Na trilha do teatro

Por José Roberto Gomes Júnior, Nathan Lopes, Priscila Pires e Raphael Scire

Um exemplo de que quando se faz algo que se gosta, se faz bem é Beth Néspoli. Por 15 anos, ela escreveu sobre teatro para o “Caderno 2”. Beth, de 51 anos, deixou as páginas culturais do jornal “O Estado de São Paulo” no começo de maio para dedicar-se à carreira acadêmica. “Cansei, estava com vontade de fazer outra coisa”, disse a jornalista, nesta entrevista, sobre a mudança. A “outra coisa”, no caso, é seu mestrado na Universidade de São Paulo (USP). O tema não poderia ser outro: as artes cênicas. Ela quer acompanhar a criação de um espetáculo teatral e detectar o que se espera de quem assiste a ele.

Beth Néspoli deixou as redações para se dedicar à carreira acadêmica Foto: Reprodução

Capixaba de Cachoeiro do Itapemirim nascida em 26 de setembro de 1958, mas que, um mês depois, já morava com a família em Niterói, no Rio de Janeiro, Beth nunca teve o Jornalismo como primeira opção. Tanto que, até completar o curso, passou por três faculdades diferentes, cada uma em um período distinto de sua vida. Apenas se interessou pela profissão quando viu a possibilidade de uni-la ao teatro, o qual conheceu mais a fundo quando frequentou as aulas da Casa de Arte de Laranjeiras, também chamada de CAL. “Aquela escola de teatro, naquele momento, era muito mais viva, muito mais pulsante do que a universidade. Quando eu cheguei lá, falei: ‘Caramba, aqui eu abro uma janela para o mundo’”, conta.

A vista que essa janela lhe proporciona é a do aprendizado. “Para o teatro, você precisa da química, precisa da física, mesmo a política… Acaba se abrindo para muitos conhecimentos”. Fontes para eles estão logo na sala de estar de seu apartamento, localizado em um dos endereços com maior atividade cultural de São Paulo, a Avenida Paulista. Em cinco estantes de quase dois metros de altura estão inúmeros livros. Nas seis prateleiras de cada uma delas, há desde a coleção completa de Dostoievsky até um mangá da “Turma da Mônica Jovem”. 

Com a convivência, os colegas de “Caderno2” passaram a ver Beth Néspoli não como uma repórter especializada no que acontece nos palcos, mas uma apaixonada pelo mundo das encenações. “Seus textos irradiam um profundo amor pelo teatro”, elogia Evaldo Mocarzel, o editor que a contratou em 1997 para o jornal – no qual se tornou uma das jornalistas e críticas teatrais de maior renome do Brasil. Seu amor por essa arte é tanto que, quando o assunto são peças, Beth não retém nenhum detalhe de episódios que vai contar. “Eu sou muito faladeira”, observa. Ela fala de histórias de grupos teatrais, atores, diretores… Foram cem minutos de conversa que passaram sem que se notasse.

Beth Néspoli tem sua receita para artigos críticos. Eles devem ser respeitosos, como se fossem para alguém da família, e apontar erros e acertos. Recentemente, Beth foi crítica consigo mesma e mudou os rumos de sua vida. Porém, ela continua seguindo as trilhas que o teatro lhe abre.

 Formação acadêmica – 1ª parte

Eu sou o exemplo de que você não tem que se preocupar. Eu fiz vestibular para Medicina na UFF [Universidade Federal Fluminense], na época em que eu morava no Rio. Eu entrei para fazer psiquiatria. Só que em Medicina, o básico é ver os músculos, os ossos. Se você pensar, o corpo humano é carburador, combustível, uma máquina, e aquilo lá era uma chatice. Larguei Medicina e resolvi fazer Jornalismo. Eu sempre li muito, sempre escrevi diário, entrei em concursos de redação, essas coisas. Achei que a faculdade de Jornalismo me permitiria exercer a escrita e, além de tudo, tinha, pelo que pude ver na convivência nos corredores, uma turma mais aberta, mais animada e mais crítica.

Fiz outro vestibular, entrei na UFRJ [Universidade Federal do Rio de Janeiro], que é uma delícia, lá na Urca, na Praia Vermelha, aquele prédio antigo. Uma delícia… Era à tarde. Eu estava adorando, só que eu queria trabalhar, precisava ganhar dinheiro. Não estava aguentando ficar sem trabalhar, porque tinha uma família; eu sou a mais velha de cinco irmãos. Aí eu saí, fiz outro vestibular, agora para estudar Jornalismo à noite na UFF. Passei de novo. Passar no vestibular para mim era moleza.

 Contato com o teatro

Eu comecei a fazer outras coisas, como a CAL, a Casa das Artes de Laranjeiras. É uma escola de teatro do Rio. Quando ela surgiu, era coordenada por Yan Michalski, um crítico teatral polonês. A ideia era que fosse uma escola de excelência. Eu tive aula de um ano com a Juliana Carneiro da Cunha, que hoje é primeira atriz no Théâtre du Soleil; com Alcione Araújo, que, além de ser um dramaturgo, é um intelectual, um cara de uma cultura geral ampla, muito legal; com o próprio Yan Michalski, que dava aulas teóricas; com a Beth Rabetti, uma dramaturga, teórica de teatro. Então, aquela escola, naquele momento, era muito mais viva, muito mais pulsante do que a universidade. Quando cheguei naquela escola de teatro, falei: “Caramba, aqui eu abro uma janela para o mundo!”. Então, o que fiz? Larguei a faculdade. De novo sem terminar. E fui fazer teatro.

 Busca pelo conhecimento

Fiz essa escola de teatro [a CAL]. Foram dois anos inteiros Acho que foi a experiência mais fascinante que eu tive em termos de aprendizado, porque, se você não tem uma família intelectualizada – meu pai fez só primário -, vai aprendendo muito depois. Formação é uma coisa que eu estou correndo atrás o tempo todo, o tempo todo eu sinto falta.

 As necessidades do Jornalismo Cultural

Para o teatro, você precisa da química, precisa da física, mesmo a política. Quando você vai para o Jornalismo Cultural, tem que saber tudo. Quando vai ver “Copenhagen” [peça teatral do inglês Michael Fray] – não é que tem que saber tudo, mas você se abre pra muitos conhecimentos -, vai ver uma peça sobre física quântica, de dois grandes cientistas que foram importantíssimos na criação da bomba atômica. É ali: física quântica. E aí toda a estrutura da peça, toda a direção foi criada, todo o primeiro ato da peça. Eles pegam a física clássica, a relação de causa e efeito. Todo o segundo ato é física quântica, teoria da incerteza. Ou seja, você vai abrindo conhecimentos.

 Formação acadêmica – 2ª parte

Um amigo meu, que tinha feito comigo a UFF, é o Evaldo Mocarzel, durante muito tempo editor do “Caderno 2”. Ele fazia um negócio que era o caderno temático aos domingos. Então, ele pegava um tema e todo o caderno era sobre aquilo, com ensaios. Era muito interessante. E ele, conversando comigo – eu estava lá no Rio ainda -, começou a me mostrar o caderno. Eu falei: “Gente, o que estou fazendo?”.

 

Eu já tinha desistido do teatro, quer dizer, já tinha desistido entre aspas. Tinha feito direção de uma coisa, mas, assim, o teatro me interessava como conhecimento. No palco, era uma desgraça! Lembro de quando eu subia no palco: pensava que era igual dentista. Sabe quando você está sofrendo com o motorzinho? “Uma hora vai acabar”, pensava. Era a mesma coisa. Eu não tinha prazer em estar no palco. Nenhum. Mas eu tinha o maior prazer de estudar teatro. Então o que eu fiz? Voltei para faculdade de Jornalismo.

Agora eu tinha 34 anos. Fui para Faculdade da Cidade, uma particular porque eu estava com trauma das federais – um bando de funcionário público encostado. Não é uma faculdade de renome, nada disso, mas eu encontrei alguns bons professores. Eu era aquela do “não estou aqui para perder tempo”; já não tinha mais vergonha de ser “CDF”.

Em 1995, eu ainda não tinha terminado a faculdade – eu me formei no final de 1996. Faltava um ano e meio para eu terminar a faculdade. Liguei para o Evaldo e falei: “Estou fazendo faculdade, quero ser jornalista”. Aí, ele começou a me pedir matéria. Eu comecei a escrever para o “Caderno 2”, lá do Rio, em 95.

 O início no “Caderno2”

Minha primeira entrevista era para um negócio chamado “Encontros Notáveis”, no “Caderno 2”. Cada sábado tinha um encontro notável, que era uma entrevista enorme. Era a capa e as [páginas] centrais. Eu fiz com o José Wilker, que tinha toda uma história no teatro do Rio.

Daí eu comecei a fazer minhas matérias para o “Caderno 2”. É interessante porque eu fazia muita matéria de teatro; era a coisa que eu mais gostava. E o Evaldo falava assim para mim: “Não, você não pode fazer só teatro, sugere outras coisas”. Fiz algumas matérias de artes plásticas, algumas de livro – adoro literatura – e fazia teatro, teatro, teatro, o que eu gostava.

 A redenção pela especialista

O Evaldo falou para mim assim: “Olha, Beth, eu tenho muitos bons repórteres para fazer matéria de teatro. O Toninho [o jornalista Antonio Gonçalves Filho] faz matérias de teatro muito bem, mas eu não tenho ninguém que defenda o teatro como você, ninguém que tenha essa briga pelo teatro, e eu acho que isso é importante para o caderno”. E eu fui contratada por causa disso. É engraçado porque eu desobedeci o editor. Ele falava: “Faz outra coisa”. Aí eu fazia algumas coisinhas aqui. Mas [teatro] era o que eu tinha tesão em fazer, o que eu gostava de fazer, o que eu fazia inteira, com vontade de fazer. Como eu disse, o teatro não é uma coisa que te fecha o conhecimento. O teatro trata de tudo. De alguma forma, a cada peça você aprende alguma coisa. Mas eu acho [importante] que brigar pelo que você acredita. E deu certo, no final das contas.

 Técnica de entrevista

Eu acho que, quando você chega para entrevistar alguém, a pior coisa que tem é tietagem. Horrível! Mas se você chega lá e diz assim: “Nossa, eu vi aquele seu trabalho, aquela peça, tem aquela cena, que impressionante”, tem alguma coisa para dizer sobre o trabalho dela. Por exemplo, eu fui fazer uma entrevista com o Antonio Torres [escritor]. Eu li todos os livros dele. Aí falei para ele: “Nossa, tem umas frases que se repetem”. E ele: “Se repetem?”. Ele não tinha se dado conta. E disse para mim: “Nossa, eu tive alta do meu analista com esse livro”. Enfim, é um detalhe. Mas quero dizer é que, quando você vai entrevistar, se chega no cara e diz uma coisa dessas, ele fala: “Poxa, eu estou diante de alguém que teve o cuidado de ler, o cuidado de conhecer a obra”. Eu acho que isso no Jornalismo Cultural é muito importante. Mesmo que você fale uma besteira, mesmo que o que você fale a pessoa diga: “Não, não concordo”. Ele entende que você é alguém que não chegou de pára-quedas, que você conhece o trabalho.

 A base das reportagens

A minha formação era basicamente teatral, tinha a formação da faculdade. E ser um jornalista é alguém que tem uma formação mais ampla, um olhar crítico, que sabe perguntar. Você, como jornalista cultural, eu acho que faz um pouco dessa ponte com o leitor. Aqui tem um diretor, que tem uma superformação de teatro, que quer falar uma coisa; ou um artista plástico, que tem todo um pensamento para criar aquilo; tem um cineasta, que tem toda uma crítica de mundo para criar um filme. O que o leitor aqui da ponta vai ver é esse filme, é a ponta desse filme. Você, não digo nem como crítico, como jornalista cultural – crítica é uma outra coisa – o que faz? Você vai lá, entrevista o cara, descobre tudo isso, lê um pouco em volta para poder tirar dele as perguntas mais legais, tirar as respostas mais legais. Aí você vai pegar esse material e vai contar para o leitor, não para estragar a graça, esse é o barato: como que se fala de um filme sem contar o filme? O que ele quis com isso, o que quis dizer com isso? Se ele conseguiu ou não, aí é o segundo momento, é o papel do crítico. Você pode não estar instrumentalizado, mas todo mundo que vai ver um filme faz a crítica, não é? Você faz a sua crítica informal no bar.

 Crítica X Reportagem

Eu faço as duas coisas, e são textos muito diferentes. Eu sou muito mais uma jornalista de teatro, eu fiz pouca crítica na minha vida. E é muito difícil fazer crítica, é um texto muito diferente. Não é um texto para você dar informação sobre o espetáculo; é um texto para você ir nos pontos para fazer essa leitura crítica. É uma leitura do espetáculo.

Eu sinto muita dificuldade de fazer crítica ainda, eu acho que teria que me formar muito mais. Eu fiz algumas críticas – a gente chama de crítica aquilo que saiu com o selozinho “crítica”. A própria escolha do que você vai falar ou não já é um critério crítico. Claro que não depende só de você – tem um editor e tudo isso -, mas você briga por algumas coisas; “não, porque isso aqui é importante”. Isso é um critério crítico: por que é importante? Você está partindo de critérios para brigar por uma matéria e não por outra. Sei lá, Cirque du Soleil, não é uma coisa que me interesse pessoalmente, nem como gosto. Eu acho uma coisa industrial. Não precisa de divulgação do jornal, por exemplo, não precisaria da matéria de estreia. Eu acho que seria legal você fazer a crítica do Cirque du Soleil. Mas também não sei se eles estão interessados nisso, se as pessoas que vão estão interessadas nisso. Não é uma coisa que eu tenha vontade de fazer.

Agora, pegar o Êxodos que está lá debaixo do Minhocão, aquilo me interessa trazer para a página. A pessoa não vai ver aquilo se não estiver muito avisada porque eles não vão ter dinheiro para fazer chamada na televisão. Como é que você sabe que Êxodos está em cartaz? Como você sabe que Êxodos pode te interessar? É esse o papel do Jornalismo Cultural, eu acho. Não vai dizer que você tem que ver, mas vai fazer alguma coisa de “olha, tem isso aqui”. Eu me sinto mais jornalista nesse sentido. E eu tenho desejo, eu gosto de fazer isso, eu tenho uma alegria de fazer isso. É o grande retorno de você olhar na página e… “Poxa, isso está aqui porque você brigou para isso aqui estar na página”.

 O cuidado no texto crítico

Eu acho que você tem que chamar a atenção para o objeto. Seu texto tem que estar voltado para ter o desejo de analisar aquilo o melhor possível e você ser respeitoso com aquilo. Ser respeitoso não é passar a mão na cabeça, não é você não ver os defeitos. Pense que você vai fazer uma crítica ao seu irmão. Seu irmão está fazendo uma coisa idiota. Você ama seu irmão. Tem que dizer com todas as letras o que ele está fazendo de errado, o que você não achou legal no comportamento dele. Poxa, você vai falar para alguém que você ama. Então você não pode ferir. A crítica já é, por si só, uma coisa ruim de ouvir quando ela é negativa. Mas se é positiva, tem que saber o que você fez, por que seu ato foi legal. Isso é mais difícil, essa tem que ser a preocupação.

 Respondendo aos leitores

Uma vez eu escrevi uma crítica sobre um espetáculo dos Parlapatões, que eu gostei muito. Um leitor mandou um e-mail para o jornal perguntando se a Beth Néspoli recebia dinheiro ou era líder dos Parlapatões, “porque era um absurdo ela ter gostado da peça”. Eu disse para o editor: “Eu vou ligar para essa pessoa”. Liguei e falei: “Eu não ganhei dinheiro dos Parlapatões e isso [a acusação] é algo muito grave, e nem sou amiga deles. E mesmo que fosse, isso não deveria influenciar minha crítica. Eu fiz uma crítica que você pode concordar ou discordar, baseada em elementos estéticos. É muito grave você me fazer uma acusação dessas. Eu quero te deixar bem claro que se você não concorda com a minha crítica, se a crítica é idiota, é uma idiotice minha, é uma limitação minha como crítica. Mas eu não recebi dinheiro, não sou amiga deles”. Todas as vezes que eu recebi uma carta, eu respondi por e-mail ou liguei, dependo do caso.

 Conciliar a reportagem com a crítica

Eu acho que é muito difícil fazer as duas coisas. O ideal é conseguir separar. Seria você ser só crítica. Não acho que é problema ir lá, conversar, ver ensaio, nada disso. Se pode fazer tudo isso e escrever uma boa crítica. Agora, o difícil é que se fica um pouco com o que a pessoa quer dizer na cabeça. Isso eu acho mais complicado. Quando você vai ver o espetáculo, você vê aquilo que, de alguma forma, ele quis falar; é mais fácil você ver. O cuidado que tem que tomar é esse: foi lá, entrevistou, sabe que o cara quer fazer uma crítica política e chega lá, não encontra, e você tende a meio que dar uma perdoadinha.

 Saída para uma nova fase na vida

Eu acabei de sair do “Estadão”. Eu cansei, estava com vontade de fazer outra coisa, de dar um salto qualitativo no meu texto. Aí eu fui fazer o mestrado na USP [Universidade de São Paulo] em Artes Cênicas. Estava muito difícil fazer junto com o jornal porque as redações enxugaram demais. Você não faz mais nada a não ser trabalhar e estudar. Mais nada.

Eu também quero namorar, quero brincar com a minha enteada, eu quero ver uma exposição. Não posso ficar vendo só o teatro. E eu não conseguia. Tinha que ficar estudando, escrevendo sobre teatro, falando sobre o teatro. Eu vou ficar muito fechada, né? É muito cansativo.

 Volta à Academia em nova função

Tenho vontade de dar aula. Adoro dar aula, é uma coisa que eu fiz antes. Eu dava aula de tudo para quem estava fazendo vestibular: Matemática, Química, Física… todas as matérias. Eu era formada em vestibular. Na faculdade, tinha Semiótica, Teoria da Significação. Era uma matéria que reprovava muita gente. Tinha uma aula vaga, e eu comecei a ir para o quadro e ensinar. Eu repetia a aula do professor, com mais clareza e tal. Começou a juntar gente. Daqui a pouco a turma inteira ia para aula vaga.

Meu sonho do futuro é assim: eu dou aula na Cásper, do lado da minha casa – tem Jornalismo Cultural, não é uma picaretagem. Eu posso dar aula de Jornalismo Cultural e vou fazer algum programa de teatro na rádio Jovem Pan. Tudo pertinho de casa. Porque eu estou ficando uma velhinha cansada, não estou mais a fim de ralar muito.

OS EDITORES DE BETH 

Beth é uma profissional muito séria, ética, apaixonada por cada pauta que faz, empolgada com os mínimos detalhes. Adora chegar na redação e contar tudo o que viu no palco, nos bastidores, dividir suas emoções com os editores e colegas. Tem pudores de assinar textos com os quais não está totalmente satisfeita. Não tem vaidades de foca. Ela sempre me informou sobre cada passo dessa sua atual decisão de se entregar com afinco aos estudos acadêmicos. Por isso não me surpreendi com seu pedido de afastamento. Aprendi muito com ela e os leitores também. O teatro vai ganhar uma mestra e tanto, tenho certeza disso. E espero poder contar com ela nas páginas do Caderno 2 em breve, como colaboradora.

Dib Carneiro Neto, editor do “Caderno2”

 Rigor e generosidade. Acho que o trabalho da jornalista e crítica de teatro Beth Néspoli tem essas duas qualidades essenciais para uma análise clarividente de obras de arte. Beth é muito rigorosa e, ao mesmo tempo, muito generosa. Não está ali para demolir ninguém. Seus textos irradiam um profundo amor pelo teatro. Acho que é isso que me fascina em alguns críticos: tentam, com rigor e generosidade, deslindar um espetáculo, contextualizando-o com erudição e, ao mesmo tempo, procuram vislumbrar em cada cada peça, em cada encenação, os três mil anos de história do teatro.

Evaldo Mocarzel, colega de faculdade e ex-editor do “Caderno2”

 

A CRÍTICA SOBRE OS OUTROS CRÍTICOS

Mariângela Alves de Lima (O Estado de S. Paulo):

Acho fantástica, maravilhosa. Ela não faz a crítica do “gostei, não gostei”, o que eu acho fundamental. Ela faz uma crítica que pega um ângulo de leitura da peça.

 Luís Fernando Ramos (Folha de S.Paulo):

Admirei a coragem dele ao assumir a função de crítico. Coordenador do departamento de Artes Cênicas da USP, ele poderia se manter escrevendo em espaços acadêmicos importantes, porém restritos ao leitor antenado. No entanto, arriscou-se no exercício da síntese que poda o pensamento, quase anuladora, da atual crítica jornalística. Ter tal espaço ocupado por Luis Fernando é algo precioso para o teatro e, sobretudo, para o público teatral não “iniciado”.

 Silvia Fernandes (sem veículo):

A escrita de seus artigos,consegue fazer ou “revelar” conexões estéticas entre diferentes espetáculos ou detectar as transformações na estética de um grupo ao longo de sua trajetória. E o faz unindo a filigrana do especialista à linguagem acessível ao leigo, dom de poucos.

 Dirceu Alves Júnior (Veja São Paulo):

Um cara muito bacana, gosto muito. Nem sempre a gente concorda, mas isso é uma outra história. O Dirceu é um cara que argumenta. Ele vai falar, explicar. Então você fala: “OK, isso que você achou ruim, eu gosto” ou “Por esse tipo de argumentação, eu vou”.

COLEGAS DE REPORTAGEM

 Beth é o tipo de jornalista que pondera sempre sobre qual será o impacto do seu trabalho na vida dos protagonistas da notícia. Ou seja: uma jornalista rara. O nível de responsabilidade com que exerce o jornalismo me impressiona. É simplesmente a melhor repórter da área de teatro do país – primeiro, porque vive o teatro como uma missão; segundo, porque acompanha o movimento teatral com critério, seriedade e preocupação social

Jotabê Medeiros, repórter do Caderno2

 Beth Néspoli é uma profissional dedicada como pouco vi na carreira. Sua dedicação ao teatro, especialmente o experimental, é rara, a ponto de pesquisar profundamente o assunto, o autor, a época em que escreveu a peça. Mais: além de escrever uma crítica aprofundada, sentia-se disposta a conversar com o grupo, sendo sincera em sua avaliação, mesmo que negativa, mas sempre construtiva.

 Ubiratan Brasil, repórter do Caderno2

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