Entendendo o espelho

Por Nathan Lopes

Quando nos foi pedido para criar um blog, a primeira ideia era a de ser um sobre São Paulo. Em seguida, veio nome: “EspelhoSP”. Iríamos falar de qualquer coisa que acontecesse aqui ou tivesse relação com a cidade. E para dizer a verdade, não me entusiasmei muito por isso. Eu me perguntava sobre o que de interessante poderia acontecer para ser assunto de um texto deste blog. Todo mundo fala sobre a capital paulista. Seja enfocando sua música, sua noite, seus parques, entre tantos outros assuntos comuns a uma metrópole gigantesca como esta. Só ontem, na hora do almoço, me caiu a ficha do que poderia ser o espelho proposto.
Caminhando pela Avenida Paulista, me deparei com algo inusitado acontecendo no vão do MASP. Havia oficiais do Exército das mais diversas patentes espalhados pelo espaço, que contava com centenas de cadeiras plásticas voltadas a um palco montado para a ocasião. Nele estava uma orquestra. Eles comemoravam o 65º aniversário do término da Segunda Guerra Mundial, na qual nossa armada atuou vitoriosamente.
Para quem vive em uma cidade caótica e inquieta – e que deixa sua população com as mesmas características, além de outras mais -, ninguém se lembra desse episódio da história brasileira. Mas basta um evento como este para fazer os apressados da Paulista pararem; pelo menos por alguns minutos durante seu almoço. Com certeza, eles não ficaram no vão do museu por causa da comemoração, mas pelo que animava ela, aquela orquestra. Esta, aliás, ao informarem-se corretamente, descobriram que era uma banda, a Banda Sinfônica do Exército.
Neste momento eu entendi o que motiva o “EspelhoSP”. Em que outra cidade pode-se esbarrar com uma apresentação dessas na hora do almoço em meio a todo aquele movimento? Onde se poderá ver uma banda sinfônica tocar “Aquarela do Brasil”, de Ary Barroso, ao mesmo tempo em que ela rivaliza com buzinas, sirenes, motores e tantos outros barulhos? Não deve ter sido fácil para o maestro Benito Juarez ouvir seu trabalho prejudicado por um ambiente que não combina com concertos. Porém, a satisfação sentida por ele e pelos músicos ao ver cada vez mais pessoas parando, como não querendo nada, para apreciar as músicas não poderá ser descrita e, muito menos, esquecida. Era impossível resistir ao que se ouvia naquele vão.
São Paulo é uma cidade que adora surpreender seus habitantes e visitantes. Em cada esquina, em cada rua algo diferente e inesperado pode acontecer. Às vezes, ele é bom, como no caso da comemoração. Outras, nem tanto. Quem gosta de ficar parado por uma manifestação que bloqueia o trânsito?
Aqui, vamos colocar São Paulo de frente para o espelho. E para isso contamos com três paulistanos, um paulista de São João da Boa Vista e uma paraense, que há pouco vivia em Curitiba. Vai ser interessante ver o que cada um de nós encontra pela cidade. Pode começar, no meu caso, por uma banda sinfônica tocando no vão de um museu acompanhada de músicos do trânsito. Agora entrei de vez no “EspelhoSP”.

Abaixo, vídeo com uma apresentação da Banda Sinfônica do Exército

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2 Comentários

Arquivado em Cidades

2 Respostas para “Entendendo o espelho

  1. Por isso é bom sujar os sapatos com todos os sentidos atentos para a captar a experiência viva que emerge do contato com a rua 😉

  2. Gostei do texto, mto bem escrito!
    E perdi a banda no Masp… bugger.
    Bjs*

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