Arquivo do mês: agosto 2010

Resultado da enquete – Palitadas? Non plus

Por Raphael Scire

Na semana passada, publicamos aqui no EspelhoSP uma nota a respeito de um projeto de lei que tramita na Câmara Municipal que pretende vetar o uso de palitos de dente em restaurantes e bares de São Paulo.

Junto ao post, publicamos também uma enquete perguntando o que nossos leitores acharam da proposta. Foram apenas 17 votos – calma, nosso blog não é nenhum portal e não poderíamos esperar uma votação gigantesca.

O resultado foi o seguinte: 76% (13 votos) são contra, ao passo que 24% (4 votos) são a favor.

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Pacaembu como opção para a Copa-14

[Sobre a notícia da escolha do estádio, leia a NOTA no final do texto]

Por Nathan Lopes 

No final de maio, começou a polêmica de que o Morumbi não receberia os jogos do Mundial de futebol em 2014. Cheguei a comentar o assunto em “Copa em São Paulo: rixa, discussões e indefinição”. Já que o estádio são-paulino não seria utilizado, coloquei no ar uma enquete com quatro possibilidades: o reformado Palestra Itália, um possível Piritubão, o irreal Parque São Jorge e o próprio Morumbi. Em nenhum momento lembrei do Paulo Machado de Carvalho, o Pacaembu. 

Motivos sobravam. Sua estrutura é antiga e defasada, está localizado em uma região com trânsito de veículos pesado e complicado, além de faltarem os requisitos pedidos pela Federação Internacional de Futebol Associado (FIFA) para receber a abertura da competição. Não haveria lógica usar um estádio da metade inicial do século XX quase cem anos depois que mantinha as condições básicas daquela época. 

Contudo, recentemente, justamente por causa da rixa, das discussões e da indefinição, levantou-se a possibilidade de usar o Pacaembu como sede do estado na Copa. Para isso, haveria uma completa reforma interna, mantendo a fachada, que é tombada pelo patrimônio histórico. E não seria apenas isso. Planeja-se uma mudança nas cercanias do estádio. Quem já o frequentou, sabe que espaço não falta à frente de sua entrada principal. Agora, nas laterais, os milhares de torcedores têm uma calçada de pouco mais de um metro de largura para circular. Além disso, possuem a companhia da grande quantidade de carros que seguem para Avenida Doutor Arnaldo, de um lado, ou para a Pacaembu, do outro. Comentários apontam que essas duas vias passariam a ser subterrâneas (de uma forma que não imagino como) para a construção, no lugar, de um calçadão. 

Especulações à parte, me agradou a ideia de o Pacaembu sediar os jogos paulistas. Esse é um estádio diferenciado. Não digo isso por ter uma infra-estrutura que, em comparação com os outros, atende razoavelmente bem o torcedor. Digo pelo ato de se assistir a um jogo de futebol. Em dezembro, a seleção feminina participava do Torneio Internacional Cidade de São Paulo. As arquibancadas estavam praticamente tomadas; quase não havia espaço. Toda vez que Marta, Cristiane, Érika, Maurine e companhia faziam uma jogada de efeito (algo comum nesse time), o som de contentamento que a torcida soltava traduzia a alegria e o prazer por ver aquilo. A intensidade dessa sensação potencializava-se no coro de “Brasil”. Além da vibração da torcida, todo esse cenário tem uma causa: a engenharia do estádio. Seu formato propicia uma acústica que eleva o grau de participação da torcida na partida. A emoção de torcer fica dentro dos limites do estádio e não se perde para fora, como no Morumbi. A imagem para isso seria um clichê: o caldeirão. Em uma jogada de perigo, todos se levantam e fazem “uuhhhhhh!” quando a bola passa longe da meta. Após cada apito final, surge a vontade de voltar para ver um novo jogo. E, sendo o Pacaembu o local da abertura, o espetáculo poderia se repetir, agora com a seleção masculina. 

Afora isso, não se teria por que enfrentar um ambiente com uma canaleta gigante tendo alguns buracos para escoamento que chamam de “banheiro”. Ou tentar comprar alimentos e bebidas em uma espécie de presídio, ao qual dão o nome de “lanchonete”. Ou, ainda, esforçar-se para subir as montanhas de tijolos, uma mais alta que a outra, cuja denominação é “escada”. 

Apesar de ninguém confirmar, tenho a sensação de que o Pacaembu será mesmo o estádio de São Paulo na Copa do Mundo de 2014. Comecei a pensar assim depois do treinamento de segurança da Polícia Militar lá esta semana [veja em matéria do SPTV]. Também porque, se não houver investimento privado na construção de uma nova arena, os governos estadual e municipal irão arcar com as obras; lembrando que o estádio pertence a este último. Seja qual for o motivo dessa possível escolha, acredito que ela será boa. Isto se reformas – essenciais há muito tempo – forem feitas.

[NOTA: Este texto foi escrito antes da informação sobre o futuro estádio do Corinthians em Itaquera ter sido escolhido, na última sexta, como sede de São Paulo para o Mundial. Pelo histórico de problemas na decisão pelo local dos jogos, decidi manter o texto; até como sugestão caso algo aconteça. E eu, como corintiano, já ouvi muitas vezes essa história de estádio. Sempre que o assunto ressurge, fica difícil acreditar.]

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Um “lunático” querido

Por José Roberto Gomes
Luma Pereira (especial para o ESPELHOSP)

Você já pensou em roubar a Lua? Não? Pois esse é o sonho do orgulhoso Gru em “Meu Malvado Favorito”, o mais novo – e brilhante – filme de animação dos estúdios Illumination Entertainment. Sob a direção de Pierre Coffin e Chris Renaud e com um enredo que mistura amizade, comédia e ficção, a película é aquela tradicional obra que se enquadra na classificação “para toda a família”.

Tudo começa após outro ladrão, Vetor, sumir com a Pirâmide de Gizé, no Egito, colocando no lugar uma imensa réplica a gás – o que acaba sendo considerado o roubo do século. Ambicioso e desejando a fama, Gru se volta para algo maior: o satélite natural da Terra. Para essa empreitada, conta com apoio dos amarelados mínions e do cientista Dr. Nefario.

Mas um detalhe atrapalha o plano mirabolante dele: para diminuir o tamanho da Lua a ponto de poder surrupiá-la, Gru tem que pegar um raio que reduz o tamanho das coisas justamente de Vetor. Tudo muda quando ele conhece três crianças órfãs e vê nelas a chance de conquistar a nossa querida “bola de queijo”.

O resto da história a gente deixa para você conferir no cinema!

Boa sessão!

Assista ao trailer do filme:


Saiba onde assistir a “Meu Malvado Favorito” (de 27/08 a 02/09):
DUBLADO

Anália Franco
Boa Vista
Boulevard Tatuape
Bourbon
Bristol
Butantã
Campo Limpo
Center Norte
Central Plaza
cidade Jardim
Eldorado
Iguatemi
Interlagos
Interlar Aricanduva
Jardim Sul
Kinoplex Vila Olímpia
Lapa
Market Place
Metrô Itaquera
Metrô Santa Cruz
MetrÔ Tatuapé
Pátio Higienópolis
Pátio Paulista Cinemark
Penha
Plaza Sul
Santana Parque
Shopping D
SP Market

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Palitadas? Non plus

Por Raphael Scire

Os dias de indelicadeza e deselegância em mesas de bares e restaurantes da capital paulista estão contados. Tramita na Câmara Municipal projeto de lei que proibe o uso de palitinhos de dente – sim, você leu certo – pelos clientes. De autoria do vereador Adilson Amadeu (PTB), o projeto propõe a troca dos utensílios de madeira por fio dental (que deverão ficar nos banheiros dos estabelecimentos).
Amadeu alega que a substituição é importante pois trata-se de uma maneira de conter a proliferação de bactérias.
Os estabelecimentos que não cumprirem a lei podem ter de pagar multa de até R$ 1 mil. Mas tudo isso, é claro, ainda precisa da aprovação do prefeito Gilberto Kassab (DEM).

E você, o que acha da medida? Vote na nossa enquete, comente, participe.

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Pregão tranquilo na Wall Street paulistana

Por Priscila Pires

Imagens: Divulgação/Colherada Cultural

Wall Street está em São Paulo. Ou pelo menos o bar que, contrariando o ambiente da rua nova-iorquina, é um espaço tranquilo para ouvir música, bebericar com os amigos e comer algum petisco. No telão, as “ações” que oscilam são os preços das bebidas (em uma noite, o drink Sex On The Beach passou de R$ 18,00 para R$ 32,40!). Na entrada do bar, não poderia faltar o famoso touro que representa a “robustez da economia americana” – mas em uma versão mais modesta.

Wall Street Bar Bull

Através de uma tela touchscreen, é possível consultar o cardápio e fazer os pedidos, passando um cartão magnético (individual e personalizado) que é entregue na entrada.  No sistema, há também uma jukebox com repertório variado, e cada música custa R$ 0,99. O único problema é que a fila de espera é longa.

Os pedidos são feitos por uma tela touchscreen, presente em cada mesa

O preço é um pouco salgado, mesmo quando as “ações” estão “em baixa”. Lá pelas 23h00, um “crash” foi anunciado: uma sirene tocou e os preços voltaram ao original. Mas só por alguns minutos.

A tranquilidade do pregão de bebidas

Wall Street Bar

Rua Jerônimo da Veiga, 149 – Itaim Bibi – São Paulo/SP

Horário de funcionamento: das 18h00 às 02h00

Entrada: R$ 30,00. Sextas e sábados: mulheres pagam R$ 15,00.

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Ladrão de sonhos

Por José Roberto Gomes
Luma Pereira (especial para o ESPELHOSP)

Christopher Nolan deve ter a fórmula de fazer dinheiro. Em 2008, com o filme “Batman: O Cavaleiro das Trevas”, faturou US$ 1 bilhão ao redor do planeta. Agora, com “A Origem”, não deve ser diferente.

Em cartaz no Brasil desde o dia 06/08, a obra já é considerada a melhor de Hollywood em anos. Não é para menos. Só o elenco, com Leonardo DiCaprio, Ken Watanabe e Cillian, já se destaca. Mas é na trama que reside o segredo da película Nolan.

Dom Cobb (DiCaprio) lidera uma equipe capaz de roubar segredos valiosos do inconsciente das pessoas. Essa arte perigosa o colocou, no entanto, como um fugitivo internacional, perdendo com isso tudo o que amava. Quando um empresário o procura para mais um trabalho, Cobb percebe que tem a chance de sair dessa vida clandestina. A tarefa é justamente o contrário: inserir na mente de alguém uma ideia, e não retirar. Trata-se do crime perfeito que pode lhe render a redenção.

Com um roteiro mirabolante e gráficos que não impressionavam desde “Matrix”, “A Origem” certamente ainda dará o que falar. Seja em sucesso entre os críticos ou entre as transações na conta bancária de Christopher Nolan.

Assista abaixo ao trailer de “A Origem”:



Saiba onde assistir ao filme
(de 20/08 a 26/08):
DUBLADO
Anália Franco
Boa Vista
Campo Limpo
Central Plaza
Interlagos
Interlar Aricanduva
Jardim Sul
Marabá
Metrô Itaquera
Metrô Santa Cruz
Metrô Tatuapé
Penha
Santana Parque
Shopping D
SP Market

LEGENDADO
Anália Franco
Boulevard Tatuapé
Bourbon IMAX
Bristol
Center Norte
Central Plaza
Cidadde Jardim
Cine TAM
Eldorado
Frei Caneca Unibanco Arteplex
Iguatemi
Interlagos
Jardim Sul
Kinoplex Itaim
Kinoplex Vila Olímpia
Market Place
Metrô Santa Cruz
Metrô Tatuapé
Pátio Higienópolis
Pátio Paulista Cinemark
Plaza Sul
Santana Parque
Shopping D
SP Market
Villa Lobos

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Jornalismo com literatura

Por Flávia Leal

O jornalismo e a literatura estão cada vez mais interligados. Os dois caminham juntos desde muito antes do termo “new journalism” aparecer como conceito e entre as páginas de autores do século XX. A labuta em periódicos, de escritores que marcaram época, é mais antiga.

Em meados do século XVIII, conhecido como o período das luzes, o liberalismo econômico e a revolução francesa mudavam as concepções da sociedade e a burguesia subia ao antigo trono do monarca, tornando-se então a detentora do poder político. Liberdade, igualdade, fraternidade, essa tríplice não foi de todo sucesso e teve um tempo limitado, porém a nova classe emergente atendeu a uma necessidade feita pela outra revolução, a Industrial: o desenvolvimento da imprensa.

As novas tecnologias proporcionaram o aumento dos periódicos e a quantidade de informação, fazendo com que no século posterior surgissem escritores que escrevessem para jornais como o francês Honoré de Balzac, autor do clássico “A comédia humana” e Émile Zola, considerado o precursor do naturalismo com o livro que o consagrou, “O Germinal”. Críticos e polêmicos tentavam traçar um panorama da realidade humana. Para isso, uniram a observação e o contato com os personagens verdadeiros que conheciam no cotidiano, aliando o trabalho de jornalista com o talento de escritor.

No Brasil, Machado de Assis ficou conhecido como um múltiplo autor dentro das redações de jornais, como nos periódicos “Diário do Rio de Janeiro” e “Marmota Fluminense”. Lima Barreto, em seu romance “Recordações do escrivão Isaias Caminha”, usou como personagem principal do livro um repórter, considerado o seu alter-ego. Outra figura chave é o dândi carioca, aquele que recebeu a alcunha de primeiro repórter investigativo no Brasil: João do Rio. Com o faro jornalístico do “A alma encantadora das ruas” ele escreveu com oscilações entre crônica e reportagem.           

O jornalismo literário aparecia, diminuindo a fronteira entre o jornalista e o escritor. O norte-americano Truman Capote sintetizou essa união com o livro “A sangue frio” considerado o primeiro romance de “não-ficção”, em que fatos reais são misturados à liberdade da imaginação literária. O termo novo-jornalismo foi então consolidado.

Gay Talese com o seu livro sobre a história do jornal The New York Times, “O reino e o poder”, escreveu uma extensa reportagem utilizando a técnica do romance. Ao analisar o periódico americano mais lido dentro dos EUA e uma das maiores potências em termos de informação, e ter usado a forma literária de escrever, Talese pôs fim às dúvidas anteriores sobre a eficácia e a permanência do jornalista que é ao mesmo tempo literato.

A revista brasileira “Realidade” dava espaço a jornalistas, que também eram escritores ou vice-versa, a fazerem história com o jornalismo literário. Eles vivenciavam a experiência como repórteres e personificavam o homem atrás da máquina de escrever da época.

Àqueles que foram dados como iniciantes no processo de aproximação entre as letras imaginadas com as relatadas, o cânone é universal. Os que vieram depois ajudaram a confirmar que a forma não é ultrapassada ou indica um determinado período histórico. Jornalismo literário representa o novo. Perfis, ensaios, conto-reportagem, romance sem ficção, aparecem cada vez mais em jornais e revistas especializadas.

O jornalista tem a oportunidade de escrever para reportar, mas também para criar. A literatura chega a diversos veículos de informação. Num país em que o número de leitores é baixo, a aproximação entre ficção e realidade nos periódicos faz com que mais pessoas se interessem pela arte da escrita literária. Novos escritores nas redações, já.

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