Duas São Paulo através da música

Por Nathan Lopes

Foi o passado de São Paulo que inspirou a marca dos “Trovadores Urbanos”. Eles são sinônimo de “trajes da década de 1920 acompanhados de violas para suas serenatas”. O grupo, formado originalmente por Maída Novaes, Valéria Caram, Júlio Novaes e Eduardo Santhana, é uma das formas de imaginar um ritmo de vida para a cidade que não existe mais. Quando voltam ao século XXI, o presente toma o lugar do tempo que já se foi em suas canções. Assim Santhana e Juca Novaes (não confundir com Júlio) compuseram uma das músicas que faz sucesso nas rádios e nos palcos paulistanos: “Fim de tarde”.

A canção fala sobre os pensamentos de uma paixão quando se enfrenta o trânsito de São Paulo. Enquanto se depara com um farol vermelho, a mente se concentra em outro assunto do que tirar o pé do freio. A letra reflete o cotidiano de muitas pessoas que se veem presas fisicamente em um lugar da cidade, mas se imaginam em outro; ou, ainda, estão ansiosas por chegar neste local.

A interpretação é de Bruna Caram, filha de Maída Novaes, dos “Trovadores Urbanos”. Foi através de sua mãe que descobriu a música composta por seus tios, pela qual se apaixonou completamente. Ela comentou a canção em seu blog. “Adoro essa idéia da pessoa que está no trânsito cantarolando indo encontrar o seu amor, e a cada farol aproveita um pouquinho pra sonhar acordada, só despertando ao lembrar que já, já chegará!”.

Confira a letra de Eduardo Santhana e Juca Novaes:

Eu só desperto quando acende o farol – 
Vai acontecer!
No fim de tarde, na viagem do sol
Hora de te ver
Nas avenidas uma constelação
Sonho e poder
Luzes chamando pelo meu coração
E ele por você

Preciso te encontrar
De qualquer jeito
Preciso te guardar
Dentro de mim

Luzes e flashes de neón e cristal
Todo o meu prazer
Hora do rush, noite na capital
Como deve ser?
Nessa cidade, tanto bem, tanto mal,
Tanta coisa no meu coração

Na mesma hora, mesmo batlocal
Vou te esperar
Na mesma mesa finjo ler um jornal
Guardo seu lugar
Na longa noite, nosso ponto final
Fogo pra queimar nossa paixão…

Santhana trabalha com duas épocas diferentes, dois ritmos de vida distintos. A tranquilidade e a paixão das serenatas nos “Trovadores”, e, em parceria com Novaes, o estresse e a inquietude do contemporâneo. Seu trabalho com a música na cidade identifica tempos da trajetória de São Paulo.

[NOTA: o texto foi corrigido. Brunca Caram é filha de Maída Novaes, não Valéria Caram, como aqui estava. Peço desculpas às três pelo erro.]

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