“Nós não somos insensíveis”

O promotor Francisco Cembranelli valida a cobertura midiática em situações que chocam a opinião pública e confessa o seu envolvimento emocional nos casos em que atua

Por José Roberto Gomes Júnior, Priscila Pires e Raphael Scire

A morte da menina Isabella Nardoni, em março de 2008, abalou o País e gerou uma onda de informações e conteúdos por parte da mídia. Passados dois anos do incidente, os meios de comunicação novamente bombardearam o público com notícias, só que desta vez sobre o julgamento dos acusados de cometerem o crime, o pai Alexandre Nardoni e a madrasta Ana Carolina Jatobá, considerados culpados pelo Júri.

Foi exatamente por causa disso que o nome de Francisco José Taddei Cembranelli, 49 anos, ficou conhecido nacional e internacionalmente. A atuação do Promotor de Justiça no caso foi ao encontro do anseio público, de modo que o resultado do julgamento veio a impulsionar sua carreira e significou a apoteose do caminho profissional.

“Sou vítima da violência da mesma forma como qualquer ser humano”

Mesmo durante o curso do julgamento do Caso Isabella, Cembranelli não abandonou os demais casos em que trabalhava. “Nunca me afastei das minhas outras funções. Sempre fiz Júri, mesmo durante os momentos mais críticos do Caso Isabella”. Reconhece, entretanto, que teve a rotina alterada, em parte por conta do assédio da imprensa, ávida por novas informações a respeito das investigações.

“Se disser que tratei do Caso Isabella e que ele representa para mim exatamente a mesma coisa que qualquer outro caso, estaria mentido. Houve uma dedicação extrema, que costumo dispensar aos casos que passam por mim

Ele admite que até os profissionais do Direito são sensibilizados em julgamentos como esse. “Antes de ser promotor, sou cidadão, sou pai de família. Sou vítima da violência da mesma forma como qualquer ser humano.”

“Respeito profundamente o trabalho da imprensa, entendo que ela deve exercer esse papel de informar”

Em relação à aplicação da lei, Cembranelli é claro em suas opiniões: “Não podemos estabelecer essa visão maniqueísta de que só os bons merecem a aplicação dos direitos”. Ele afirma, também, que precisa haver uma discussão mais aprimorada acerca dos direitos sociais no Brasil e que se faz necessária uma atuação conjunta entre Governo e ONG´s para que o país assuma uma posição de primeiro mundo no que diz respeito aos direitos humanos.

Na semana que vem, o EspelhoSP publica a íntegra da entrevista com o promotor Francisco Cembranelli.

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3 Comentários

Arquivado em Cidades

3 Respostas para ““Nós não somos insensíveis”

  1. Ah, quem comentou foi a Flávia.

  2. Pingback: ENTREVISTA: Francisco Cembranelli, promotor de Justiça «

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