Querem, de novo, derrubar o Minhocão

Por Nathan Lopes

Na semana passada, um assunto que parecia esquecido voltou à tona mais uma vez. O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, apresentou um projeto que prevê a demolição do Elevado Costa e Silva, o “Minhocão”. Trata-se é uma das obras viárias mais criticadas, contestadas e odiadas – principalmente por quem é vizinho à construção – de toda a cidade. Talvez apenas seu construtor, Paulo Maluf, veja algo de bom nesse pontilhão. O “doutor Paulo” não deve enxergar – ou prefere não falar sobre – os defeitos de um dos filhos que deixou espalhados pela cidade, assim como todo pai faz com sua prole.
O “Minhocão” está bem próximo às janelas de apartamentos residenciais. Nunca estive em um desses, mas o barulho do trânsito de veículos a todo instante deve ser insuportável. Haja janela antirruído! Sem contar que ele é uma via sobre outra, serve de moradia para sem-tetos, tendo, ainda, denegrido a imagem da região.
Porém, há que se pensar em uma coisa: com a demolição do elevado, como será a ligação da Praça Roosevelt, no centro, com a Barra Funda, na zona oeste? O movimento de carros e ônibus, já complicado na região, tende a piorar sem essa via.
Nesta semana, baseado nisso, estive colhendo a opinião de pessoas sobre o que mais elas demoliriam em São Paulo. Fiz isso junto com Roxane Teixeira, colega de faculdade, para um trabalho de telejornalismo.

Imagem retirada de http://paulinotarraf.files.wordpress.com/2008/05/grande-perspectiva.jpg

Sob o desejo de ser demolido, o Elevado Costa e Silva, mais conhecido como "Minhocão", sempre causou polêmica

Das respostas que tivemos, uma veio de uma estudante de arquitetura. Ela argumentou que não se podia “sair demolindo”. “O prefeito nem fez discussões sobre o assunto, sobre outros planos para a área. Isso deveria ser debatido”, disse. E há razão nessa visão.
Se se houvesse realizado um debate na época da construção do elevado do “doutor Paulo”, provavelmente não teríamos esse problema, que se tornou o “Minhocão”, mas outra solução para o trânsito. Ele usou a obra como seu cartão de visitas de grande administrador; era o seu primeiro cargo no executivo, quando estava próximo dos 40 anos. A se lembrar que a idealização da construção foi do prefeito antecessor de Maluf, José Vicente Faria Lima, quem ocupou o cargo de 1965 a 1969. O projeto, na época, somente não seguiu adiante por causa da forte rejeição sofrida pela população. Isso de nada importou ao “doutor Paulo”. Com o elevado pronto e inaugurado, as críticas aumentaram. O “Minhocão” era – e continua sendo – considerado uma aberração arquitetônica.
A cidade quer se ver livre do Elevado Costa e Silva – que, para ajudar, ainda tem o nome de um ditador -, mas, em troca, não deseja ter mais problemas no trânsito. Dessa vez, é aconselhável ter muita calma e pensar bem antes de fazer qualquer coisa com esse encosto urbano. Afinal, tudo pode melhorar ou piorar.

Participe de nossa enquente. Lá tem as respostas que nós recebemos das pessoas que passaram em frente ao endereço oficial de “povo fala” na cidade, a calçada onde está o prédio da Gazeta. O que você demoliria em São Paulo?

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