Arquivo do mês: julho 2010

O Jornalismo como profissão e ideologia na carreira de Paulo Markun

Por Nathan Lopes

Ele está beirando os 40 anos de profissão e em 2010 trocou uma emissora de televisão quarentona por outra. Não por vontade própria, mas por jogo político. Paulo Markun deixou, no primeiro semestre, a presidência da Fundação Padre Anchieta, mantenedora da TV Cultura, pelo cargo de comentarista da TV Gazeta.

Ao longo dessas quatro décadas, Markun vivenciou a ditadura, a perda do amigo Vladimir Herzog, a mudança da mídia impressa para a televisiva que o destino impôs, entre tantos outros fatos que contribuíram para a solidificação de sua carreira.

Paulo Markun possui uma identificação com marcas de São Paulo. Na cidade, está a TV Cultura, na qual, além de presidir, comandou o programa de entrevistas de maior prestígio da televisão, o “Roda Viva”. Aqui também está a Gazeta, canal no qual trabalha pela terceira vez. Agora, com uma missão diferente das anteriores: mediar os debates políticos que serão promovidos nos próximos meses.

São Paulo também está marcada na vida de Markun. Foi aqui que ele foi preso e torturado durante o regime militar, que começou no Jornalismo, que viveu com sua família. Momentos importantes de sua trajetória.

Abaixo, seguem alguns trechos da entrevista que ele concedeu para o programa “Edição Extra”, da TV Gazeta/Faculdade Cásper Líbero. Ele exibe a matéria completa neste domingo, à 0h. 

Chegada à profissão

No teste vocacional que fiz quando eu tinha 15 anos me foram oferecidas três alternativas. A primeira era História, depois Letras e, finalmente, a orientadora disse: “Olha, tem uma nova faculdade aí, que é a Escola de Comunicações e que parece bastante interessante ao seu perfil porque ela tem uma variedade de alternativas”. Ou seja, não me foi oferecida ou sugerida a atuação na área do Jornalismo.

Acabei indo para o cursinho de História e dali acabei pulando para a Comunicação. Ao entrar na Comunicação, naquele ano – já se passaram três em relação ao teste vocacional – você tinha de fazer uma escolha imediata, em qual curso você ia fazer e aí eu escolhi o jornalismo.

Primeiro estágio

Eu era um estagiário [no Diário do Comércio e Indústria] e havia duas pessoas para uma única vaga. E o meu chefe de reportagem na época, que acabou ficando meu amigo, depois de um mês de teste, falou: “Olha, eu vou ficar com o outro rapaz porque você precisa aprender muito, não é a sua praia”. Para quem tinha 18 anos e queria arrumar o primeiro emprego, essa foi uma coisa frustrante evidentemente.

“Acho que o mais prazeroso pra mim é ou contar uma história bem contada ou às vezes apurar e investigar um assunto que passou ao largo dos temas”

Técnicas do Jornalismo

A gente vai aprendendo ao longo da vida. Eu te digo o seguinte: não foi na faculdade que eu aprendi. Quando você tem 18 anos e vai para a redação, como era a redação da época, grandes profissionais e todos eles formados no dia a dia, na realidade, na reportagem, fazendo reportagem de polícia, indo cobrir presunto não sei aonde e tal, essa era uma experiência muito forte. E eu passei os primeiros três anos desses 39 coincidentes com a faculdade, mas os outros 34, 35 só na atividade profissional. Então, eu diria que aprendi foi na atividade profissional

Ida para a televisão

Eu só decidi fazer televisão quando perdi o emprego. Fui demitido do jornal “O Globo”, no Rio de Janeiro. Tava no Rio de Janeiro, não em São Paulo, e não tinha outro emprego pra disputar a não ser a televisão. Então fiz um teste, fiquei um ano trabalhando no “Fantástico”, sem aparecer diante das telas, nunca fazendo uma reportagem como protagonista. E aprendi muito nesse período.

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Reprodução da internet

Mediação X Entrevista

São coisas diferentes. Eu acho que são técnicas diferentes. É uma interação que te obriga a interferir somente quando a coisa não caminha bem. Ou porque as perguntas não estão bem colocadas ou porque elas estão redundantes ou porque faltou perguntar alguma coisa. E, ao mesmo tempo, distribuir a bola, ser um jogador de meio-de-campo. No caso da entrevista, você está no ataque. Então, embora eu não me imagine como um entrevistador agressivo, desses que vá chutar o balde o tempo todo, mas é diferente. Então eu acho que a entrevista, ela é mais desafiadora. Na mediação, você pode estar num dia mais ou menos e a mediação passar.

“Talvez eu seja mais feliz hoje fazendo televisão de frente para as câmeras do que do tempo em que eu virei executivo atrás das câmeras”

A profissão

Bom, acho que a profissão representa, antes de mais nada, um jeito honesto de ganhar a vida. Essa é a primeira coisa. A segunda coisa, eu acho que é ou você tem a curiosidade, o interesse pelos fatos, pelo que acontece ou não vale a pena ser jornalista. E isso tem que prevalecer sobre compromissos de horário, agenda, final de semana – durante muitos anos eu não tive isso. Se a gente puder contribuir para que essa informação circule, para que esteja correta, e que seja a mais democrática possível, acho que já estamos fazendo o serviço pelo qual nós somos pagos.

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Reprodução

Consequências na vida da morte de Vladimir Herzog

A morte do Vlado, em certo sentido, me levou a encarar a profissão de uma forma mais profissional. Até então, ela estava muito misturada com a ação política e a partir daí parou. Na minha vida pessoal, o que mudou foi a convicção que a sociedade e o mundo não mudam pela vontade de meia dúzia de gatos pingados, sejam esses gatos quais forem. Sejam eles os mais sonhadores e heróicos, e valentes, e desprendidos da história. Eu acho que o processo de mudança na sociedade demanda uma participação conjunta e, portanto, demora mais. 

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Tietê: de rio a rodovia

Por Nathan Lopes

As obras de ampliação da Marginal Tietê revelam sua verdadeira identidade. Durante a noite, apenas se consegue enxergar pistas, placas e veículos por causa dos faróis de carros, motos, ônibus e caminhões. Se não fossem eles, o breu seria total. O governo diz que o sistema de iluminação ficará desligado até o final do ano. Enquanto isso, o único sinal de luz vem dos bairros da cidade, os quais mostram que a Marginal não é uma rodovia, mas bem que poderia ser.

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A Marginal Tietê à noite (Foto: http://giramundo.files.wordpress.com/)

Nas faixas locais, a velocidade máxima é de 70 km/h; nas expressas, 90 km/h. Em breve, surgirão outras novas entre elas. Tudo para que não haja atrasos, demoras, lentidão. A razão das obras feitas agora é o grande número de automóveis para o pouco espaço de circulação, cujo resultado são os famosos congestionamentos.

Anos atrás, o problema eram as enchentes. Sempre que chovia, o Rio Tietê transbordava e a Marginal alagada ficava. A solução foi acabar com o que existia de natural no rio. Se havia mato, árvores em seu leito, eles foram substituídos por concreto. O Rio Tietê nada mais é, hoje, do que uma grande canaleta. Não alaga a Marginal, é verdade. Mas também não é mais um rio.

Não se pode parar a Marginal, a rodovia urbana. Este é o pensamento. Caso algo venha a atrapalhá-la, que se o modifique. Foi assim que o rio mudou; foi assim que o seu leito transformou-se em puro asfalto. E a presença da pavimentação, como se atesta agora, só se faz aumentar.

Quando a Marginal surgiu, clubes perderam um pouco de sua gênese. Tietê, Esperia, Corinthians, Portuguesa e tantos outros não estão beirando o rio à toa. O remo, por exemplo, era um dos esportes praticados por seus sócios. Os cidadãos, por sua vez, perderam um programa de lazer. Onde iriam pescar, nadar, passear com os filhos?

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Uma das competições que aconteciam no Rio Tietê (Foto: acervo Esperia)

A cidade perdeu um rio pela velocidade travestida de progresso. Agora, teve o pouco do que restava destruído por um tanto a mais da velocidade perdida pela via ao longo dos anos. Resta saber o que é mais fácil recuperar no futuro: um rio ou uma rodovia.

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O que você nunca esperou encontrar em um sanduíche?

Por Nathan Lopes

Eu nunca esperei encontrar uma fruta em um sanduíche. No Chile (prometo, é a última vez), tem algo verde em alguns lanches. Geralmente, os que eles chamam de “italianos”. De longe, eu não conseguia identificar muito bem o que era aquilo. Mas para que saber? O preço estava muito bom. Sanduíche, batata frita e refrigerante pequeno por algo como seis reais, uns dois mil e quinhentos pesos chilenos.

Veja o “Doble Italiana” do Burger King Chile em seu site

Assim que dei a primeira mordida, me lembrei do que me haviam avisado e eu havia esquecido: eles colocam abacate no sanduíche. Até que é bacana. Não é a melhor coisa do mundo na minha opinião, mas também não é a pior. Tem que experimentar para saber.

Por causa desta situação, está aberta a enquente da semana (e talvez das próximas; enfim, até uma outra surgir): o que você nunca esperou encontrar em um sanduíche?

Ah! E só como curiosidade: no Chile, o ketchup forma sua dupla sertaneja com maionese; nada de mostarda.

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A cor do céu de Santiago

Por Nathan Lopes

O branco da neve dos Andes ganha outro tom

O branco da neve dos Andes ganha outro tom

O maior problema de Santiago é visível. Basta olhar o céu e se notará uma mescla de azul com uma densa camada cinza. O ar da capital chilena nem disfarça a poluição que carrega para todos os lados.

A causa vem, como sempre, dos veículos. O combustível dos automóveis no Chile é exclusivamente a gasolina – ou diesel, no caso dos caminhões. Porém, é injustiça colocar a culpa toda neles. O frio também é responsável.

As casas de Santiago utilizam “estufa” para aquecer os ambientes. “Estufa”, em espanhol, é “aquecedor”. Para evitar problemas, a tradução do significado da palavra em português é “invernadero”. Esse aparelho funciona a gás. O objeto que se acha com mais facilidade em qualquer lugar é o botijão. Além de ser usado nos fogões, ele tem a missão de não deixar ninguém passar frio. Também existem os aquecedores elétricos, mas não são muito populares. O gasto com as “estufas” é mais econômico. E isso mesmo com uma conta alta vinda da Argentina, país do qual importa seu gás.

O cerro San Cristóbal e sua poluição companheira

O cerro San Cristóbal e sua poluição companheira

São Paulo também é uma cidade poluída, mas tem uma vantagem: não existe a cordilheira dos Andes em seu entorno. Não, ela é muito bonita de se observar, tentamos até imitá-la com a nossa serra da Cantareira. O problema é que a cordilheira não deixa o vento tirar a poluição do ar da cidade. Ela sempre para nos Andes. Com isso, a camada cinzenta fica cada vez maior.

A situação fica nítida quando se visita as duas colinas de Santiago: o cerro San Cristóbal e o cerro Santa Lucía. Este é um pouco mais baixo. Mesmo assim, a vista da cidade já fica um pouco embaçada. Não tive esse problema, pois quando fiz a visita havia chovido no dia anterior. Esse é o melhor momento para conhecer os cerros, já que a chuva limpa um pouco o ar da cidade. Já a imagem obtida do cerro San Cristóbal parece a mesma de uma pessoa que veste óculos sujos. E isso só na metade da subida. Quanto mais metros são percorridos, menos se enxerga a cidade. Ela parece coberta por um lençol cinza. A coitada da Virgem, que fica no cume da colina, nunca deve ter visto Santiago como ela é. 

De um dos pontos mais altos de Santiago, pouco se vê da cidade

De um dos pontos mais altos de Santiago, pouco se vê da cidade

O resultado da poluição são tosses, garganta irritada, espirros, nariz entupido. Enquanto ela persistir, recomenda-se que se visite, antes de viajar, um otorrinolaringologista. Ou, pelo menos, leve um soro fisiológico na mala. Vai dar para aproveitar tudo muito mais.

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Shrek quer ser um ogro novamente!

Por José Roberto Gomes Júnior

A saga do ogro mais querido do mundo chega ao fim. O lançamento de “Shrek para Sempre”, quarto e, muito provável, último filme da série vem como uma despedida ao personagem ícone dos estúdios Dreamworks, que alcançou o Oscar de Melhor Filme de Animação em 2002 e, atualmente, vem liderando as bilheterias de várias salas de cinema pelo País.

A trama, desta vez, passa pelo desejo de Shrek deixar de lado a vida “familiar”, marcada pelo casamento com Fiona e os cuidados dedicados aos seus trigêmeos, e viver como nos velhos tempos, quando tomava banhos de lama sem maiores preocupações. Para isso, ele assina um contrato com o duende mágico Rumpelstiltskin, que promete lhe devolver esse período de “calmaria”, no qual a esposa Fiona e o inseparável amigo Burro são desconhecidos do ogro.

“Shrek para Sempre” também se destaca pelo modo de exibição 3D. Trata-se do primeiro filme da série com a alternativa tridimensional de visualização, mas que depende, claro, do recurso instalado na sala de cinema em que é projetado.
 
Veja abaixo o trailer do filme:

 
Confira as salas com o filme em cartaz (de 23/07 a 29/07)

Dublado:
ANÁLIA FRANCO (3D)
BOAVISTA
BOULEVARD TATUAPÉ
BOURBON (IMAX – 3D)
BRISTOL (3D)
BUTANTÃ
CAMPO LIMPO (3D)
CENTER NORTE (3D)
CENTRAL PLAZA (3D)
CIDADE JARDIM (3D)
CINE TAM (3D)
CONTINENTAL
ELDORADO (3D)
FREI CANECA UNIBANCO ARTEPLEX (3D)
IGUATEMI (3D)
INTERLAGOS (3D)
INTERLAR ARICANDUVA (3D)
ITAIM PAULISTA
JARDIM SUL (3D)
KINOPLEX ITAIM (3D)
KINOPLEX VILA OLÍMPIA (3D)
LAPA
MARABÁ (3D)
MARKET PLACE (3D)
METRÔ ITAQUERA (3D)
METRÔ SANTA CRUZ (3D)
METRÔ TATUAPÉ (3D)
PÁTIO HIGIENÓPOLIS (3D)
PÁTIO PAULISTA CINEMARK (3D)
PÁTIO PAULISTA PLAYARTE
PENHA
PLAZA SUL (3D)
SANTANA PLAZA (3D)
SHOPPING D (3D)
SP MARKET (3D)
VILLA-LOBOS (3D)
WEST PLAZA

Legendado:
ANÁLIA FRANCO (3D)
BOURBON (IMAX – 3D)
BRISTOL (3D)
CIDADE JARDIM (3D)
CINE TAM (3D)
ELDORADO (3D)
FREI CANECA UNIBANCO ARTEPLEX (3D)
IGUATEMI (3D)
JARDIM SUL (3D)
KINOPLEX ITAIM (3D)
KINOPLEX VILA OLÍMPIA (3D)
MARKET PLACE (3D)
METRÔ SANTA CRUZ (3D)
PÁTIO HIGIENÓPOLIS (3D)
PÁTIO PAULISTA CINEMARK (3D)
SANTANA PLAZA (3D)
VILLA-LOBOS (3D)

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Conhecendo Santiago pelo transporte

Por Nathan Lopes

O sistema de ônibus e metrô reflete o cotidiano da cidade

O horário de funcionamento do transporte de uma cidade é uma forma de conhecê-la. O metrô de Santiago, durante a semana, funciona das 6 às 23 horas. E ao longo de todo esse tempo ele está lotado. Pela manhã e no começo da noite é uma missão quase impossível embarcar. Parece que a população inteira levanta ao mesmo tempo e vai para casa descansar na mesma hora.

Um dos trens do metrô de Santiago

Um dos trens do metrô de Santiago

Santiago não é uma cidade de vida noturna. Mas nem por isso deixa de tê-la. Ela acontece no bairro Bellavista e na Avenida Manuel Montt. São bares, pubs, pizzarias, karaokês e discotecas. Encontrar pessoas nas ruas durante a madrugada é possível apenas nessas regiões. E, ainda assim, somente nas proximidades dos carretes, as baladas deles. Anda-se um e outro quarteirão mais distantes e logo se está em uma região erma.

A sensação desértica aumenta em quantidade expressiva aos domingos. Nada está aberto na cidade. O metrô, para se ter uma ideia, só abre às 8 horas. Os chilenos são muito religiosos e respeitam o primeiro dia da semana como o do descanso. Achar um lugar para almoçar, jantar, sair para conversar passa a ser uma aventura. É preciso desbravar Santiago. O domingo ganhou um apelido entre os jovens: fomingo. Fome, para eles, é “chato”. 

Os trens do metrô de Santiago usam pneus

Os trens do metrô de Santiago usam pneus

E mesmo aos domingos o metrô está cheio. A rede metroviária cobre grande parte da cidade e os trens tornaram-se o principal meio de locomoção na cidade.

A questão é que o horário de pico durante a semana é muito maior. Às 20 horas ainda há dificuldade para embarcar. Para ajudar, os trens deles não são tão rápidos como os de São Paulo. A velocidade do metrô de Santiago equipara-se à da nossa CPTM, inclusive na qualidade e espaço das composições. Se aqui a recomendação é ir para o corredor, lá este praticamente não existe. Por outro lado, os vagões são interligados, o que facilita um mínimo que seja de dispersão. 

Do metrô também dá para ver a onipresente cordilheira

Do metrô também dá para ver a onipresente cordilheira

Se embaixo da terra a situação não é boa, por cima tudo parece mais tranquilo. Congestionamentos, se ocorrem, são consequência de algum acidente. Também não se vê nenhum ônibus fantasiado de lata de sardinha. Sobre estes, cabe um aviso. Os “bus” só aceitam BIP, uma espécie de Bilhete Único, mas que não tem a mesma função. Ele funciona como um cartão de crédito, tirando o dinheiro de dentro dos veículos e diminuindo os roubos. Os ônibus não têm cobrador nem catraca, apenas um aparelho em que se passa o BIP. 

O metrô de Santiago acaba servindo para as locomoções mais longas e distantes enquanto os outros veículos, para deslocamentos mais curtos. Com o transporte fluindo bem – apesar da lotação, no caso do metrô -, a capital chilena consegue ir para onde quer sem perder tempo no trânsito. E descansar bem aos fomingos, digo, domingos.

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Cães na rua= calçada limpa?

Por Nathan Lopes

Na capital chilena, problemas no controle de animais abandonados não afetaram a limpeza da cidade

As calçadas de Santiago são como as de outra cidade qualquer. Por ela, pessoas caminham, pedintes trabalham, ambulantes vendem seus produtos e cachorros abandonados vagueiam. A única diferença aparece na quantidade destes em todo o município. É difícil encontrar um quarteirão em que não haja pelo menos um cão. A explicação vem da prefeitura. Há oito meses descobriu-se que o homólogo do nosso Centro de Zoonoses para eles enjaulava os animais sem dono e não os alimentava. Muitos morriam de fome enquanto outros se matavam em busca da sobrevivência. O contrato com a empresa responsável pelo serviço foi quebrado e desde então não há mais controle sobre eles.

Alguns dos "quiltros" de Santiago

Alguns dos "quiltros" de Santiago

Os cachorros que estão soltos pela capital do Chile não são como outros quaisquer. Normalmente, eles chegam a ter um metro de altura, possuem um grande porte. Os “quiltros”, como são denominados em espanhol, podem ser mansos, como também violentos. Nas praças, onde a concentração deles é maior, são comuns as brigas entre os cães. Também se relatam ataques a pessoas, os quais vão desde uma calça rasgada a uma mordida. Cidadãos pedem providência para o caso ou, ao menos, um maior controle dos animais. 

A convivência quase que diária fez com que outras pessoas passassem a tomar conta dos “quiltros”. Elas os alimentam e os levam ao veterinário. Os cuidados têm atraído cada vez mais cachorros para determinadas regiões, principalmente as centrais. São nelas que circulam os turistas, cuja atitude em relação ao assunto varia. Há os que acariciam os cães que dormem nas ruas e os que preferem atravessar a rua para evitar a proximidade.

Uma rua de Santiago

Uma rua de Santiago

Por causa da divisão de opiniões e trato com os animais, este é atualmente um dos assuntos mais polêmicos em Santiago. Porém, mesmo com essa quantidade de cachorros nas ruas, praticamente não existe sujeira deles nas ruas. Muito raramente se vê uma. As vias continuam limpas, situação bem diferente da que se encontra em São Paulo, onde existe o controle dos cães abandonados. O máximo que observa pelas ruas são folhas secas que caíram das árvores. Nada de papel, bituca de cigarro, entre tantas outras coisas. Há vários cestos de lixo nas calçadas, o que ajuda na manutenção da limpeza. Higiene é questão de saúde pública no Chile. E não são cachorros abandonados que vão mudar essa história.

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