Arquivo do mês: abril 2010

Pestes adoráveis

Por Raphael Scire

Do que é feita uma boa novela? Se você respondeu “amor e melodrama”, acertou em partes. É claro que uma história de amor e um bom entrelaço de dramas fazem qualquer trama chinfrim ficar boa, mas essencial para uma novela ser sinônimo de sucesso é a presença das vilãs. Sim, elas aprontam, arquitetam planos malígnos, conseguem o que querem, se dão mal no final (ou não), mas garantem bons momentos.

O que seria de Maria Clara Diniz (Malu Mader), em Celebridade, se não fosse a Laura Cachorrona (Claudia Abreu)? Donatela Fontini (Claudia Raia) conquistaria o público se não tivesse como contraponto Flora Pereira da Silva (Patrícia Pillar), em A Favorita?

A seguir, uma seleção das melhores vilãs das telenovelas brasileiras. Os vilões são bons também, mas elas, nesse quesito, são bem melhores.

Em Belíssima, Bia Falcão (Fernanda Montenegro) era um luxo só. Elegante, fina, riquíssima. Mas sem um pingo de escrúpulos. A megera foi capaz de abandonar uma filha, planejar uma armadilha para tomar dos bens da própria neta e no final ainda se deu bem, nos braços de um garotão bem mais novo, com direito à Torre Eiffel de cenário.

Flora Pereira da Silva (Patrícia Pillar) por muito tempo enganou os telespectadores de A Favorita. A cara de anjo só escondia uma mulher perversa. 18 anos de prisão não foram suficientes para mudar sua mente criminosa.

Laura Prudente da Costa (Claudia Abreu) aprontou poucas e boas para cima de Maria Clara Diniz (Malu Mader) em Celebridade. A cena em que a mocinha espanca a vilã foi a segunda maior audiência da novela e vingou muita gente que esperava ver Laura pagar por suas tramóias. Apesar de má, Laura garantiu bons momentos da novela. A trilha sonora era completamente apropriada – Sympathy for the Devil, dos Rolling Stones – e a personagem consagrou Claudia Abreu como uma das melhores atrizes da televisão brasileira.

Nazaré Tedesco (Renata Sorrah) roubou a filha da protagonista Maria do Carmo (Susana Vieira) quando a menina era ainda um bebê, em Senhora do Destino. Sua escada era temida por muitos – a bruxa tinha o hábito de, quando se zangava, empurrar seus desafetos escada abaixo. Era morte na certa.

Quem matou Odete Roitmann? Essa pergunta parou o Brasil, em 1989, durante a novela Vale Tudo. A ricassa esnobe foi morta nos capítulos finais da trama e a identidade de seu assassino foi mantida até o último instante. A propósito, a resposta à pergunta é Leila, personagem de Cássia Kiss.

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Suspense por todos os lados

Por José Roberto Gomes Júnior

 

(Divulgação)

 

A atuação de Leonardo DiCaprio e a direção de Martin Scorcese estão ótimas. E a trama, melhor ainda. É assim que podemos, em poucas, palavras nos referir ao longa Ilha do Medo, do diretor do filme vencedor do Oscar de 2007 (Os Infiltrados) e que está em cartaz na cidade de São Paulo.

São 138 minutos do mais bem construído suspense, com direito a alguns sustos durante a sessão. Baseada no livro do escritor Dennis Lehane Shutter Island (título original, aliás, da película), a história se passa no verão de 1954, quando dois policiais, Teddy Daniels (Leonardo DiCaprio) e Chuck Aule (Mark Ruffalo), tem como missão investigar o desaparecimento de uma paciente do hospital psquiátrico Ashecliffe, localizado em uma ilha. No entanto, os estranhos acontecimentos que passarão a seguir Teddy naquele lugar e o farão relembrar seu atordoado passado irão fazer com que o que é real seja colocado em dúvida.

Bem adaptado das linhas para a tela, Ilha do Medo é aquele filme que, às vezes, confunde até o próprio espectador. Confusão esta que o instiga a participar profundamente do enredo.

Confira abaixo onde assistir A Ilha do Medo (de 23/04/2010 a 29/04/2010):

BELAS ARTES

BOURBON

ITAIM PAULISTA

JARDIM SUL

MARKET PLACE

METRÔ SANTA CRUZ

PÁTIO PAULISTA CINEMARK

Assista ao trailer:

Boa sessão!

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“As Melhores Coisas Do Mundo” estão São Paulo

Por José Roberto Gomes Júnior

(Divulgação)

 

Sexo, drogas e rock’n roll. As três palavras não dizem respeito somente às “bases culturais” da geração de jovens hippies, que marcou o cenário mundial nas últimas décadas do século passado. São também o alicerce da abordagem que a cineasta Laís Bodanzky faz dos jovens no filme As Melhores Coisas Do Mundo, em exibição na capital paulista. 

A diretora de Bicho de Sete Cabeças (2001) e Chega de Saudade (2007) procurou destacar as descobertas, os medos, as pertubações e, claro, as desavenças com os pais que marcam essa fase da vida. Para isso, valeu-se da série de livros Mano, de Gilberto Dimenstein e Heloisa Pietro. Título, aliás, que dá nome ao protagonista da película (Francisco Miguez). 

A trama mostra o dia a dia desse adolescente, filho dos professores Camila (Denise Fraga) e Horácio (Zé Carlos Machado), que acabam se separando após ele confessar à mulher sua homossexualidade e desejo de morar com seu aluno orientando. Tanto Mano quanto seu irmão mais velho, Pedro (Fiuk, filho do cantor Fábio Jr.). Além disso, Mano se envolve em um tumulduado namoro na escola onde estuda. 

Confira abaixo quais locais que estão com o filme As Melhores Coisas Do Mundo em cartaz: 

Anália Franco, Boavista, Boulevard Tatuapé, Bourbon, Center Norte, Central Plaza, Eldorado, Frei Caneca Unibanco Arteplex, Iguatemi, Interlagos, Interlar Aricanduva, Jardim Sul, Kinoplex Itaim, Market Place, Metrô Itaquera, Metrô Santa Cruz, metrô Tatuapé, Pátio Higienópolis, Pátio Paulista Cinemark, Penha Plaza Sul, Reserva Cultural, Santana Plaza, Shopping D, SP Market e Villa Lobos. 

 Trailer: 

Boa sessão!

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Cara limpa no palco

Com um microfone e, principalmente, uma boa piada, os shows de stand-up comedy levam ao teatro uma plateia desacostumada a frequentá-lo. Mas, apesar de usar o mesmo espaço das peças tradicionais, ele pode ser considerado um gênero teatral?

 Por José Roberto Gomes Jr., Nathan Lopes, Priscila Pires e Raphael Scire

Em uma de suas apresentações, o humorista Marco Luque faz uma pergunta: “Quem está vendo o show pela primeira vez?”. Mais da metade da plateia levanta a mão. Ele, então, emenda outro questionamento: “Quem está vindo ao teatro pela primeira vez?”. O número de acenos do público tem apenas uma pequena queda. A maioria deles é de gente jovem, na faixa dos 20 aos 30 anos. O humor tem, cada vez mais, levado pessoas que nunca pensaram em sentar-se numa poltrona para ver um espetáculo teatral. O responsável por isso chama-se stand-up comedy. Ou, na tradução para o português, “comédia em pé”.

Também chamado de “humor de cara limpa”, esse estilo cômico diferencia-se das tradicionais peças teatrais, já que estas necessitam de cenário, sonoplastia e maquinário, por exemplo, e o stand-up comedy, apenas de um microfone e uma iluminação, o que reduz, consideravelmente, o gasto frente a uma apresentação convencional. A semelhança entre ambos fica apenas no espaço que ocupam, o palco. E é justamente dessa observação que surge uma pergunta: o stand-up é um gênero teatral?

Para a humorista Fabiana Karla, conhecida do grande público por seus papéis cômicos na televisão (Zorra Total, da TV Globo), esse tipo de comédia é muito mais um estilo de entretenimento do que teatral. “Teatro envolve outras características, como figurino, ambientação e personagens. O stand-up tem um ‘ator de cara limpa’, contando piadas aos espectadores. A proposta é realmente diferente”, analisa Karla, que recentemente apresentou a peça Gorda em São Paulo.

Aliás, a capital paulista é referência nacional no quesito stand-up comedy. Trata-se da cidade com inúmeras apresentações de humoristas todos os dias da semana. Os mais famosos desses espaços estão localizados, principalmente, em regiões nobres, como os arredores da Avenida Paulista (Clube da Comédia e Comédia ao Vivo), Moema (Improriso) e Vila Madalena (Santa Comédia). Além disso, bares também são espaços recorrentes utilizados pelos humoristas nas apresentações, como o Pueblo Bar, na Vila Olímpia, em São Paulo. “A gente começa fazendo isso aqui em bares, com o pessoal bêbado, o dono do bar empurrando pro palco…”, revela o “humorista de cara limpa” Diogo Portugal, participante esporádico do Clube da Comédia, apresentado no Teatro Procópio Ferreira.

Preparando a piada

Boa parte dos atores de stand-up comedy possui curso de teatro nos currículos e, antes de iniciarem a apresentação, selecionam alguns temas a serem colocados para o público, os quais são observados no cotidiano. “São coisas normais contadas de uma forma engraçada”, relata a estudante de teatro de improviso e humorista Nathália Soriano, que continua: “Tem que sair do senso comum, daquela piadinha que provavelmente todo mundo já pensou”.

Os assuntos preferidos são as diferenças entre homens e mulheres e algum caso específico que esteja na mídia. Recentemente, em apresentação no Clube da Comédia no começo do ano, Danilo Gentili (também repórter do CQC, da TV Bandeirantes) perguntou à plateia o que ela sugeria como tema. Uma voz vinda da direção das poltronas, disse: “Fala sobre a Hebe!”, referindo-se à apresentadora de televisão que ganhou as páginas dos jornais ao receber o diagnóstico de câncer. Segundo os comediantes, estar bem informado é o segredo para manter as piadas sempre atuais e originais.

Mulheres a serviço do humor

O que tem chamado a atenção nesse estilo nos últimos anos é a presença feminina. Há algum tempo seria impossível imaginar um espetáculo como o que está em cartaz atualmente. Putz Grill reúne as quatro amigas-comediantes Andréa Barreto, Carol Zocolli, Micheli Machado e Wanessa Morgado, quem comenta: “O número de mulheres, se comparado ao de homens, é ainda muito pequeno, mas fico feliz em ver cada vez mais de nós se arriscando, porque é uma profissão que não depende do sexo”.

Para Nathália Soriano, ainda há um certo preconceito em relação ao stand-up feminino. “O Brasil é machista. É diferente quando o Gentili fala um palavrão de quando a Carol fala. Tem gente que não se sente confortável e diz: ‘Nossa! Uma mulher falando assim’. Elas tem que provar que são boas duas vezes mais”.

Em expansão

Sobre o futuro, Morgado acredita que o stand-up comedy, apesar de muito recente, em pouco tempo tende a “dar uma acalmada”. “Mas, com toda certeza, ele veio para ficar”. Isso alegra o público, que ri de fatos corriqueiros do seu dia a dia, e os próprios humoristas, os quais têm faturado muito em suas apresentações. O ingresso do Clube da Comédia, por exemplo, custa quarenta reais. Esse, aliás, é motivo de lamento para a comediante Fabiana Karla, que não perde a oportunidade de fazer graça. “Sou péssima em contar piada e perco muito dinheiro com isso. Se soubesse fazer stand-up, eu estaria feita”.

Por ora, humoristas comemoram o aumento no número de jovens que ingressam na área e auxiliam na expansão das apresentações. O que atraiu a atenção de Nathália Soriano, por exemplo, foi justamente a “cara limpa”. “São eles mesmos, sem figurino, cenário, essas coisas”, comenta. Porém, ela discorda de Fabiana sobre a questão do gênero. Nathália pensa que a comédia em pé não deixa de ser uma forma de teatro. “Não é qualquer um que chega lá no palco e começa a contar piadinhas. Os humoristas se preparam e muitos deles ou já eram atores mesmo ou estudaram teatro depois”.

Apesar do intuito de cada um ser diferente, foi a comédia em pé que apresentou o ambiente de teatro para muitos. Fabiana tem uma explicação para isso. “Esses espetáculos, muitas vezes, entretém mais do que peças que estão em cartaz”.

Foi o que aconteceu com a estudante de relações públicas Graziela Ferrari, após assistir à apresentação de stand-up comedy ao vivo pela primeira vez: “Já havia assistido a alguns vídeos no YouTube, do Terça Insana, e achei muito engraçado. Resolvi conferir no teatro.” Com Laura Hauser, estudante de jornalismo, não é diferente. “Acho que stand-up comedy é mais que simplesmente humor. É uma forma excelente de crítica. Por ser algo muito divertido, consegue passar informação de uma maneira leve e atingir um público muito grande”. Ela lembra ainda de um grande nome desse gênero no exterior: George Carlin, considerado um dos reis da comédia stand-up. “Seus números eram sempre muito críticos. E o legal é que ele conseguia abranger temas muito diferentes: desde religião até meio ambiente”, comenta.

Se o stand-up é ou não teatro nem quem faz ou o estuda consegue responder. O melhor em meio a essa “confusão” para nós, do público, é acomodar-se na poltrona e gargalhar.

Os palcos de stand-up comedy 

Clube da Comédia

Local: Teatro Procópio Ferreira (Av. Augusta, 2823 – Jardins – S.Paulo/SP)

Quando: Quartas, às 21h

Humoristas: Danilo Gentili, Marcelo Mansfield, Marcela Leal, Oscar Filho e Rafinha Bastos

Santa Comédia

Local: Bar Bleeker St., Rua Inácio Pereira da Rocha, 367 – Pinheiros – São Paulo

Quando: Domingos, às 21 horas

Humoristas: Carol Zoccoli, Fábio Lins, Victor Hugo, Marco Zenni, Felipe Andreoli e Fernando Muylaert

Improriso

Local: Café Paon, Av. Pavão, 950 – Moema – São Paulo

Quando: Quintas, às 22h

Humoristas: Bruno Motta, Nany People, Márcio Ribeiro, Danilo Gentili, Maurício Meirelles, Murilo Gun, Marcos Castro, Ben Ludmer, Renato Tortorelli, Carol Zoccoli, Fernando Caruso, Diogo Portugal e outros

Seleção de humor

Local: Teatro Folha, no Shopping Pátio Higienópolis, Avenida Higienópolis, 646 – Higienópolis – São Paulo

Quando: Sextas e sábados, 00h.

Humoristas: Bruno Motta, Márcio Ribeiro, Marcela Leal, Maurício Meirelles e Ben Ludmer

Comédia ao vivo

Local: Teatro Renaissance, Al. Santos, 2253 – Jardins – São Paulo

Quando: Sextas, às 23h59

Humoristas: Marcelo Adnet, Daniela Calabresa, Luís França e Fábio Rabin

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Para lembrar o grito

Por  José Roberto Gomes Júnior

Foto: Fernanda Patrocínio

            Erguendo-se na esquina das ruas do Comércio e XV de Novembro, região central da capital paulista, o prédio da Bovespa, a Bolsa de Valores de São Paulo, é só mais um edifício que compõe a selva de pedras da maior cidade do país. Para um desavisado, a construção de 10 andares de feições neoclássicas abriga, no seu interior, a gritaria, as gesticulações frenéticas das mãos dos operadores e, claro, o stress. Engana-se quem ainda cultiva essa noção. Basta passar sob as três bandeiras (do Brasil, do estado de São Paulo e a da instituição), que tremulam na entrada principal, para perceber que os tempos mudaram. 

            Não nos referimos à recente fusão entre a Bovespa e a Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), anunciada em março de 2008, mas sim à implantação do pregão eletrônico, ocorrida ainda em 1997, que fez com que o tumulto de outrora desse lugar a um silêncio inimaginável tempos atrás. O recinto onde eram realizadas as negociações viva-voz (o termo técnico – e polido – para se referir aos gritos dos operadores) modificou-se substancialmente, embora ainda mantenha resquícios de seu passado barulhento: há as salas das corretoras, uma mesa de operações, um quadro no qual se deslocam, uniformemente, o preço das cotações e, obviamente, os famosos painéis coloridos pelo verde, amarelo e vermelho, que indicam o sobe e desce das ações. Hoje, não precisa ser um engravatado de uma corretora para entrar no prédio. Basta chegar à recepção e dizer: “Gostaria de conhecer o Espaço Bovespa”. 

 

Espaço Bovespa: antigo local do pregão

 

            Integrando o programa de popularização da Bolsa, esse Espaço procura colocar o público em geral dentro do universo do mercado acionário. O local agora conta com atrações que vão de um tecnológico cinema 3D até um Centro de Memória, um verdadeiro labirinto azul repleto de objetos e vídeos que contam a história da instituição em etapas, seguindo os passos de quem o visita. Não se deve esquecer da já mencionada mesa de operações, cravada no centro do recinto sob quatro painéis que indicam o humor da economia nacional e mundial. 

            É perceptível que a importância do lugar não se restringe somente ao fato de ser um reduto para o descanso – mesmo que momentâneo – do apressado paulistano que corre pelas ruas de paralelepípedo do centro da cidade. De fato, com o Espaço Bovespa, a Bolsa de Valores almeja reverter o pouco interesse do brasileiro para com o mercado acionário. “No Brasil, somente 7% da população investe na Bolsa, ao passo que nos Estados Unidos, por exemplo, essa marca chega a quase 50%”, estima Rui Paranhos, economista, funcionário do Espaço e ex-operador, que não grita mais com um telefone colado ao ouvido, mas que responde calmamente às perguntas dos visitantes do local. 

            Para a maioria dos que vão ao Espaço Bovespa, seja para uma simples passada de olhos nos números do dia, seja para se sentar nas macias poltronas azul-escuros que se espalham pelo Café, outra atração do ambiente que, agora, ocupa salas de antigas corretoras, a opinião é unânime: o Espaço Bovespa é um eficiente mecanismo para a popularização da instituição. “O Espaço é bom, pois as pessoas podem ver de perto como funciona o mercado e quem o visita se apaixona por ele”. Essa é declaração, por exemplo, de Donizetti Marques, agente autônomo de investimentos e uma das pessoas que visita o antigo recinto do pregão. Já para o economista e editor de investimentos da revista Infomoney, é uma conjunção de fatores. “O lugar ajuda a manter viva a história da Bolsa, permite uma maior aproximação e eleva a instituição também. Uma coisa meio natural mesmo”. 

            O Espaço Bovespa é todo adornado por dezenas de quadros de fundo branco que estampam logotipos de empresas que tem ações na Bovespa, formando uma espécie de “coroa” sobre o local. Acima disso, há uma parede de vidro que pode, à primeira vista, parecer acessível somente a empresários, presidentes de organizações ou aos seguranças de terno preto, que desfilam olhando a movimentação abaixo. Mais uma vez, engana-se quem cogitou essa hipótese. 

            Com os programas e cursos oferecidos pela instituição, é possível subir pelas escadas de mármore italiano aos andares superiores, onde aqueles são realizados, e observar panoramicamente o recinto do antigo pregão viva-voz. “Nós temos o ‘Mulheres em ação’, o Instituto Educacional, o ‘Em boa companhia’, o ‘BM&FBovespa vai até você’, entre outros, que ajudam o investidor iniciante a lidar com o mercado acionário”, explica enfaticamente Agnaldo Silva, outro economista e funcionário do edifício. 

            Primeiro passavam coronéis e cafeicultores donos de enormes glebas de terra. Depois, industriais que faziam São Paulo se tornar a principal cidade do país. Em seguida, operadores, responsáveis pelo elo entre a Bolsa e os acionistas. E agora, qualquer pessoa tem acesso a um prédio no qual se guarda boa parte da história econômica brasileira. Esses personagens mencionados não passaram pelo mesmo prédio – afinal o que se ergue, atualmente, na Rua XV de Novembro data da década de 1940. Mas todos foram responsáveis por importantes negociações, realizadas no “gogó”, como disse Rui Paranhos. Cabe a nós hoje, portanto, lembrar essa época dos gritos.

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São Paulo em destaque

Por Raphael Scire

As telenovelas brasileiras fazem questão de mostrar as nossas paisagens naturais, uma forma de reforçar as belezas do país quando vendidas para o mercado internacional. O Rio de Janeiro é o cenário quase que certo de muitas produções, independentemente da emissora em que são exibidas.

Porém, tal fato vem se modificando. A cidade de São Paulo ganha cada vez mais destaque na telinha. Na Rede Record, por exemplo, a recém exibida Poder Paralelo, de Lauro Cesar Muniz, era ambientada na terra da garoa. A emissora, apesar de ter sua sede no bairro da Barra Funda, zona oeste da cidade, comprou recentemente um complexo de estúdios para a produção de suas tramas no Rio de Janeiro . Com isso, entretanto, muitas delas estão sendo contadas tendo o Rio ainda como destaque.

Tiago Santiago (Reprodução)

O SBT talvez seja a emissora que mais ambienta suas tramas na paulicéia. Atualmente no ar com Uma rosa com amor, o autor Tiago Santiago escolheu a capital paulista para contar a história de Claude e Serafina. Além disso, ele vem utilizando o litoral sul do estado, em especial o Guarujá – onde o dono da emissora, Silvio Santos, possui um resort, diga-se de passagem – para escrever algumas cenas. Santiago já havia escrito a trilogia Mutantes, na Record, com a cidade servindo de cenário.

A surpresa, porém, é a Rede Globo. A emissora carioca tradicionalmente beneficia o estado natal em muitas de suas histórias. No horário das 19 horas, São Paulo é a bola da vez. Encerrada em janeiro último, a bem sucedida Caras & Bocas, de Walcyr Carrasco, levou para a telinha bairros como os Jardins, na zona sul, e a Lapa, na zona oeste.

Carrasco é um verdadeiro cronista de São Paulo. Suas tramas anteriores, a contemporânea Sete Pecados e as novelas de época Alma Gêmea e O cravo e a rosa, também tiveram São Paulo como pano de fundo.

Walcyr Carrasco (Reprodução)

Caras & Bocas foi substituída por Tempos Modernos, de Bosco Brasil. Desta vez, o centro da capital ganhou destaque. A grande diferença é que, nesta trama, ele foi totalmente repaginado por técnicas de edição, ou seja, o que é visto na telinha é o que o autor gostaria de mostrar, não o que ele realmente é.

A próxima trama do horário será o remake de Ti-ti-ti, escrito por Maria Adelaide Amaral, e que também será ambientada na cidade. A trama original, de 1987, foi escrita por Cassiano Gabus Mendes, autor que constantemente escrevia suas histórias em São Paulo. E Walcyr Carrasco é o nome mais cotado para substituir Maria Adelaide no horário. Ou seja, mais uma vez São Paulo será retratada na telinha.

 

E para completar, Silvio de Abreu vem aí no horário das 21 horas. Ele, que tem 13 obras escritas, 12 delas feitas em São Paulo, escreve Passione. A novela terá locações em bairros tradicionais, como o Jardim Europa, e no emergente Tatuapé. É esperar para ver. De uma forma ou de outra, as novelas que por aqui se passam são formas encontradas por seus autores para homenagear nossa cidade.

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