Sobre Siracusa e a decepção

Por Priscila Pires

A minha maior decepção italiana não foi a bagunça nas estações de trem nem a água de gosto estranho.  A minha maior decepção foi Siracusa, cidade localizada no sudeste da Sicília. As flores que enfeitavam as ruas quase me enganaram; no ar o perfume que predominava era o de urina. Sem falar que, não tendo tempo para conhecer todos os pontos turísticos, optei pela parte mais “antiga” da cidade, além da Basílica Santuário de Nossa Senhora das Lágrimas (Santuario della Madonna delle Lacrime).

A Basílica vista de cima

Primeiro sobre a Basílica: bem diferente do que estamos acostumados, uma das principais “atrações” da cidade mais parece um shopping center. Ainda estou pensando se os vitrais não eram na verdade tevês de plasma. Acho que não entendi muito bem o conceito, a disposição circular, o vazio e o branco. Mas admito que o jardim vale a pena pelas esculturas belíssimas de bronze, que representam os quinze mistérios do rosário.

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L'Annunciazione, de Giuseppe Caruso

Depois de andar um pouco e se deparar com igrejas fechadas, cheguei ao Parque Arqueológico de Neápolis. A bilheteria ficava uns muitos metros de distância da entrada, e o preço não foi nem um pouco tentador (dez euros), mas eu estava obstinada a conhecer os mistérios da civilização greco-romana. O preço do ingresso se justificaria se o local fosse bem conservado, mas não foi o que encontrei. Algumas ruínas estavam realmente arruinadas, restos de qualquer coisa cobertos por mato. Só o teatro grego salvou o passeio.

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Ruínas?

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Teatro grego

Outro ponto turístico importante, e que ficou faltando no meu roteiro, é a Isola di Ortigia. Essa sim, dizem, é a “jóia” da cidade.

Fonte Aretusa

Comparando Siracusa com as outras cidades que eu conheci, o quesito “cuidar do patrimônio histórico” ficou devedor; entretanto, por toda a Itália (e principalmente no sul) estão exemplos de como é difícil mantê-lo em bom estado. Só para exemplificar:  o próprio Colosseo, em Roma, está precisando de uma restauração, e em Palermo vi muitos monumentos pichados.

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Nem o carro escapou (Roma)

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Em Palermo

O que não é assim muito diferente do que acontece em São Paulo.

Praça Júlio Mesquita, 2009

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