Realidade aos pedaços (ou inúmeras realidades)

Descansando de SP
Por Luma Pereira

O filme Uma Mente Brilhante (A Beautiful Mind, 2001), dirigido por Ron Howard, é baseado na biografia de John Forbes Nash, matemático norte-americano. Interpretado por Russell Crowe, o estudante da Universidade de Princeton objetiva encontrar a “ideia original”. Introspectivo e isolado do convívio com os colegas, ele elabora uma teoria revolucionária com aplicação à economia, que contradiz um conceito clássico do pensador escocês Adam Smith. Em 1994, esse estudo lhe rende o Prêmio Nobel por sua contribuição à Teoria dos Jogos.

Entretanto, o protagonista é acometido pela esquizofrenia. Apresentando alucinações visuais, ele interage com pessoas imaginárias, como o amigo Charles (Paul Bettany), com quem conversa sobre o processo de suas descobertas científicas. Com o avanço da doença, Nash acredita estar sendo perseguido pelo governo, o que ocasiona o aparecimento de mais personagens irreais, como Parcher (Ed Harris). Além disso, o protagonista vê matemática em tudo que observa e realiza cálculos a partir disso, fato que é mostrado através de efeitos especiais. Posteriormente, casa-se com Alicia (Jennifer Connelly), esposa dedicada que o apóia durante toda a vida, e com quem tem um filho.

O que torna Uma Mente Brilhante sensacional é o modo como Ron Howard realiza as filmagens. A película mostra a esquizofrenia do ponto de vista do paciente, sendo que o espectador fica em dúvida se aqueles personagens que Nash vê são de fato reais ou se apenas produtos da imaginação dele. No decorrer da trama, Howard fornece pistas aos espectadores, como quando Nash percebe que a sobrinha de Charles não envelhece. O desespero do protagonista é não saber o que é criação de sua mente e o que não é. O filme mostra que a realidade pode ser apenas uma convenção social, compartilhada pela maioria, mas há exceções. E que, quando se depara com uma mente brilhante, o real se reinventa – a realidade fica aos pedaços.

A produção venceu o Oscar de 2002 nas categorias de melhor filme, melhor roteiro adaptado, diretor e melhor atriz coadjuvante (Jennifer Connelly). Também foi indicado às categorias de melhor ator (Russell Crowe), melhor trilha sonora original (James Horner), melhor edição (Mike Hill e Daniel P. Hanley) e melhor maquiagem (Greg Cannom e Colleen Callaghan). Uma Mente Brilhante é uma trama instigante, vale a pena alugar em DVD para assistir no fim de semana.

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1 comentário

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Uma resposta para “Realidade aos pedaços (ou inúmeras realidades)

  1. Nathalie

    Muito legal o post, Lu! Eu pessoalmente adoro esse filme, quando o Nash descobre que a menininha e alguns personagens são “alucinações” dele mesmo é muito surpreendente, pois o filme é feito para não sabermos isso, como você disse.
    Mas o que eu acho mais incrível é como de certa forma a loucura o torna mais genial ainda! Quando ele está no período em que toma os remédios para doença, ele perde parte do brilho de sua mente. Um filme incrível e ponto final =)

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