um novo grupo – geralmente com quinze, vinte pessoas – começava sua caminhada e sua cantoria. Essas pessoas vinham, em sua maioria, de um prédio do lado ímpar da Consolação, não muito distante da Paulista. Lá era a sede do “Comitê Dilma Presidente”.

Suas portas já estavam praticamente fechadas. Três carros adesivados com o “Dilma 13” aguardavam o término da movimentação dentro do comitê. Na calçada à frente do prédio, outro grupo comemorava com suas bandeiras. Provavelmente, logo iriam para o local do encontro com os outros militantes na avenida.

Outros vinham, de ônibus, de outras partes de São Paulo. De dez pessoas que desciam dos coletivos, pelo menos três trazia algo – broche, adesivo, bandeira – que lembrava a candidata eleita presidente do Brasil. E isso acontecia a cada parada de ônibus no ponto.

A surpresa fica por a maioria desses militantes ser de jovens. Passei esses três meses de campanha encontrando eleitores mais novos declarando voto para Marina Silva e José Serra. De Dilma, não conheci mais que três. Por isso não esperava toda a movimentação que aconteceu na Paulista a partir do momento do anúncio da vitória de Dilma Rousseff. Afinal, essas comemorações geralmente são puxadas pelos jovens, o que não me fez esperar ver essa grande quantidade de gente festejando.

O único ponto negativo fica por conta dos motoristas – talvez eleitores de Serra – que deixavam sua mão dormir na buzina alguns segundos ao ouvir o nome de Dilma ser entoado pelos grupos. Alguns, além disso, soltavam xingamentos contra eles. A reação pode até ser considerada “dentro do esperado”, pois o candidato do PSDB conquistou mais votos que a vencedora na capital. Por outro lado, os motoristas pró-Dilma davam leves socos em sua buzina ao chegar à região. Era buzinaço para todos os gostos.

A comemoração e o descontentamento fazem parte do momento em que o resultado é divulgado. E, mais uma vez, a Avenida Paulista foi o local em que se pode ter uma dimensão do que representou o final de uma eleição.

Anúncios

Deixe um comentário

Arquivado em Cidades, Política

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s